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Hematologia

VHS (Velocidade de hemossedimentação): Interpretação Clínica e Indicações

A velocidade de hemossedimentação (VHS) é um exame laboratorial que mede a taxa de sedimentação das hemácias em plasma anticoagulado em um período padronizado, geralmente uma hora. Avalia indiretamente a presença de proteínas de fase aguda, principalmente fibrinogênio e globulinas, que promovem a agregação eritrocitária e aceleram a sedimentação. Clinicamente relevante como marcador inespecífico de inflamação, infecção ou necrose tecidual, sendo amplamente utilizado na prática médica para triagem, monitoramento de atividade de doenças inflamatórias crônicas e auxílio diagnóstico. É indicado para médicos de todas as especialidades, especialmente reumatologistas, infectologistas e clínicos gerais, em cenários de suspeita de processos inflamatórios sistêmicos. Sinônimos incluem velocidade de sedimentação das hemácias, taxa de sedimentação eritrocitária e ESR (do inglês erythrocyte sedimentation rate).

Revisado pelo time especializado da Sanar

Dados rápidos

Material
Sangue venoso — tubo com citrato de sódio 3,8% (tampa azul) ou EDTA (tampa roxa) conforme método
Resultado em
1–2 horas (método manual de Westergren)
Código TUSS
40322239
Especialidade
Hematologia / Clínica Médica / Reumatologia

Quando solicitar este exame?

  • Investigação de síndrome inflamatória inespecífica com febre de origem indeterminada e astenia prolongada CID R50
  • Monitoramento de atividade de doença em artrite reumatoide estabelecida com avaliação de resposta terapêutica CID M06
  • Avaliação de suspeita de polimialgia reumática em paciente idoso com dor proximal e rigidez matinal CID M35
  • Triagem de arterite de células gigantes em paciente com cefaleia temporal nova e claudicação mandibular CID M31
  • Acompanhamento de resposta ao tratamento em osteomielite crônica ou infecção profunda CID M86
  • Avaliação de atividade de doença em lúpus eritematoso sistêmico com manifestações articulares e cutâneas CID M32
  • Investigação de síndrome paraneoplásica em paciente com emagrecimento não intencional e achados inflamatórios CID R64
  • Monitoramento de doença de Crohn ou colite ulcerativa em atividade moderada a grave CID K50
  • Avaliação de suspeita de endocardite infecciosa em paciente com sopro cardíaco e febre CID I33
  • Triagem de tuberculose pulmonar ativa em paciente com tosse produtiva e sudorese noturna CID A15

Como é feito o exame?

Variáveis pré-analíticas e interferentes

  • Hemólise da amostra — interfere na leitura fotométrica em métodos automatizados, podendo causar resultados falsamente elevados ou reduzidos
  • Coleta inadequada de volume — relação incorreta sangue:anticoagulante no tubo de citrato altera a viscosidade e afeta a sedimentação
  • Tempo excessivo entre coleta e análise — amostra mantida por mais de 4 horas em temperatura ambiente pode ter sedimentação acelerada artificialmente
  • Agitação vigorosa do tubo — pode dispersar agregados eritrocitários formados, resultando em VHS falsamente baixa
  • Posição do tubo durante transporte — inclinação acentuada durante o transporte pode iniciar precocemente a sedimentação, alterando o resultado

Valores de Referência

Valores de referência do VHS (Velocidade de hemossedimentação)
ParâmetroHomensMulheresCriançasUnidade
VHS (método Westergren)≤ 15 mm/h≤ 20 mm/h≤ 10 mm/h (1–14 anos)mm/h

Como interpretar o resultado?

Tabela de interpretação do VHS (Velocidade de hemossedimentação)
AchadoInterpretaçãoPróxima conduta
VHS moderadamente elevada (20–40 mm/h em homens, 30–50 mm/h em mulheres)Sugere processo inflamatório leve a moderado, infecção localizada ou condições crônicas como osteoartrite Correlacionar com quadro clínico e solicitar PCR para confirmação de inflamação ativa
VHS marcadamente elevada (>50 mm/h)Indica processo inflamatório sistêmico significativo, infecção grave, neoplasia ou doença autoimune ativa Investigar com hemograma completo, PCR, perfil reumatológico e imagem conforme suspeita clínica
VHS persistentemente elevada aparentemente sem causa clínicaPode indicar doença oculta como neoplasia hematológica, tuberculose ou arterite de temporal Realizar investigação dirigida com exames de imagem (TC) e biópsia se indicado
VHS normal em paciente com forte suspeita clínica de doença inflamatóriaNão exclui diagnóstico, especialmente em fases iniciais ou em idosos com resposta inflamatória atenuada Solicitar PCR e outros marcadores específicos (autoanticorpos, líquido sinovial) conforme suspeita
VHS elevada com anemia concomitanteSugere anemia de doença crônica ou processo inflamatório sistêmico com supressão medular Avaliar ferro, ferritina e saturação de transferrina para caracterizar o tipo de anemia
VHS reduzida (<1 mm/h)Pode ocorrer em policitemia, insuficiência cardíaca congestiva, hipofibrinogenemia ou uso de corticosteroides Investigar causas com hemograma, coagulograma e avaliação de medicações em uso

