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Hidradenite supurativa: causas, sintomas e opções de tratamento

Médica dermatologista realizando exame de pele em paciente, observando sinais de hidradenite supurativa.

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A hidradenite supurativa, também chamada de acne inversa, corresponde a uma doença inflamatória crônica, recorrente e potencialmente incapacitante, que acomete principalmente áreas intertriginosas ricas em unidades foliculopilossebáceas. Embora o nome sugira acometimento primário das glândulas sudoríparas, o entendimento atual coloca a oclusão folicular, a inflamação imune desregulada e a ruptura do folículo piloso no centro da fisiopatologia. Assim, o médico deve interpretar a doença não como uma infecção cutânea simples, mas como uma condição inflamatória complexa, com repercussões dermatológicas, metabólicas, dolorosas, funcionais e psicossociais.

Do ponto de vista clínico, a hidradenite supurativa costuma surgir após a puberdade e frequentemente acompanha o paciente por anos, com períodos de exacerbação e remissão parcial. Além disso, a doença apresenta grande heterogeneidade: alguns pacientes desenvolvem nódulos inflamatórios isolados e recorrentes, enquanto outros evoluem com abscessos, túneis dérmicos, drenagem crônica, cicatrizes fibróticas e deformidade anatômica importante.

Fisiopatologia da hidradenite supurativa

A hidradenite supurativa resulta de uma interação entre predisposição genética, alterações da imunidade inata e adaptativa, fatores hormonais, microbioma cutâneo, tabagismo, obesidade e estímulos mecânicos locais. Inicialmente, ocorre hiperqueratinização do infundíbulo folicular, com consequente obstrução do folículo. Em seguida, a dilatação folicular aumenta a pressão intraluminal e favorece a ruptura da parede folicular. A partir desse ponto, queratina, fragmentos bacterianos, sebo e outros componentes intrafoliculares entram em contato com a derme e desencadeiam resposta inflamatória intensa.

Nesse processo, mediadores pró-inflamatórios, como TNF-alfa, interleucinas e outras vias imunológicas, sustentam a inflamação local e sistêmica. Consequentemente, o paciente desenvolve lesões dolorosas, abscessos e, nos casos mais avançados, trajetos fistulosos e cicatrizes. Além disso, a inflamação persistente altera a arquitetura tecidual e cria um ciclo de recorrência, drenagem e reparação inadequada.

Embora bactérias possam colonizar as lesões e contribuir para exacerbações, a hidradenite supurativa não corresponde primariamente a uma doença infecciosa. Portanto, o uso de antibióticos deve considerar seu efeito anti-inflamatório, sua utilidade no controle de colonização secundária e sua indicação conforme gravidade, extensão e padrão de atividade da doença. Essa distinção importa bastante, porque muitos pacientes recebem múltiplos ciclos de antibióticos sem uma abordagem longitudinal, o que atrasa terapias mais adequadas.

Fatores de risco

Fatores de risco também desempenham papel relevante. O tabagismo se associa a maior atividade inflamatória e pior resposta clínica em muitos pacientes. Além disso, a obesidade contribui por meio de atrito local, maceração, aumento de dobras cutâneas, inflamação metabólica e possível influência hormonal. Ainda assim, a hidradenite supurativa não deve ser reduzida a uma consequência de peso corporal ou hábitos de vida. Essa leitura simplista aumenta estigma e prejudica o vínculo terapêutico. O médico, portanto, deve abordar esses fatores como elementos modificáveis dentro de um plano amplo, sem responsabilizar o paciente de forma inadequada.

A história familiar também merece atenção, já que parte dos pacientes relata familiares acometidos. Além disso, alterações hormonais podem influenciar a atividade da doença, especialmente em mulheres que referem piora pré-menstrual, associação com síndrome dos ovários policísticos ou resposta a terapias antiandrogênicas. Nesse contexto, a avaliação clínica deve incluir hábitos, comorbidades, padrão menstrual, uso de medicamentos, sintomas metabólicos, dor, impacto funcional e repercussões emocionais.

