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Coagulopatias no paciente crítico: como manejar?

coagulopatias em paciente crítico

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Entenda tudo sobre as coagulopatias no paciente crítico, diagnósticos diferenciais e como manejá-las da melhor forma possível. Bons estudos!

As coagulopatias são condições muito comuns no ambiente de terapia intensiva. Saber conduzi-los é fundamental para o médico intensivista. Por isso, se familiarize com as principais condições relacionadas a essa patologia.

Fisiopatologia das coagulopatias no paciente crítico: causas e mecanismos

A fisiopatologia das coagulopatias no paciente crítico envolve uma série de mecanismos complexos.

Nesses pacientes, a disfunção da coagulação pode resultar de várias condições subjacentes, incluindo inflamação sistêmica, resposta de fase aguda, desordens hepáticas, uso de medicamentos e disfunção endotelial.

Esses fatores contribuem para um desequilíbrio no sistema hemostático, levando a uma resposta pró-trombótica ou pró-hemorrágica desregulada.

A inflamação sistêmica desempenha um papel central na fisiopatologia das coagulopatias no paciente crítico. Algumas condições como sepse ou trauma pode ativar a cascata de coagulação. Plaquetas e fatores de coagulação, nesses casos, são ativados por citocinas pró-inflamatórias. Como exemplo, temos o TNF-alfa e a interleucina-6 (IL-6).

Além disso, a resposta de fase aguda, com o aumento da produção de proteínas de fase aguda, como a proteína C reativa (PCR) e o fibrinogênio, pode levar a alterações na cascata de coagulação.

O paciente crítico muitas vezes tem um perfil inflamatório ou hipoperfundido. Esses fatores favorecem disfunção endotelial, que é essencial na regulação do equilíbrio hemostático. Como resultado disso, a expressão de moléculas anticoagulantes pode ser alterada, como a prostaciclina, promovendo ativação da cascata de coagulação.

Ainda, o uso de alguns medicamentos, como a heparina e antiplaquetários podem afetar a função plaquetária.

Testes laboratoriais na avaliação das coagulopatias no paciente crítico

Os testes para a avaliação de coagulabilidade são diversos. Esses testes colaboram muito para o fornecimento de informações sobre função da coagulação e diagnósticos.

O tempo de protrombina (TP) avalia a via extrínseca da cascata de coagulação. Dessa forma, ele avalia o tempo necessário para que um coágulo seja formado, após a adição de tromboplastina tecidual e cálcio. Para que esses resultados possam ser comparados, temos o índice internacional normalizado (INR).

Outro teste importante é o tempo de tromboplastina parcial ativada, conhecido como TTPa. Nele, a atividade dos fatores de coagulação VIII, IX, XII são avaliados, entendendo sua efetividade no momento.

Ainda, a contagem de plaquetas, normalmente solicitado, é outro dado basal considerado pelos médicos. Sendo a quantidade de plaquetas considerada baixa, normalmente < 250.000 em adultos, temos o aumento do risco de sangramento.

Diagnóstico diferencial das coagulopatias: existe mimetismo?

Entender a etiologia da coagulopatia no paciente crítico está intimamente relacionada ao seu diagnóstico. Somente assim é possível fornecer um tratamento adequado.

Um dos diagnósticos diferenciais é a trombocitopenia induzida por heparina (HIT). Essa é uma condição em que as plaquetas sofrem uma queda importante, devido à reação imunológica ao uso da heparina.

Outra condição que pode levar à coagulopatias e deve ser diagnosticada é a deficiência de vitamina K. Nesse quadro, os fatores de coagulação são menos sintetizados, já que dependem da vitamina K para tal. Os pacientes com má absorção e distúrbios hepáticos merecem ter esse diagnóstico feito com brevidade.

A coagulação intravascular disseminada (CIVD), ainda, é uma condição em que ocorre a formação disseminada de trombos. Como resultado, tem-se o consumo de fatores de coagulação. A CIVD pode ser mimetizada por outras condições, como sepse grave ou embolia pulmonar.

Um caso que tornou a CIVD mais conhecida foi o de Romana Novais, esposa do DJ Alok. Devido a uma infecção por COVID-19, uma trombose maciça foi ocasionada, tendo o deslocamento prematuro de placenta como desfecho.

coagulopatias no paciente crítico

Coagulopatia associada à sepse no paciente crítico

Essa é uma complicação comum e muito grave em pacientes críticos: sepse associada à coagulopatia.

Como comentamos, a sepse é uma doença de alta resposta inflamatória (irregulada). Além de ocasionar a disfunção de diversos órgãos, repercute igualmente no sistema de coagulação. Assim, temos uma hipercoagulabilidade, com a formação de trombos e aumento de gravidade.

O diagnóstico desse quadro leva em conta a monitorização pelos testes laboratoriais que comentamos: TP, TTPa e contagem de plaquetas. Ainda, solicitar fibrinogênio e D-dímero é importante. Como alteração, teremos o TP e TTPa prolongados, e D-dímero alterado também é frequente.

