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CID B73: Oncocercose
B73
Oncocercose
Mais informações sobre o tema:
Definição
A oncocercose, também conhecida como 'cegueira dos rios', é uma doença parasitária crônica causada pelo nematódeo Onchocerca volvulus, transmitida pela picada de mosquitos do gênero Simulium (borrachudos). A infecção caracteriza-se pela formação de nódulos subcutâneos contendo vermes adultos, que produzem microfilárias que migram para a pele, olhos e outros tecidos, desencadeando reações inflamatórias intensas. A principal complicação é a cegueira irreversível devido à ceratite esclerosante e outras lesões oculares, tornando-a a segunda principal causa infecciosa de cegueira no mundo. A doença é endêmica em regiões tropicais da África, América Latina e Iêmen, com impacto significativo na saúde pública, especialmente em comunidades ribeirinhas, onde a transmissão é facilitada pela proximidade com rios de fluxo rápido, habitat preferencial dos vetores.
Descrição clínica
A oncocercose manifesta-se principalmente por lesões cutâneas e oculares. As manifestações cutâneas incluem prurido intenso, dermatite papular, liquenificação, atrofia e despigmentação da pele ('pele de leopardo'). Nódulos subcutâneos (onchocercomas) palpáveis, geralmente localizados sobre proeminências ósseas, abrigam os vermes adultos. As complicações oculares variam de conjuntivite e fotofobia a ceratite punctata, iridociclite, coriorretinite e atrofia do nervo óptico, podendo evoluir para cegueira. A doença pode ser classificada em formas generalizada (com microfilárias disseminadas) e sowda (forma localizada hiperreativa com poucas microfilárias). A carga parasitária correlaciona-se com a gravidade dos sintomas.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui prurido cutâneo intenso e persistente, erupções papulares, nódulos subcutâneos firmes e indolores (onchocercomas), localizados comumente na região pélvica, costelas, cabeça e membros. Alterações cutâneas crônicas como atrofia, liquenificação e despigmentação em 'pele de leopardo' são frequentes. Sintomas oculares progressivos: fotofobia, lacrimejamento, ceratite punctata (opacidades corneanas), iridociclite, glaucoma, coriorretinite e atrofia óptica, culminando em cegueira. Em crianças, pode haver retardo do crescimento e desenvolvimento. A forma sowda apresenta linfadenopatia regional, dermatite escurecida e prurido localizado, com poucas microfilárias na pele.
Complicações possíveis
Cegueira irreversível
Resulta de ceratite esclerosante, uveíte crônica, coriorretinite ou atrofia do nervo óptico; principal causa de incapacidade.
Dermatite crônica e desfiguração
Atrofia cutânea, liquenificação e despigmentação ('pele de leopardo'), levando a estigma social e redução da qualidade de vida.
Linfadenopatia e elefantíase
Rara, mas pode ocorrer linfedema em regiões inguinais ou axilares devido à obstrução linfática por reações inflamatórias.
Reações de Mazzotti graves
Exacerbação inflamatória sistêmica após tratamento com ivermectina em indivíduos com alta carga de microfilárias, podendo incluir edema, hipotensão e morte.
Baixa autoestima e impacto psicossocial
Prurido incapacitante e alterações cutâneas levam a isolamento social, depressão e prejuízo ocupacional.
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A oncocercose é endêmica em 31 países da África Subsaariana, 6 países das Américas (ex.: Brasil, Venezuela) e Iêmen, afetando aproximadamente 20,9 milhões de pessoas globalmente, com 1,15 milhões portadores de deficiência visual. A transmissão é focal, associada a rios de fluxo rápido onde os vetores Simulium se reproduzem. No Brasil, focos remanescentes existem na Amazônia, principalmente entre populações Yanomami. A incidência tem diminuído devido aos programas de controle baseados em ivermectina em massa, com eliminação alcançada em algumas regiões das Américas. Grupos de risco incluem residentes rurais, agricultores e crianças em áreas endêmicas.
Prognóstico
O prognóstico depende da carga parasitária, duração da infecção e acesso ao tratamento. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado com ivermectina, a progressão para cegueira pode ser prevenida, e os sintomas cutâneos melhoram significativamente. Indivíduos não tratados em áreas endêmicas evoluem com cegueira em até 10% dos casos, e as lesões cutâneas tornam-se irreversíveis. A erradicação da infecção é possível com terapia massiva e controle vetorial, mas recidivas podem ocorrer se a exposição persistir. A mortalidade é baixa, mas a morbidade é alta, com impacto socioeconômico substancial.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Critérios clínicos: presença de prurido cutâneo característico, dermatite, nódulos subcutâneos e/ou lesões oculares sugestivas em indivíduos de áreas endêmicas. Confirmação laboratorial: identificação de microfilárias em biópsia de pele (método de Gold Standard), detectadas por escarificação cutânea e exame microscópico; teste de Mazzotti (exacerbação de prurido após administração de dietilcarbamazina); detecção de anticorpos específicos por ELISA ou testes de antigenemia; PCR para DNA de O. volvulus. Exame oftalmológico com lâmpada de fenda é essencial para avaliar envolvimento ocular. A OMS recomenda a combinação de sintomas e achados laboratoriais em regiões endêmicas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Filariose linfática
Causada por Wuchereria bancrofti ou Brugia malayi, apresenta linfedema e elefantíase, mas geralmente sem envolvimento ocular proeminente; diferenciação por identificação de microfilárias no sangue periférico e testes sorológicos.