Manifestações clínicas e sintomas

A apresentação típica envolve nódulos inflamatórios profundos, dolorosos e recorrentes em:

  • Axilas
  • Região inguinal
  • Região anogenital
  • Períneo
  • Nádegas
  • Sulco inframamário e áreas de atrito.

Entretanto, o médico também pode encontrar lesões em abdome inferior, região pubiana, face interna das coxas e outras áreas com folículos pilosos e fricção. Em fases iniciais, o paciente pode descrever “furúnculos” repetidos, lesões que inflamam e melhoram parcialmente, dor local intensa e episódios de drenagem espontânea.

Progressão da doença

Com a progressão, surgem abscessos, túneis ou trajetos fistulosos, com eliminação de secreção purulenta ou serossanguinolenta, odor desagradável, maceração e dor crônica. Além disso, cicatrizes hipertróficas, pontes cicatriciais, retrações e fibrose podem limitar movimentos, dificultar higiene local, interferir na atividade sexual e comprometer atividades cotidianas.

Fonte: UpToDate, 2026.

Por isso, a avaliação não deve se restringir ao número de lesões; o médico também precisa investigar dor, drenagem, limitação funcional, absenteísmo, sono, constrangimento social e sintomas depressivos ou ansiosos.

Diagnótico da hidradenite supurativa

O diagnóstico exige três elementos principais:

  • Lesões típicas
  • Localização típica
  • E recorrência.

Assim, nódulos dolorosos, abscessos, comedões duplos, túneis e cicatrizes em áreas intertriginosas, quando retornam ao longo do tempo, sustentam fortemente o diagnóstico. Exames laboratoriais ou culturas não confirmam a doença de forma isolada, embora possam ajudar em situações de suspeita de infecção secundária, diagnóstico diferencial ou planejamento terapêutico.

Os diagnósticos diferenciais incluem furunculose recorrente, abscessos bacterianos, doença de Crohn cutânea ou perianal, linfogranuloma venéreo, cistos epidérmicos inflamados, acne conglobata, pilonidose, actinomicose, tuberculose cutânea e outras dermatoses inflamatórias ou infecciosas. Portanto, localização, cronicidade, padrão de recorrência e presença de túneis ajudam a separar a hidradenite supurativa dessas condições.

Na prática, a classificação de Hurley auxilia a comunicação clínica e o planejamento terapêutico. No estágio I, o paciente apresenta abscessos ou nódulos recorrentes sem túneis ou cicatrizes extensas. Já no estágio II, há abscessos recorrentes com túneis e cicatrização, porém com lesões separadas. No estágio III, há acometimento difuso, múltiplos túneis interconectados e inflamação extensa em uma região anatômica. Embora simples, essa classificação não capta toda a atividade inflamatória, dor e impacto do quadro; por isso, escalas complementares e avaliação global do paciente podem melhorar a tomada de decisão.

Opções de tratamento

O tratamento deve seguir a gravidade, a extensão anatômica, o fenótipo da doença, a presença de túneis, a intensidade da dor, as comorbidades e os tratamentos prévios. Além disso, o manejo costuma exigir combinação de medidas gerais, terapias tópicas, antibióticos sistêmicos, anti-inflamatórios, terapias hormonais, imunobiológicos, procedimentos cirúrgicos e suporte psicossocial.

Em todos os estágios, o médico deve orientar:

  • Redução de atrito
  • Cuidados com higiene sem agressão cutânea
  • Controle de dor
  • Manejo de curativos
  • Avaliação de tabagismo
  • Abordagem do peso quando clinicamente pertinente
  • E rastreio de comorbidades.

Entretanto, essas medidas não substituem tratamento farmacológico ou cirúrgico quando a doença apresenta atividade relevante. Elas funcionam como base de cuidado, especialmente porque diminuem gatilhos locais e melhoram tolerância ao tratamento.

Tratamento tópico

Nos quadros leves, com nódulos isolados e sem túneis, tratamentos tópicos podem ajudar. Clindamicina tópica, por exemplo, pode reduzir lesões inflamatórias superficiais em casos selecionados. Além disso, antissépticos e lavagens específicas podem auxiliar no controle de odor e colonização, embora não resolvam a inflamação central da doença.

