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CID O14: Hipertensão gestacional [induzida pela gravidez] com proteinúria significativa

O140
Pré-eclâmpsia moderada
O141
Pré-eclâmpsia grave
O149
Pré-eclâmpsia não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada pelo desenvolvimento de hipertensão arterial (pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg) após 20 semanas de gestação em mulheres previamente normotensas, associada à proteinúria significativa (≥ 300 mg em 24 horas ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3). É uma das principais causas de morbimortalidade materna e fetal globalmente, com incidência estimada em 3-5% das gestações. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, com vasoespasmo, ativação plaquetária e alterações na perfusão placentária, resultando em hipóxia tecidual. A condição pode evoluir para formas graves, incluindo a eclâmpsia (convulsões) e a síndrome HELLP (hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia), representando uma emergência obstétrica.

Descrição clínica

A pré-eclâmpsia manifesta-se clinicamente por hipertensão arterial de novo após 20 semanas de gestação, frequentemente acompanhada de proteinúria. Os sintomas podem incluir cefaleia persistente, distúrbios visuais (como escotomas ou fotopsia), dor epigástrica ou no quadrante superior direito do abdome, edema generalizado (especialmente em face e mãos), e ganho de peso rápido devido à retenção hídrica. Em casos graves, podem ocorrer sinais de comprometimento de órgãos-alvo, como insuficiência renal aguda, alterações hepáticas, ou complicações neurológicas. A condição é progressiva e pode levar a desfechos adversos maternos e fetais, incluindo restrição de crescimento intrauterino, descolamento prematuro de placenta e parto prematuro.

Quadro clínico

O quadro clínico da pré-eclâmpsia varia de formas leves a graves. Na forma leve, a hipertensão e proteinúria podem ser assintomáticas. Na forma grave (definida por pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, proteinúria maciça >5 g/24h, ou sinais de disfunção orgânica), os sintomas incluem cefaleia intensa e refratária, alterações visuais (visão turva, escotomas), dor abdominal superior (sugestiva de envolvimento hepático), dispneia (por edema pulmonar), oligúria e edema generalizado. Sinais de alarme para progressão incluem hiperreflexia com clônus, plaquetopenia, elevação de transaminases e creatinina sérica. A eclâmpsia, caracterizada por convulsões tonico-clônicas, pode ocorrer sem aviso prévio. O feto pode apresentar redução dos movimentos, restrição de crescimento ao ultrassom e alterações na cardiotocografia.

Complicações possíveis

Eclâmpsia

Convulsões tonico-clônicas em gestante com pré-eclâmpsia, podendo levar a edema cerebral, hemorragia intracraniana e morte materna.

Síndrome HELLP

Hemólise microangiopática, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, associada a alto risco de insuficiência hepatorrenal e coagulopatia.

Descolamento prematuro de placenta

Separação precoce da placenta, causando hemorragia, sofrimento fetal agudo e aumento da mortalidade perinatal.

Insuficiência renal aguda

Comprometimento da função renal devido à necrose tubular aguda ou glomeruloendotelose, necessitando de suporte dialítico em casos graves.

Edema agudo de pulmão

Acúmulo de líquido nos alvéolos por disfunção cardíaca ou aumento da permeabilidade capilar, levando a insuficiência respiratória.

Acidente vascular encefálico

Hemorragia ou isquemia cerebral secundária à hipertensão maligna, com risco de sequelas neurológicas ou óbito.

Restrição de crescimento intrauterino

Comprometimento do fluxo placentário resultando em crescimento fetal inadequado, aumentando a morbimortalidade neonatal.

Parto prematuro

Interrupção da gestação antes de 37 semanas para controle materno, associada a complicações neonatais como síndrome do desconforto respiratório.

Epidemiologia

A pré-eclâmpsia afeta aproximadamente 3-5% das gestações globalmente, com variações regionais (mais alta em países de baixa renda). É uma das principais causas de morte materna, responsável por cerca de 10-15% dos óbitos maternos diretos mundialmente. Fatores de risco incluem nuliparidade, idade materna extrema (35 anos), obesidade (IMC >30), história familiar ou pessoal de pré-eclâmpsia, gestação múltipla, doenças crônicas (hipertensão, diabetes, doença renal) e técnicas de reprodução assistida. A incidência é maior em populações afrodescendentes. A forma precoce (<34 semanas) está associada a piores desfechos e representa 10-20% dos casos. No Brasil, estima-se que ocorra em 5-7% das gestações, com significante impacto na saúde pública.

Prognóstico

O prognóstico da pré-eclâmpsia depende da gravidade, idade gestacional ao diagnóstico e adesão ao tratamento. Com manejo adequado, a maioria das gestantes tem desfecho materno favorável, mas há risco aumentado de complicações cardiovasculares a longo prazo, como hipertensão crônica e doença cardíaca. O prognóstico fetal é influenciado pela prematuridade e restrição de crescimento; a mortalidade perinatal pode chegar a 10-20% em casos graves. A resolução ocorre tipicamente após o parto, com normalização da pressão arterial e função renal em semanas, porém até 25% das mulheres podem desenvolver hipertensão persistente. A recorrência em gestações futuras é de 15-20%, maior em formas precoces ou graves.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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