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Doença diarreica – aspectos importantes | Colunistas

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Definição

Doença diarreica aguda é causada por diferentes agentes etiológicos, podendo esses ser bactérias, vírus ou parasitas, na qual há um aumento do número de evacuações (mais de três vezes ao dia), cujas fezes apresentam-se aquosas ou com pouca consistência. O quadro dura de 2 a 14 dias, tendendo a ser autolimitado.

Etiologia

No Brasil, cerca de 20% dos episódios de diarreia são ocasionados por Escherichia coli, 20% por Rotavírus, 15 a 20% por Campylobacter e 5 a 10% por Shigella-Salmonella. Hodiernamente, há muitos estudos voltados para o rotavírus, uma vez que é um agente etiológico frequentemente associado aos quadros de diarreia tanto em países desenvolvidos, quanto naqueles em desenvolvimento.

Com a vacina para o rotavírus, tem-se em vista uma redução da incidência da doença diarreica e das suas complicações.

Transmissibilidade

As síndromes diarreicas estão intimamente ligadas com a transmissão de seus agentes infecciosos por meio do ciclo fecal-oral, havendo um predomínio em cenários com saneamento precário e sem o fornecimento de água tratada. Os agentes causadores de diarreia, no geral, são veiculados  em alimentos contaminados e/ou na água. Salienta-se que a Giardia e a Entamoeba também podem ser transmitidas de pessoa para pessoa.

Síndromes clínicas

A efetiva coleta de dados e um bom exame físico são fundamentais para o correto diagnóstico, corroborando para o manejo da doença ambulatorialmente.

A presença de sangue e muco nas fezes, podendo ou não, estar acompanhados de náuseas, vômitos, febre e dor abdominal, podem ser manifestações clínicas envolvidas nos quadros de doença diarreica aguda.

Diarreia aquosa aguda

Ocorre quando há uma perda de grande quantidade de água durante as evacuações, assim há uma alteração na consistência das fezes, podendo instalar-se um quadro de desidratação. 

Na diarreia aquosa aguda, ocorre uma secreção ativa de água e de eletrólitos da corrente sanguínea para o lúmen intestinal, devido à ação de algumas substâncias corporais ou por toxinas bacterianas. Algumas bactérias que podem desencadear esse quadro são: Vibrio cholerae, E. coli e Clostridium perfringens. Já entre os vírus cita-se o rotavírus e o Norwalk.

Disenteria aguda

Nesse caso, as fezes podem apresentar sangue, muco e/ou pus, o que sugere inflamação ou infecção do intestino. O paciente tem sintomas gerais, como febre e também locais, tais como cólicas e tenesmo. Há um risco maior de complicações extra-intestinais, como sepse. As síndromes desintéricas podem ser desencadeadas por Shigella sp, Yersinia enterocolitica, Entamoeba sp, G. lamblia e Cryptosporidium.

Diarreia persistente

Trata-se de episódios de diarreia presumidamente de origem infecciosa, com início agudo, porém possui uma duração mais prolongada que o usual. A etiologia pode ser infecção continuada por um agente infeccioso como G. lamblia, o qual causa danos nas vilosidades intestinais, ou por regeneração inadequada dos enterócitos naqueles pacientes com desnutrição crônica.

O déficit na absorção intestinal de macro e micronutrientes é diretamente proporcional à extensão do dano na mucosa.

Diarreia crônica

É a diarreia que tem uma duração superior a 30 dias. Em países em desenvolvimento, a diarreia crônica é associada com infecções entéricas repetidas e desnutrição. Já nos países desenvolvidos, possui um caráter de indução por doenças específicas que provocam má digestão e má absorção.

Abordagem e manejo

Uma correta anamnese permite estimar as diferentes síndromes ou apontar possíveis diagnósticos diferenciais. Manifestações como náuseas e vômitos são inespecíficas, as quais podem estar relacionadas a uma infecção aguda, sistêmica ou, até mesmo, uma obstrução intestinal. Além disso, a história possibilita avaliar a gravidade dos sintomas e o risco de complicações. Precisa ser considerado o relato sobre as características das fezes, a presença de febre e de náuseas e/ou vômitos.

