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Endocrinologia

DHEA-S (Sulfato de deidroepiandrosterona): Interpretação Clínica e Indicações

O DHEA-S (sulfato de deidroepiandrosterona) é um hormônio esteroide androgênico produzido predominantemente pelo córtex adrenal, com pequena contribuição ovariana e testicular. Representa a forma sulfatada e estável do DHEA, sendo o andrógeno circulante mais abundante no organismo. Clinicamente, sua dosagem é fundamental para avaliar a origem adrenal do hiperandrogenismo, diferenciando-o de causas ovarianas, como na síndrome dos ovários policísticos (SOP). O exame é particularmente útil na investigação de hirsutismo, acne grave, alopecia androgênica e irregularidades menstruais em mulheres, além de auxiliar no diagnóstico de tumores adrenais secretores e hiperplasia adrenal congênita (HAC) de início tardio. Também conhecido como dehidroepiandrosterona sulfato, seu perfil metabólico lento (meia-vida de 7-10 horas) e baixa variação diurna o tornam um marcador mais confiável da produção adrenal de andrógenos em comparação ao DHEA livre.

Revisado pelo time especializado da Sanar

Dados rápidos

Material
Sangue venoso — tubo sem anticoagulante (tampa amarela ou vermelha)
Resultado em
24–48 horas (método de quimioluminescência)
Código TUSS
40322237
Especialidade
Endocrinologia / Ginecologia

Quando solicitar este exame?

  • Investigação de hirsutismo de início recente ou progressivo em mulheres, especialmente com padrão masculino (face, tórax, linha alba). CID L68.0
  • Avaliação de acne grave e resistente a tratamentos convencionais em mulheres adultas. CID L70.0
  • Diagnóstico diferencial de alopecia androgênica feminina com sinais de hiperandrogenismo. CID L64.9
  • Suspensão de menstruação (amenorreia) ou ciclos irregulares associados a sinais de virilização. CID N91.2
  • Confirmação de hiperandrogenismo de origem adrenal na síndrome dos ovários policísticos (SOP). CID E28.2
  • Rastreio de hiperplasia adrenal congênita (HAC) não clássica por deficiência de 21-hidroxilase em adultos com sintomas androgênicos. CID E25.0
  • Avaliação de tumores adrenais secretores de andrógenos (adenoma ou carcinoma) em pacientes com virilização rápida. CID C74.0
  • Monitoramento de resposta ao tratamento com glicocorticoides em HAC. CID E25.0
  • Investigação de puberdade precoce em meninos com aumento isolado de andrógenos adrenais. CID E30.1
  • Avaliação de infertilidade feminina com suspeita de distúrbio androgênico. CID N97.9

Como é feito o exame?

Variáveis pré-analíticas e interferentes

  • Hemólise moderada a grave — interfere na leitura espectrofotométrica, podendo causar resultados falsamente elevados ou reduzidos.
  • Lipemia intensa — turbidez interfere na reação antígeno-anticorpo, levando a subestimação dos níveis.
  • Coleta em tubo com EDTA ou heparina — anticoagulantes podem alterar a ligação proteica, invalidando a amostra; usar sempre tubo seco.
  • Exposição prolongada da amostra a temperatura ambiente (>2 horas) — degradação enzimática do DHEA-S, resultando em valores falsamente baixos.
  • Uso de suplementos de DHEA oral — eleva artificialmente os níveis séricos, mascarando a produção endógena; suspender por 4 semanas antes da coleta.

Valores de Referência

Valores de referência do DHEA-S (Sulfato de deidroepiandrosterona)
ParâmetroHomensMulheresCriançasUnidade
DHEA-S80–560 µg/dL35–430 µg/dLPré-puberes: < 100 µg/dL; Puberdade: varia conforme Tannerµg/dL

Como interpretar o resultado?

