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Infecções por HIV aumentam o risco de COVID-19 grave?|Colunistas

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A Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), pórem mais usada em sua sigla em inglês: acquired immunodeficiency syndrome (AIDS), é uma doença do sistema imunológico humano causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV – human immunodeficiency vírus).  Algumas semanas depois da infecção pelo HIV, podem ocorrer sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de garganta e fadiga. A transmissão do HIV se dá através do contato de fluidos corporais, por exemplo, sexo sem proteção, seja oral anal, ou vaginal, compartilhamento de seringas e agulhas, transfusão de sangue contaminado, via vertical ou instrumentos perfurocortantes não esterilizados. É válido destacar que o vírus é transmitido mesmo com indivíduo portador assintomático.

O agente etiológico da aids é o HIV, que pertence à família dos retrovírus humanos (Retroviridae) e à subfamília dos lentivírus. Os retrovírus que comprovadamente causam doença nos seres humanos pertencem a dois grupos distintos: os vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV)-1 e HTLV-2, os quais são retrovírus transformadores, e os vírus da imunodeficiência humana, HIV-1 e HIV-2, que causam efeitos citopáticos diretos ou indiretos.

A doença costuma ser assintomática como dito anteriormente até evoluir para aids, a qual é caracterizado por um conjunto de sintomas desenvolvidos após o portador do vírus adquirir doenças oportunistas. Portanto, no contexto da pandemia do novo Corona vírus, deve-se ter uma análise mais cautelosa e direcionada a pessoas que convivem com HIV/AIDS, examinando as consequências clínicas que a Covid-19 pode acarretar à saúde dessa população imunologicamente vulnerável.

A aids foi reconhecida pela primeira vez nos Estados Unidos no verão de 1981, quando os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) relataram a ocorrência inexplicável de pneumonia por Pneumocystis jiroveci, antes denominado P. carinii, em cinco homossexuais masculinos previamente sadios de Los Angeles e de Sarcomas de Kaposi (SK) com ou sem pneumonia por P. jiroveci e outras infecções oportunistas em 26 homossexuais masculinos também previamente saudáveis de Nova Iorque, São Francisco e Los Angeles. O vírus do HIV foi descoberto em 1983, contudo, até os dias atuais, ainda representa importante problema de saúde pública.

No ano de 2018, havia cerca de 37,9 milhões de pessoas vivendo com HIV, das quais 1 em cada 5 destas, aproximadamente, não conhecem seu estado sorológico. Assim, nesse cenário de pandemia da Covid-19, faz-se necessário o isolamento social,  dificultando  o  acesso  destas  pessoas  aos  serviços  de  saúde,  prejudicando, assim,  o  diagnóstico  de  novos  casos  e  o  acompanhamento  dos  soropositivos. De  acordo  com  dados  da  UNAIDS  de  2020,  15  milhões  de  pessoas  vivem  sem  acesso à Terapia Antirretroviral (TARV), o que pode comprometer, ainda mais, seu sistema imunológico.

Além disso, estudos  epidemiológicos  demonstraram  que  idade  avançada  e  comorbidades  de  saúde  são  fatores  que  aumentam  o  risco  de  severidade  da  infecção  pelo  Covid-19,  podendo ser aplicado para pacientes HIV positivos, que possuem maior suscetibilidade, de  desenvolverem  doenças  crônicas  como  diabetes,  hipertensão,  doenças  crônicas  pulmonares  e  cardiovasculares,  se  comparados  com  indivíduos  não  infectados  da  mesma faixa etária.

Entretanto, outros fatores que possuem grande relevância referente ao quadro clínico do paciente HIV+ é o uso de Terapia Antirretroviral (TARV) prévia e a contagem de células TCD4. A TARV possui um papel fundamental na inibição da multiplicação do vírus HIV no organismo humano, impedindo assim, o abatimento exacerbado do sistema imune. Os  pacientes  que fazem  uso  de  terapia  antirretroviral   previamente a infecção por coronavírus, assim como a contagem de células TCD4 mostra-se superior a 350-400 células/ mm³. Isso evidencia o fato de que grande parte dos pacientes  não  apresenta  imunossupressão  grave,  ou  seja,  quando  a  contagem  de  células  TCD4  decai  abaixo  de  200  células/mm³  de  sangue,  caracterizando o quadro de AIDS.

Uma contagem de células TCD4 abaixo do número de referência (< 500 células/ mm³ de  sangue),  ou  seja,  pacientes  com  imunossupressão,  possuiriam  certa  vantagem  na  progressão  da  infecção  por  SARS-CoV-2.  Isso se deve ao fato de que  não apresentariam  a  liberação  intensa de citocinas pró-inflamatórias, responsáveis pelo agravamento do quadro clínico de pacientes com Covid-19.

Ademais, sobre o quadro clínico foi caracterizado por febre, dispneia e fadiga e segundo a Organização Mundial da Saúde, os sintomas mais comumente apresentados pelos infectados  por  Covid-19  são  febre,  tosse  seca  e  fadiga,  assim  como  os  apresentados  pelos pacientes coinfectados pelo HIV e coronavírus.

Mediante o exposto, é possível perceber que o quadro clínico apresentado pelos pacientes coinfectados por Covid-19 e HIV, se comparado ao de pacientes soronegativos são semelhantes. Dessa forma, não se pode afirmar que infecções por HIV aumentam o risco de COVID-19 grave.

Referências

Harrison, Tinsley Randolph, and Anthony S. Fauci. Principios de medicina interna. No. 616. McGraw-Hill Interamericana,, 2009.

Site do Ministério da saúde do Brasil https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/aids-hiv

ALVES et al. Consequências clínicas da COVID-19 em pessoas com HIV/AIDS: uma revisão integrativa da literatura. R. Saúde Públ. Paraná. 2021 Mar.;4(1):108 http://revista.escoladesaude.pr.gov.br/index.php/rspp/article/view/463/192

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. – Brasília : Ministério da Saúde, 2018.

Ayla Campanha Ramos

@aylaramosc



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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