A obesidade é uma doença crônica considerada, atualmente, como a mais importante desordem nutricional em países desenvolvidos devido ao aumento de sua incidência. Pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde afirmam que 6,8 milhões de brasileiros apresentam obesidade, sendo 70% de predominância entre as mulheres em idade reprodutiva.
A cirurgia bariátrica é uma grande aliada para perda de peso em indivíduos obesos e 50% dos pacientes submetidos a esse procedimento também correspondem a mulheres que estão em fase reprodutiva e, apesar dessa intervenção cirúrgica proporcionar inúmeros benefícios à saúde, ela altera a conformação anatômica e fisiológica do trato digestório.
Isso significa que deficiências nutricionais podem ocorrer periodicamente devido à rotina adotada pelo paciente no pós-operatório, como a redução da ingestão calórica e diminuição da absorção de nutrientes.
Portanto, mulheres em idade fértil que são submetidas à cirurgia bariátrica devem receber orientação médica para programar a gravidez para um período superior ao de 12 a 18 meses após o procedimento cirúrgico, a fim de evitar uma possível gravidez durante o período de rápido emagrecimento.
Deficiências de micronutrientes comumente aumentam após a cirurgia bariátrica e, portanto, podem prejudicar o desenvolvimento do feto de gestantes que se submetem a tal procedimento. Além disso, durante o período gestacional, alterações fisiológicas acontecem no corpo da mulher, como a diminuição do tônus e da motilidade gastrointestinal.
Nesse momento, as alterações nutricionais promovem um desajuste nos valores bioquímicos de referência, causando diminuição de vitaminas hidrossolúveis (complexo B, C) e aumento das lipossolúveis (K, A, D, E), o que pode promover o aumento do índice de massa corporal (IMC) durante o início da gestação.
A carência de vitamina B12 é a deficiência mais frequente em pacientes após a cirurgia bariátrica, principalmente quando a técnica utilizada é restritiva-disabsortiva, que é responsável por evitar ou diminuir a absorção de nutrientes por meio de uma derivação no intestino delgado, reduzindo a área absortiva.
A deficiência desta vitamina no organismo materno pode implicar em defeitos do tubo neural do feto e outras anomalias congênitas, além de elevar as chances de o bebê nascer prematuro, com baixo peso ou colesterol alto.
Dessa forma, é de extrema necessidade que a gestante que já realizou uma cirurgia bariátrica faça acompanhamento nutricional rigoroso com profissionais capacitados, a fim de evidenciar deficiências nutricionais, especialmente de micronutrientes e que, se necessário, receba suplementação com multivitamínicos.