Em lesões dolorosas agudas, infiltração intralesional com corticosteroide pode aliviar dor e inflamação em situações específicas, desde que o médico avalie riscos, localização e presença de infecção secundária.

Doença disseminada

Quando a doença apresenta atividade mais disseminada ou recorrente, antibióticos sistêmicos entram com frequência no plano terapêutico. Tetraciclinas podem atender quadros leves a moderados, principalmente pelo efeito anti-inflamatório. Já combinações como clindamicina e rifampicina podem servir para casos moderados, conforme perfil do paciente, contraindicações, interações medicamentosas e risco de eventos adversos.

Portanto, o médico deve individualizar duração, monitoramento e necessidade de escalonamento, evitando ciclos repetidos sem reavaliação objetiva de resposta.

Terapias hormonais

Terapias hormonais podem beneficiar pacientes selecionadas, sobretudo quando há piora perimenstrual, sinais de hiperandrogenismo ou coexistência de síndrome dos ovários policísticos. Nesse contexto, contraceptivos combinados e antiandrogênicos podem compor o cuidado, desde que o médico avalie risco trombótico, contraindicações, desejo reprodutivo e perfil clínico.

Além disso, metformina pode ter utilidade em alguns pacientes com resistência insulínica ou componentes metabólicos, embora a decisão deva considerar objetivos clínicos mais amplos.

Casos moderados a graves

Nos casos moderados a graves, nos casos refratários ou nos pacientes com grande impacto funcional, os imunobiológicos assumem papel central.

Fonte: UpToDate, 2026.

Como a via do TNF-alfa participa da inflamação da hidradenite supurativa, bloqueadores dessa via podem reduzir atividade inflamatória, dor, drenagem e surgimento de novas lesões em pacientes adequadamente selecionados. Além disso, novas terapias direcionadas a outras vias inflamatórias ampliam o cenário terapêutico e reforçam a necessidade de acompanhamento especializado.

Ainda assim, o médico deve rastrear infecções, revisar vacinas, monitorar eventos adversos e definir metas realistas antes de iniciar terapia sistêmica avançada.

Cirurgia na hidradenite supurativa

A cirurgia tem papel decisivo em doença com túneis, cicatrizes, abscessos recorrentes localizados ou áreas de destruição tecidual. Incisão e drenagem podem aliviar abscessos agudos, porém raramente oferecem controle duradouro. Por outro lado, procedimentos como deroofing, excisão limitada, excisão ampla e abordagens com laser podem tratar áreas persistentes, remover túneis e reduzir recorrência local. Consequentemente, a integração entre dermatologia e cirurgia melhora resultados, sobretudo quando o tratamento clínico controla inflamação ativa antes e depois do procedimento.

A dor exige abordagem própria. Muitos pacientes convivem com dor inflamatória aguda, dor crônica, hipersensibilidade local e sofrimento relacionado a curativos e drenagem. Portanto, analgésicos, anti-inflamatórios quando indicados, cuidados locais, tratamento da inflamação de base e, em alguns casos, avaliação especializada em dor podem melhorar o cuidado. Além disso, o médico deve reconhecer o impacto psicológico da doença. Hidradenite supurativa frequentemente compromete autoestima, relações sociais, vida íntima e saúde mental. Assim, acolhimento, rastreio de depressão e ansiedade e encaminhamento quando necessário fazem parte do tratamento, não de uma etapa opcional.

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Referências bibliográficas

  • INGRAM, John R. Hidradenitis suppurativa: Management. In: UpToDate. Waltham, MA: UpToDate, 2026. Disponível em: UpToDate. Acesso em: 4 maio 2026.
  • INGRAM, John R. Hidradenitis suppurativa: Pathogenesis, clinical features, and diagnosis. In: UpToDate. Waltham, MA: UpToDate, 2026. Disponível em: UpToDate. Acesso em: 4 maio 2026.

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