No exame físico deve ser avaliado os sinais clínicos de desidratação, a fim de que possa ser feita a intervenção rápida e eficaz. Os sinais que mais se correlacionam com o grau de desidratação são: sinal da dobra cutânea, alteração do estado mental, olhos fundos e mucosa oral seca. No caso de desidratação moderada e grave o paciente pode apresentar diminuição da perfusão periférica, respiração profunda e diminuição do turgor cutâneo.

Terapia de Reidratação Oral (TRO)

É a primeira escolha no tratamento de desidratação secundária à gastroenterite.

   Fonte: Ministério da Saúde
 Fonte: Ministério da Saúde

Medicamentos

Utilizados como adjuvantes no manejo da doença diarreica aguda, os principais medicamentos são sintomáticos, probióticos e prebióticos, antimicrobianos e micronutrientes. Já os analgésicos comuns são úteis como antitérmicos, proporcionando uma melhora do mal-estar relacionado com a febre.

Sintomáticos

  • Antieméticos: efetivos em crianças em terapia de reidratação oral; atentar para o uso de metoclopramida, em virtude de seus efeitos adversos de sedação e reação extrapiramidal. Recomenda-se a prescrição de ondansetron por sua maior segurança e benefício. Apesar dos benefícios relatados, os antieméticos devem ficar reservados para situações em que há vômitos intensos, os quais podem levar o paciente à desidratação.
  • Antiperistálticos: para o alívio sintomático da diarreia aguda em adultos, pode-se usar a loperamida, contudo, seu uso não é recomendado para lactentes e crianças pequenas, haja vista os eventos adversos graves de letargia e até o óbito.
  • Antissecretores: o racecadotril atua na redução da hipersecreção de água e eletrólitos. Possui um efeito relevante na redução da diarreia quando associado à TRO.

Antimicrobianos

Os antibióticos não devem ser prescritos de forma empírica, tendo em vista que na grande maioria das vezes a diarreia aguda possui como agente causador, os vírus. Desta forma, devem ser reservados para as infecções bacterianas ou parasitárias, a fim de evitar o aumento de resistência.

Em casos de diarreia provocada por Shigella, na salmonelose em imunodeprimidos, na suspeita de sepse e nas infecções por G. lamblia e Entamoeba histolytica, recomenda-se o uso de antimicrobianos.

Probióticos e prebióticos

Os probióticos são microrganismos vivos (bactérias ou fungos), os quais são capazes de colonizar o trato digestivo, exercendo benefícios no hospedeiro. Na diarreia aguda, os probióticos reduzem a frequência diária de evacuações.

Os prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que atuam estimulando o crescimento e a atividade bacteriana no cólon intestinal.

Dieta

Não há contraindicação quanto à interrupção da alimentação na diarreia aguda. A manutenção da amamentação tem efeito benéfico na diarreia aguda provocada pelo rotavírus, com redução da frequência e do volume das fezes diarreicas.

Na diarreia persistente, deve-se prevenir ou manejar a desidratação, utilizando antimicrobianos nas infecções diagnosticadas, oferecer dieta que não agrave a diarreia e suplementar vitaminas e minerais.

Prevenção

As medidas preventivas possuem o intuito de reduzir a transmissão dos agentes patogênicos, reduzindo os episódios diarreicos e, assim, conservar o estado nutricional da criança e diminuindo a mortalidade. Dentre as medidas de prevenção que possuem impacto comprovado, estão: estímulo ao aleitamento materno, estímulo à alimentação complementar saudável iniciada em tempo oportuno, cuidados com a higiene e vacinação.

Autor: Liamara F. Scrovonski

Instagram: https://www.instagram.com/liamara_scrovonski/

Referências

  1. Duncan, Bruce B, et al. Medicina Ambulatorial : Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. Porto Alegre, Artmed, 2004.
  2. Ministério da Saúde (Brasil). Manejo do paciente com diarreia. Brasília, DF, 1 pdf. 1 f. Disponível: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/cartazes/manejo_paciente_diarreia_cartaz.pdf.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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