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O que devo saber sobre a variante B.1.617? | Colunistas

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A variante B.1.617 do SARS-CoV 2 ganhou destaque mundialmente após a Índia se tornar o novo epicentro da pandemia do coronavírus. Inicialmente detectada em outubro de 2020 na Índia, a nova variante foi reconhecida em outros locais, como Reino Unido e Estados Unidos, em fevereiro de 2021.

Atualmente, já foram identificadas três sub-linhagens dessa nova cepa, que apresentam poucas diferenças entre si, B.1.617.1, B.1.617.2 e B1.617.3, sendo as duas primeiras as mais comuns. É importante lembrar que, apesar de ter sido reconhecida primeiramente na Índia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que o termo “variante indiana” não deve ser utilizado.

Apesar das restrições e barreiras criadas para viajantes originários da Índia, a nova linhagem já foi identificada em, pelo menos, 60 países incluindo o Brasil. Em nosso país, o primeiro caso foi detectado no Maranhão no dia 20 de maio de 2021 e, desde então, outros quatro estados monitoram casos confirmados e suspeitos da variante B.1.617.

A estrutura do coronavírus

O SARS-CoV-2 é um vírus de RNA+, o que significa que ele já está preparado para síntese proteica e, dessa forma, é replicado com mais facilidade e velocidade. O coronavírus possui um genoma com menos de 30.000 nucleotídeos e é coberto por uma camada lipídica e proteica, com diversas proteínas em sua superfície. Entre elas, a proteína Spike ou Proteína S, é uma glicoproteína que se liga a nossas células através da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA 2) presente, principalmente, no epitélio do sistema respiratório (Figura 1).

Figura 1. SARS-Cov 2 ligado à célula do hospedeiro através da ECA2.
Fonte: https://www.caymanchem.com/news/tools-to-study-sars-cov-2-host-interactions 

Como surgem as variantes?

Você já deve saber que os microrganismos sofrem mutações ao decorrer do tempo e isso não é diferente com os vírus, incluindo o SARS-CoV-2. E, no caso de uma circulação global como numa pandemia, as chances dessas mutações ocorrerem são maiores, isso acontece porque quanto mais o vírus se replica, mais ele está suscetível a mudanças. Algumas cepas que surgem são fracas e desaparecem, enquanto outras podem ter maior potencial de transmissão e infecção.

É necessário, então, que os países monitorem atentamente as novas variantes que persistem, como é o caso da B1.617, para que seja definido se as mudanças sofridas por ela fazem com que ela seja mais transmissível ou cause uma infecção mais grave. Outro fator importante é avaliar como as variantes se comportam diante ao tratamento e as vacinas disponíveis, sendo suscetíveis ou resistentes.

A variante B1.617

A variante B1.617 surgiu a partir de diversas mutações, das quais, pelo menos, três (E484Q, L452R e P681R) afetaram a Proteína Spike. Estudos mostraram que essas mutações atuam propiciando ainda mais a ligação da Proteína S com a ECA2 e aumentando o poder de evasão do vírus em relação ao sistema imune.

Você talvez já tenha ouvido falar no termo “double mutation” (mutação dupla em tradução livre) usado para se referir a combinação das mutações E484Q e L452R, no entanto, essa expressão é imprecisa e não deve ser utilizada, pois pode levar a uma interpretação equivocada.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), atualmente, a variante B1.617 é considerada de interesse, ou seja, ela possui marcadores específicos associados a alterações na ligação do receptor, neutralização reduzida por anticorpos gerados contra infecção anterior ou vacinação, eficácia reduzida de tratamentos,  aumento previsto na transmissibilidade ou gravidade da doença.

Ainda não há evidências de que a infecção pela linhagem B1.617 cause uma infecção mais grave ou que leve a mais óbitos que por outras cepas, no entanto há indício de um poder maior de transmissão, que resulta em mais pessoas infectadas. Seguindo a razão, um maior número de casos significa maior número de pacientes que precisam de atendimento hospitalar, logo a quantidade de desfechos desfavoráveis tende a ser maior.

Eficácia das vacinas contra a B1.617

A OMS tem analisado as respostas das variantes em relação às vacinas que estão em desenvolvimento. Até o momento, não há indício de que os imunizantes existentes sejam ineficazes contra a cepa B1.617, mas a coleta de dados é constante para que, se necessário, mudanças na composição sejam feitas e a proteção permaneça eficaz.

É válido lembrar que nenhuma vacina garante 100% de imunidade, elas são importantes, principalmente, para proteger contra desfechos negativos de casos graves e internações e as medidas básicas de proteção, como uso de máscara e higienização das mãos, permanece imprescindível.

A variante B1.617 no Brasil

No dia 20 de maio de 2021, a Secretaria de Saúde do Maranhão confirmou que seis tripulantes de um navio originário da Malásia desembarcaram no estado infectados pela variante B1.617.

Além deles, um outro caso foi confirmado em um passageiro vindo da Índia no aeroporto de São Paulo. Antes do resultado do PCR, o homem viajou em voo doméstico para o Rio de Janeiro e seguiu de carro para Campos dos Goytacazes, o homem segue isolado em quarentena. E, em Minas Gerais, o primeiro caso da variante no estado foi confirmado no dia 28 de maio em Juiz de Fora.

Todos os casos confirmados estão sendo monitorados pelas Secretarias de Saúde dos Estados e permanecem em quarentena, os possíveis contactantes foram notificados e seguem sob vigilância.

Conclusão

O surgimento de mutações é esperado quando um vírus se dissemina amplamente na população. No entanto, é preciso que haja uma monitorização constante para que variantes com maior transmissibilidade e poder de evasão sejam rapidamente identificadas e neutralizadas. É por esse motivo que a  variante B1.617  está sob contínua vigilância, em todo mundo, para que informações mais concretas sejam obtidas.

Ainda há muitas perguntas sem respostas, que só virão com o tempo, contudo as precauções básicas, como uso de máscara (preferencialmente, a PFF2), higienização das mãos e o distanciamento seguem primordiais independentemente da vacinação.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

  1. Uzunian, ArmênioCoronavirus SARS-CoV-2 and Covid-19. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial [online]. 2020, v. 56 [Acessado 26 Maio 2021] , e3472020. Disponível em: . Epub 25 Set 2020. ISSN 1678-4774.
  2. Os efeitos das variantes do vírus nas vacinas COVID-19. Organização Mundial de Saúde, 1 de mar. de 2021. Disponível em . Acesso em: 26/05/2021
  3. Haseltine, William. “An Indian SARS-CoV-2 Variant Lands In California. More Danger Ahead?”. Forbes. Acesso em: 27/05/2021
  4. SARS-CoV-2 Variant Classifications and Definitions. Centers for Disease Control and Prevention. Disponível em <https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/variants/variant-info.html>. Acesso em 27/05/2021

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