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CID O13: Hipertensão gestacional [induzida pela gravidez] sem proteinúria significativa
O13
Hipertensão gestacional [induzida pela gravidez] sem proteinúria significativa
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hipertensão gestacional (O13) é definida como o desenvolvimento de hipertensão arterial (pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg) após 20 semanas de gestação, na ausência de proteinúria significativa (≤ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina < 0,3) e sem evidências de disfunção orgânica. Esta condição é distinta da pré-eclâmpsia, que inclui proteinúria ou sinais de comprometimento multissistêmico. A hipertensão gestacional pode ser transitória, resolvendo no pós-parto, ou evoluir para pré-eclâmpsia em cerca de 15-25% dos casos, exigindo monitorização rigorosa. Sua incidência varia de 6% a 10% das gestações, sendo mais comum em primigestas, gestantes com idade avançada, obesidade ou histórico familiar. O impacto clínico inclui aumento do risco de restrição de crescimento fetal, parto prematuro iatrogênico e complicações cardiovasculares maternas a longo prazo.
Descrição clínica
A hipertensão gestacional caracteriza-se pelo surgimento de hipertensão arterial após a 20ª semana de gestação, sem proteinúria ou sinais de envolvimento de outros órgãos. Clinicamente, pode ser assintomática ou apresentar cefaleia, visão turva ou edema periférico, embora estes sintomas sejam mais sugestivos de pré-eclâmpsia. A pressão arterial deve ser medida adequadamente, com o paciente em repouso, e confirmada em duas ocasiões com intervalo de pelo menos 4 horas. A condição pode ser classificada como leve (140-159/90-109 mmHg) ou grave (≥ 160/110 mmHg), influenciando a conduta. A monitorização fetal é essencial devido ao risco de comprometimento do fluxo placentário.
Quadro clínico
O quadro clínico é dominado pela elevação da pressão arterial, geralmente detectada em consultas de rotina. Sintomas como cefaleia, escotomas visuais, dor epigástrica ou edema súbito são raros e, se presentes, sugerem progressão para pré-eclâmpsia. Exame físico pode revelar edema de membros inferiores, mas este é inespecífico na gestação. A ausculta cardíaca e pulmonar geralmente é normal. A avaliação fetal pode mostrar restrição de crescimento intrauterino em casos graves. A hipertensão pode ser isolada ou associada a ganho ponderal excessivo.
Complicações possíveis
Progressão para pré-eclâmpsia
Ocorre em 15-25% dos casos, com risco aumentado de eclâmpsia, síndrome HELLP e insuficiência orgânica.
Restrição de crescimento fetal
Redução do fluxo placentário pode levar a baixo peso ao nascer e complicações neonatais.
Descolamento prematuro de placenta
Hipertensão grave aumenta o risco de abruptio placentae, com hemorragia e sofrimento fetal.
Parto prematuro iatrogênico
Indicação de parto antecipado devido ao controle inadequado da pressão arterial ou comprometimento fetal.
Complicações cardiovasculares maternas a longo prazo
Aumento do risco de hipertensão crônica, doença cardiovascular e acidente vascular cerebral no futuro.
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A hipertensão gestacional afeta aproximadamente 6-10% de todas as gestações, variando conforme a população. É mais prevalente em primigestas (risco 2-3 vezes maior), gestantes com idade >35 anos, obesidade (IMC >30), história familiar e em gestações múltiplas. A incidência é maior em populações com acesso limitado ao pré-natal. Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) no Brasil mostram que transtornos hipertensivos complicam cerca de 7% das gestações, contribuindo para morbimortalidade materna e perinatal.
Prognóstico
O prognóstico da hipertensão gestacional é geralmente bom se adequadamente monitorada e tratada. A maioria dos casos resolve no pós-parto (dentro de 6-12 semanas), mas há risco de recorrência em gestações futuras (15-20%). Cerca de 15-25% evoluem para pré-eclâmpsia, piorando o prognóstico. Complicações fetais, como restrição de crescimento, podem ocorrer em 10-15% dos casos. O manejo rigoroso reduz significativamente a morbimortalidade materna e fetal. A longo prazo, há aumento do risco cardiovascular, necessitando acompanhamento pós-parto.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se nas diretrizes da American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO): 1) Pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg, medida em duas ocasiões com intervalo mínimo de 4 horas, após 20 semanas de gestação; 2) Ausência de proteinúria significativa (definida como < 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina < 0,3); 3) Ausência de sinais de disfunção orgânica (e.g., trombocitopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal, edema pulmonar, alterações visuais ou cerebrais). O diagnóstico é de exclusão, necessitando descartar hipertensão crônica e pré-eclâmpsia.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Pré-eclâmpsia
Caracteriza-se por hipertensão associada a proteinúria significativa (≥ 300 mg/24h) ou sinais de disfunção orgânica, como trombocitopenia, elevação de transaminases, ou sintomas graves (cefaleia, dor epigástrica).
