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Psoríase: dermatose crônica autoimune | Colunistas

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O que é?

Doença de pele crônica, não contagiosa e de base genética e autoimune, geralmente é desencadeada por uso de drogas, traumas ou infecções. É apresentada por placas avermelhadas, inflamadas e com descamações branco prateadas, pápulas e placas, sendo mais comum nos joelhos e cotovelos e menos comum em unhas e orelhas.

Atinge 2% da população e apesar de poder aparecer em qualquer idade, é mais comum surgir na adolescência e na primeira fase da idade adulta, podendo haver um segundo pico na sexta década, tal patologia é mais rara em negros, pode afetar homens e mulheres na mesma proporção

Por ser crônica se perdura por toda a vida, contudo, com uma evolução de exacerbações e remissões das lesões, possui remoção, porém ao removerem as escamas, estas deixam um sinal do orvalho sangrante, devido à amputação dos capilares no topo da derme.

A etiologia da doença não é totalmente conhecida, todavia, sabe-se da relação com genes, além de ser uma doença mediada pelos linfócitos TCD4+.

Na psoríase ocorre uma desregulação do sistema imune, o qual provoca um estado inflamatório e aumento na velocidade de renovação das células da camada mais superficial da pele, a epiderme.

Tipos

Psoríase eritrodérmica: é do tipo generalizando, apenas poupando a face, pode evoluir com lesões em placas ou ser aguda (sem lesões anteriores).

Psoríase invertida: rara e que predomina em flexuras.

Psoríase em placa: comum em crianças e adolescentes, tipicamente uma placa bem delimitada, sobre base eritrematosa, com descamação e estratificada em escamas micáceas. Mais comum no couro cabeludo, joelhos, cotovelos, palmas e plantas. Pode ocorrer de forma disseminada ou generalizada, contudo não é o comum.

Psoríase gotada: também comum em crianças e adolescentes, as lesões são pequenas e tem a forma arredondada ou oval. Aparecimento abrupto. Remissão em crianças, porém tende a ser crônica no adulto.

Psoríase pustulosa: localizada e associada às lesões clássicas em placas, anulares de crescimento e pústulas nas bordas. Conteúdo purulento é estéril.

História de exame físico e diagnóstico

O principal fator de diagnóstico são as lesões cutâneas, outros fatores seriam o desconforto cutâneo e o histórico genético.  

O diagnóstico é basicamente apenas clínico, entretanto pode-se considerar uma biópsia de pele.

Sintomas

Os sintomas variam de paciente para paciente, mas no geral são:

  • coceira
  • queimação
  • dor
  • pele ressecada/rachada
  • manchas vermelhas com escamas esbranquiçadas
  • unhas grossas, descoladas

Fatores de risco

  • Estresse – sistema imunológico debilitado
  • Histórico familiar
  • Obesidade
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas
  • Tabagismo
  • Tempo frio

Alguns diagnósticos diferenciais

  • Lúpus
  • Micose fungoide
  • Dermatite
  • Pitiríase rósea
  • Eczema

Tratamento

Localizados:

  • Corticoide tópicos em cremes ou pomadas, podendo ser de média a alta potência
  • No couro cabeludo uso de corticoide em forma de loção ou xampu
  • Fototerapia

Sistêmicos:

  • Imunossupressores biológicos
  • Acitretina, é a mais eficaz em formas pustulosas
  • Metotrexato oral
  • Ciclosporina

A psoríase leve normalmente é tratada com corticosteroides tópicos, já a moderada a grave pode precisar de fototerapia e agentes sistêmicos.

Imagem 3 demonstra a clássica psoríase em couro cabeludo – retirado do site: https://www.alergiaeimunologia.com.br/impacto-da-psoriase-na-qualidade-de-vida/

Acompanhamento e complicações

O monitoramento é feito dependendo de cada caso pela intensidade da doença e de qual terapia está sendo seguida. Pacientes com moderada a grave por exemplo, são monitorados no intervalo de três a seis meses.

A longo prazo e com alta probabilidade de ocorrer, indivíduos que possuem psoríase tem alta incidência para doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, além de relação com diabetes e obesidade.

Prevenção

Por ser uma doença crônica, não se tem profilaxia, porém, levar um estilo de vida mais saudável pode acarretar na melhor da progressão da psoríase. Vale lembrar que qualquer sinal é motivo de procura ao especialista que nesse caso é o dermatologista, pois quanto mais precoce for o diagnóstico, mais fácil será o tratamento e assim, irá atingir menos a qualidade de vida.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Bogliolo patologia, nona edição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Capítulo 32: Pele, página 1319.

Oliveira, Reynaldo Gomes. Blackbook clínica médica 2° edição, Minas Gerais, editora Ltda. 2015. Dermatoses, página 738.

https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/psoriase/18/
Site BMJ: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/74

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