Tratar a sepse é fundamental para a resolução da coagulopatia, controlando a fonte da infecção. A administração de antitrombina III recombinante humana, proteína C ativada e concentrados de plaquetas pode ser considerada em casos selecionados.

Terapia de reposição de plaquetas e plasma no paciente crítico

A terapia de reposição de plaquetas e plasma são muito utilizadas para corrigir deficiências ou disfunções dos componentes de coagulação.

Nem todos os casos recomendam a reposição plaquetária. Geralmente, essa decisão é tomada em casos de contagem de plaquetas inferior a 50.000/mm³, o que é um valor baixo. Esse quadro é comum em pacientes críticos, com sepse ou insuficiência hepática.

No caso da reposição plasmática, é comum que se utilize o plasma fresco congelado (PFC). Nele, temos fatores de coagulação incluindo fibrinogênio, fatores II, V, VII, VIII, IX, X, XI e XIII, além de proteínas anticoagulantes, como antitrombina III e proteína C.

A indicação para a reposição plasmática é a de deficiências dos fatores de coagulação, hemofilia adquirida ou deficiência da vitamina K.

Embora as duas alternativas representem um papel importante no manejo de coagulopatias, mas a indicação deve ser muito bem avaliada.

A abordagem mais individualizada tem se tornado uma tendência nos últimos anos, como forma de evitar transfusões desnecessárias. A tromoelastrografia (TEG) ou a tromboelastometria (ROTEM) podem fornecer informações detalhadas sobre a coagulação do paciente em tempo real. Com isso, vemos a real necessidade e do quanto se deve transfundir.

Utilização de anticoagulantes no paciente crítico com coagulopatia

Assim como as reposições plaquetárias e plasmáticas devem ser realizadas após cuidadosa análise, assim deve ser feito com a utilização de anticoaugulantes em pacientes críticos.

Em se tratando de coagulopatias, o risco de sangramento é tão grande quanto o de formação de trombos. O uso de anticoagulantes visa equilibrar esses riscos, prevenindo outras condições, como trombose.

As situações que recomendam o uso de anticoagulantes são:

  • Profilaxia de trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP);
  • Tratamento de trombose venosa e arterial;
  • Terapia de suporte em casos de coagulopatia grave.

A TVP e o TEP são duas condições suscetíveis no paciente crítico, especialmente devido à imobilidade, lesões traumáticas. cirurgias prolongadas e outras condições.

No caso de trombose venosa e arterial, sempre deve ser uma suspeita forte e motivo de alerta para pacientes críticos. Nesses casos, o uso de anticoagulantes, como HBPM, HNF ou anticoagulantes orais diretos (DOACs), é indicado para prevenir a progressão da trombose e reduzir o risco de eventos tromboembólicos recorrentes.

A coagulopatia grave, por sua vez, é muito vista associada à sepse. Por isso, a terapia com anticoagulantes pode ser considerada como parte do suporte hemostático. Ela pode ser feita por meio da administração de antitrombina III recombinante humana, proteína C ativada ou heparina.

Estratégias de prevenção de coagulopatias no paciente crítico

Algumas causas de coagulopatias são puramente sistêmicas, mas algumas podem ser evitadas. Para entendermos como adotar protocolos futuros e melhores a fim de evitar tais quadros, podemos citar algumas medidas interessantes.

A mobilização precoce do paciente crítico internado é importante, uma vez que essa imobilidade é fator de risco para coagulopatias. A mobilização inclui mudanças de posição, exercícios passivos e ativos e deambulação precoce. Naturalmente, essa medida só deve ser adotada se clinicamente viável.

A monitorização regular de distúrbios de coagulação é essencial, a fim de identificar e corrigi-los o mais brevemente possível. Essa monitorização pode ser feita com os testes laboratoriais já mencionados.

A terapia transfusional pode ser necessária em pacientes críticos com coagulopatia, mas é importante evitar transfusões desnecessárias. A terapia transfusional deve ser baseada em critérios clínicos e laboratoriais, levando em consideração o risco de sangramento, a presença de sintomas clínicos de deficiências de coagulação e a resposta individual do paciente à terapia. Por isso, deve-se evitá-la de forma excessiva.

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Perguntas frequentes

  1. Quais são algumas das causas comuns de coagulopatias no paciente crítico?
    Inflamação sistêmica, resposta de fase aguda, desordens hepáticas, disfunção endotelial e uso de medicamentos.
  2. Quais são os principais testes laboratoriais usados na avaliação de coagulopatias no paciente crítico?
    Tempo de Protrombina (TP), Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa), contagem de plaquetas e dosagem de D-dímero.
  3. O que é a tromboelastografia (TEG) ou tromboelastometria (ROTEM)?
    São testes avançados que fornecem informações detalhadas sobre a coagulação e a capacidade de formação de coágulos em tempo real.

Referências

  1. Massive blood transfusion. John R Hess, MD, MPH. UpToDate
  2. Overview of initiating invasive mechanical ventilation in adults in the intensive care unit. Robert C Hyzy, MD. UpToDate
  3. Coagulopathy in trauma patients. Matthew E Kutcher, MD, MS, FACS. UpToDate

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