ACOG Practice Bulletin No. 222: Gestational Hypertension and Preeclampsia. Obstet Gynecol. 2020;135(6):e237-e260.
Hipertensão arterial crônica
Hipertensão presente antes da gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas, podendo ser agravada pela gestação, mas sem o componente placentário agudo.
Williams Obstetrics, 25th Edition. McGraw-Hill Education, 2018.
Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica
Pacientes com hipertensão crônica que desenvolvem proteinúria nova ou agravamento significativo da hipertensão após 20 semanas, com sinais de disfunção orgânica.
FIGO Guidelines: The classification, diagnosis and management of the hypertensive disorders of pregnancy. Pregnancy Hypertens. 2019;18:100-105.
Síndrome HELLP
Variante grave da pré-eclâmpsia com hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, mesmo na ausência de hipertensão significativa.
Sibai BM. Diagnosis, controversies, and management of the syndrome of hemolysis, elevated liver enzymes, and low platelet count. Obstet Gynecol. 2004;103(5 Pt 1):981-991.
Doença renal crônica
Pode causar hipertensão e proteinúria, mas geralmente há histórico pré-gestacional e alterações laboratoriais persistentes.
KDIGO Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Int Suppl. 2013;3(1):1-150.
Exames recomendados
Medição da pressão arterial
Aferição em repouso, com manguito adequado, em duas ocasiões para confirmação.
Confirmar o diagnóstico de hipertensão e classificar a gravidade.
Exame de urina (proteinúria)
Dosagem de proteína em urina de 24 horas ou relação proteína/creatinina em amostra isolada.
Excluir proteinúria significativa, diferenciando de pré-eclâmpsia.
Hemograma completo
Inclui contagem de plaquetas e hemácias.
Avaliar para trombocitopenia ou anemia, indicativos de complicações.
Perfil hepático e renal
Dosagem de AST, ALT, creatinina e ácido úrico.
Detectar disfunção hepática ou renal, sugerindo pré-eclâmpsia.
Ultrassonografia obstétrica com Doppler
Avaliação do crescimento fetal, volume de líquido amniótico e Doppler das artérias uterinas.
Monitorar bem-estar fetal e detectar restrição de crescimento.
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Início precoce e acompanhamento regular para detecção e manejo precoce de fatores de risco.
Controle de peso
Manutenção de IMC adequado antes e durante a gestação, com orientação nutricional.
Suplementação com cálcio
Em populações com baixa ingestão, a suplementação pode reduzir o risco de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia.
Aspirina em baixa dose
Indicada para gestantes de alto risco (e.g., história prévia de pré-eclâmpsia) a partir do primeiro trimestre, sob orientação médica.
Vigilância e notificação
No Brasil, a hipertensão gestacional é de notificação compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) quando associada a complicações graves, como pré-eclâmpsia ou óbito materno. A vigilância inclui monitoramento contínuo durante o pré-natal, com registro de pressão arterial, exames laboratoriais e avaliação fetal. Diretrizes do Ministério da Saúde recomendam a notificação de casos que evoluam com internação ou intercorrências, visando a redução da mortalidade materna. Profissionais de saúde devem seguir protocolos baseados em evidências para detecção precoce e intervenção.
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Não, apenas 15-25% dos casos evoluem para pré-eclâmpsia. A maioria se resolve no pós-parto, mas o monitoramento rigoroso é essencial para detecção precoce de progressão.
O parto é geralmente planejado a termo (37-40 semanas), mas pode ser antecipado se houver controle inadequado da pressão, restrição de crescimento fetal ou sinais de pré-eclâmpsia, visando minimizar riscos maternos e fetais.
Sim, o risco de recorrência é de 15-20%, e há aumento da probabilidade de desenvolver hipertensão crônica ou pré-eclâmpsia em gestações subsequentes, necessitando pré-natal especializado.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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