Tabela de interpretação do DHEA-S (Sulfato de deidroepiandrosterona)
AchadoInterpretaçãoPróxima conduta
DHEA-S > 700 µg/dL em mulheresSugere origem adrenal do hiperandrogenismo, como tumor adrenal secretor ou HAC grave. Solicitar cortisol, 17-OH progesterona e tomografia de adrenal para avaliação de massa.
DHEA-S 430–700 µg/dL em mulheresCompatível com hiperandrogenismo adrenal leve a moderado, como HAC não clássica ou SOP com componente adrenal. Dosar 17-OH progesterona e testosterona livre para confirmação.
DHEA-S < 35 µg/dL em mulheres jovensPode indicar insuficiência adrenal (doença de Addison) ou uso de glicocorticoides supressores. Avaliar cortisol basal e ACTH; investigar sintomas de insuficiência adrenal.
DHEA-S elevado em homens com ginecomastiaSugere produção excessiva de andrógenos adrenais com conversão periférica a estrógenos. Dosar estradiol, testosterona total e livre; realizar USG testicular.
DHEA-S normal com testosterona livre elevada em mulheresIndica origem ovariana do hiperandrogenismo, como SOP típica. Solicitar USG pélvica e LH/FSH para confirmação de SOP.
DHEA-S progressivamente elevado em acompanhamentoPode sugerir crescimento de tumor adrenal ou escape terapêutico em HAC. Repetir imagem de adrenal (TC ou RM) e reavaliar dose de glicocorticoide.

Diagnóstico Diferencial

Diagnóstico diferencial para DHEA-S (Sulfato de deidroepiandrosterona)
AlteraçãoHipóteses diagnósticasExames complementaresEspecialidade
DHEA-S > 700 µg/dL + virilização rápidaTumor adrenal secretor, HAC graveTC adrenal, 17-OH progesterona, cortisolEndocrinologia
DHEA-S 430–700 µg/dL + hirsutismoHAC não clássica, SOP com componente adrenal17-OH progesterona, testosterona livre, USG pélvicaEndocrinologia / Ginecologia
DHEA-S normal + testosterona livre elevadaSOP, tumor ovariano secretorUSG pélvica, LH/FSH, ressonância pélvicaGinecologia
DHEA-S baixo + fadiga crônicaInsuficiência adrenal, hipopituitarismoCortisol basal, ACTH, teste de estimulação com ACTHEndocrinologia
DHEA-S elevado em criança com pubarca precocePubertade precoce adrenal, HACIdade óssea, 17-OH progesterona, USG adrenalEndocrinologia Pediátrica

Medicamentos e Interferentes

  • Corticosteroides (ex: prednisona) — supressão do eixo hipófise-adrenal reduz a produção endógena de DHEA-S.
  • Anticoncepcionais orais — reduzem os níveis de DHEA-S por supressão da produção adrenal e hepática de SHBG.
  • Suplementos de DHEA — elevam artificialmente os níveis séricos, mascarando a produção endógena.
  • Fenitoína — indução enzimática hepática pode aumentar o clearance de DHEA-S, reduzindo os níveis.
  • Obesidade — elevação leve devido ao aumento da atividade da 17,20-liase adrenal e redução do clearance.

Contextos Clínicos Especiais

Gestante

Os níveis de DHEA-S caem progressivamente durante a gestação devido ao aumento da clearance placentária e da atividade da sulfatase placentária. Valores elevados no terceiro trimestre podem sugerir HAC materna não diagnosticada, associada a risco de virilização fetal feminina. Interpretar com cautela e usar valores de referência específicos para gestantes.

Idoso

Redução fisiológica acentuada (declínio de 2% ao ano após os 30 anos). Níveis muito baixos são esperados em idosos e não indicam necessariamente patologia. No entanto, queda abrupta pode sinalizar insuficiência adrenal aguda. Valores elevados em idosos assintomáticos geralmente são benignos, mas requerem investigação se houver sinais de virilização.

Exames Relacionados

Condicionais Solicitar se...

Condições Clínicas Relacionadas (CID-10)

Perguntas Frequentes

Referências

  1. Endocrine Society. Diagnosis and Treatment of Hyperandrogenism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1-30. 10.1210/jc.2017-02457
  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Hiperandrogenismo: diagnóstico e tratamento. Diretrizes SBEM 2020.
  3. Azziz R, Carmina E, Dewailly D, et al. The Androgen Excess and PCOS Society criteria for the polycystic ovary syndrome: the complete task force report. Fertil Steril. 2009;91(2):456-88. 10.1016/j.fertnstert.2008.06.035
  4. Fiet J, Gueux B, Gourmel B, et al. Comparison of basal and adrenocorticotropin-stimulated plasma 21-deoxycortisol and 17-hydroxyprogesterone values as biological markers of late-onset adrenal hyperplasia. J Clin Endocrinol Metab. 1988;66(4):659-67. 10.1210/jcem-66-4-659

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