OMS. Lymphatic filariasis: fact sheet. 2021.
Escabiose
Infestação por Sarcoptes scabiei, causa prurido intenso e lesões papulares, mas sem nódulos subcutâneos ou cegueira; diagnóstico por identificação do ácaro em raspado cutâneo.
UpToDate. Scabies: epidemiology, clinical features, and diagnosis. 2022.
Dermatite atópica
Doença inflamatória crônica da pele com prurigo e eczema, mas sem microfilárias ou nódulos; história pessoal ou familiar de atopia auxilia no diagnóstico.
PubMed: Nutten S. Atopic dermatitis: global epidemiology and risk factors. Ann Nutr Metab. 2015.
Loíase
Infecção por Loa loa, transmitida por moscas Chrysops, apresenta edema de Calabar e migração subconjuntival do parasita, mas raramente causa cegueira; diferenciação por detecção de microfilárias no sangue.
OMS. Loiasis: fact sheet. 2020.
Lepra
Infecção por Mycobacterium leprae, causa lesões cutâneas hipopigmentadas e nódulos, mas com envolvimento neural característico e sem microfilárias; diagnóstico por biópsia cutânea e baciloscopia.
UpToDate. Leprosy: epidemiology, microbiology, clinical manifestations, and diagnosis. 2021.
Exames recomendados
Biópsia de pele
Escarificação cutânea (snip skin biopsy) de múltiplos sítios, com exame microscópico para detecção de microfilárias de O. volvulus.
Confirmação diagnóstica pela identificação direta do parasita; avaliação da carga parasitária.
Teste de Mazzotti
Administração de dose única de dietilcarbamazina (DEC) e observação de exacerbação do prurido e erupções cutâneas dentro de 24-48 horas.
Auxiliar no diagnóstico em casos suspeitos; positivo indica presença de microfilárias vivas, mas deve ser usado com cautela devido a reações graves.
Sorologia (ELISA/ICT)
Detecção de anticorpos IgG específicos contra antígenos de O. volvulus ou antígenos recombinantes (ex.: Ov16).
Triagem em populações endêmicas; útil em casos com baixa carga parasitária, mas pode apresentar reatividade cruzada com outras filarioses.
PCR em tempo real
Amplificação de DNA específico de O. volvulus a partir de amostras de pele, sangue ou outros tecidos.
Confirmação molecular de alta sensibilidade e especificidade; monitoramento pós-tratamento e estudos epidemiológicos.
Exame oftalmológico com lâmpada de fenda
Avaliação detalhada da córnea, câmara anterior, íris e fundo de olho para detectar ceratite, uveíte, atrofia óptica e outras lesões.
Diagnóstico e estadiamento do envolvimento ocular; essencial para prevenção da cegueira.
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Administração anual em massa para populações de áreas endêmicas, reduzindo a transmissão ao diminuir a carga de microfilárias.
Controle integrado de vetores
Combinação de larvicidas, alteração de habitats de rios e uso de inseticidas em spray para eliminar criadouros de Simulium.
Rastreamento e tratamento precoce
Identificação e tratamento imediato de casos para interromper a cadeia de transmissão em focos emergentes.
Vigilância e notificação
No Brasil, a oncocercose é de notificação compulsória, integrando o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A vigilância envolve monitoramento ativo em áreas endêmicas através de inquéritos dermatológicos e oculares, detecção de microfilárias em biópsias de pele, e sorologia. A OMS recomenda a administração anual de ivermectina em massa para populações de risco, com cobertura superior a 80%, e monitoramento da transmissão por PCR e captura de vetores. A eliminação é uma meta global, exigindo notificação de casos suspeitos e confirmados para intervenções direcionadas.
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Sim, com tratamento adequado com ivermectina e doxiciclina, é possível eliminar a infecção e prevenir complicações, embora lesões oculares e cutâneas estabelecidas possam ser irreversíveis.
Populações rurais que residem próximas a rios de fluxo rápido em regiões endêmicas, como agricultores, pescadores e crianças, devido à exposição frequente aos vetores Simulium.
A migração de microfilárias para os olhos desencadeia inflamação crônica, levando a ceratite, uveíte, coriorretinite e atrofia do nervo óptico, que progressivamente comprometem a visão.
Não, é contraindicada em gestantes, lactantes, crianças com menos de 15 kg e indivíduos com coinfecção por Loa loa (devido ao risco de encefalopatia); deve ser administrada sob supervisão médica.
Sim, através de quimioprofilaxia com ivermectina em massa, controle vetorial com larvicidas, proteção individual com repelentes e roupas, e educação em saúde em comunidades endêmicas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...