Diagnóstico Diferencial

Diagnóstico diferencial para VHS (Velocidade de hemossedimentação)
AlteraçãoHipóteses diagnósticasExames complementaresEspecialidade
VHS >100 mm/hMieloma múltiplo, arterite de temporal, neoplasia metastática, tuberculose miliarEletroforese de proteínas, biópsia de artéria temporal, TC de tórax/abdome, baciloscopiaHematologia / Reumatologia / Infectologia
VHS 50–100 mm/h com artralgiasArtrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, polimialgia reumáticaFator reumatoide, anti-CCP, FAN, anti-DNA, ultrassonografia articularReumatologia
VHS elevada com febre prolongadaEndocardite infecciosa, abscessos profundos, linfoma, doença de StillHemoculturas, ecocardiograma, TC de corpo total, biópsia de linfonodoInfectologia / Hematologia / Clínica Médica
VHS moderadamente elevada com sintomas constitucionaisNeoplasia oculta, tuberculose, hepatite autoimune, doença inflamatória intestinalMarcadores tumorais (CEA, CA 19-9), PPD/IGRA, anticorpos hepáticos, colonoscopiaGastroenterologia / Clínica Médica
VHS normal com forte suspeita inflamatóriaFase muito inicial da doença, uso de anti-inflamatórios, idoso frágil, localização isoladaPCR, ressonância magnética da área sintomática, avaliação de medicaçõesClínica Médica / Especialidade conforme localização

Medicamentos e Interferentes

  • Gestação — eleva fisiológica a partir do 4º mês devido ao aumento de fibrinogênio e globulinas
  • Idade avançada — elevação progressiva relacionada ao aumento basal de proteínas de fase aguda
  • Anemia — acelera a VHS independentemente de inflamação (corrigir com fórmula de Miller)
  • Obesidade mórbida — elevação moderada devido ao estado inflamatório crônico de baixo grau
  • Heparina — pode elevar levemente a VHS por interferência na agregação eritrocitária
  • Contraceptivos orais — elevação discreta devido ao efeito estrogênico sobre proteínas plasmáticas
  • Corticosteroides — reduzem significativamente a VHS por supressão da síntese de proteínas de fase aguda

Contextos Clínicos Especiais

Idoso

Apresenta elevação fisiológica relacionada à idade (regra prática: limite superior = idade/2 para homens, [idade+10]/2 para mulheres). Resposta inflamatória pode estar atenuada, com VHS menos sensível para detectar infecções graves. Maior prevalência de causas neoplásicas e vasculites para VHS muito elevada (>100 mm/h).

Gestante

Elevação fisiológica progressiva a partir do 4º mês, podendo atingir 40-50 mm/h no terceiro trimestre sem significado patológico. Não é um bom marcador para infecções ou inflamações na gestação. PCR mantém melhor desempenho nesta população. Retorna aos valores basais 3-4 semanas pós-parto.

Criança

Valores de referência são menores (≤10 mm/h). Elevações são menos frequentes e quando presentes sugerem doença significativa. VHS >30 mm/h em criança sempre requer investigação. Doença de Kawasaki e artrite idiopática juvenil são causas importantes de elevação nesta faixa etária.

Exames Relacionados

Condicionais Solicitar se...

Condições Clínicas Relacionadas (CID-10)

Perguntas Frequentes

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Diretrizes da SBPC/ML: Boas práticas em hemossedimentação (VHS). 2021.
  2. International Council for Standardization in Haematology (ICSH). Recommendation for measurement of erythrocyte sedimentation rate of human blood. Int J Lab Hematol. 2017;39(5):528-535.
  3. Pepys MB, Hirschfield GM. C-reactive protein: a critical update. J Clin Invest. 2003;111(12):1805-1812.
  4. American College of Rheumatology. 2021 American College of Rheumatology Guideline for the Treatment of Rheumatoid Arthritis. Arthritis Rheumatol. 2021;73(7):1108-1123.
  5. Brigden ML. Clinical utility of the erythrocyte sedimentation rate. Am Fam Physician. 1999;60(5):1443-1450.

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