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CID L20: Dermatite atópica
L200
Prurigo de Besnier
L208
Outras dermatites atópicas
L209
Dermatite atópica, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por prurido intenso, lesões eczematosas e xerose cutânea. É um componente da tríade atópica, que inclui também asma e rinite alérgica, refletindo uma predisposição genética a respostas imunes aberrantes. A fisiopatologia envolve uma barreira cutânea comprometida devido a defeitos na filagrina e outras proteínas estruturais, associada a uma resposta imune Th2 desregulada, com aumento de citocinas como IL-4, IL-13 e IL-31. Epidemiologicamente, afeta predominantemente crianças, com prevalência global em torno de 10-20%, e está associada a significativo impacto na qualidade de vida, incluindo distúrbios do sono e prejuízos psicossociais.
Descrição clínica
A dermatite atópica apresenta-se com lesões cutâneas eczematosas, que variam de agudas (eritema, vesículas, exsudação) a crônicas (liquenificação, escoriações). A distribuição é típica por faixa etária: em lactantes, afeta face e superfícies extensoras; em crianças, flexuras; e em adultos, pode ser mais difusa. O prurido é intenso e constante, levando ao ciclo 'coceira-coçar', que agrava as lesões. A xerose é quase universal, e infecções secundárias, como por Staphylococcus aureus, são comuns.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui prurido intenso, xerose, eritema, pápulas, vesículas em fases agudas, e liquenificação, fissuras e escoriações em fases crônicas. A distribuição é idade-dependente: em bebês, face, couro cabeludo e membros; em crianças, dobras anticubitais e poplíteas; em adultos, mãos, pés e região periorbital. Podem ocorrer sinais adicionais como dobra de Dennie-Morgan, pitiríase alba e ceratose pilar. Exacerbações são desencadeadas por fatores como estresse, sudorese, alérgenos e infecções.
Complicações possíveis
Infecções cutâneas
Infecções bacterianas (ex.: impetigo por S. aureus), virais (ex.: eczema herpeticum) ou fúngicas, devido à barreira comprometida.
Distúrbios do sono
Insônia e fadiga decorrentes do prurido noturno intenso, impactando a qualidade de vida.
Comorbidades atópicas
Desenvolvimento ou exacerbação de asma, rinite alérgica ou alergias alimentares.
Alterações psicossociais
Ansiedade, depressão e isolamento social devido ao estigma e desconforto crônico.
Liquenificação e cicatrizes
Espessamento cutâneo permanente e hiperpigmentação pós-inflamatória por coceira crônica.
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A dermatite atópica afeta aproximadamente 10-20% das crianças e 1-3% dos adultos globalmente, com maior prevalência em países industrializados. A incidência tem aumentado nas últimas décadas, possivelmente devido a fatores ambientais como higiene excessiva. É mais comum em indivíduos com história familiar de atopia e pode apresentar variações sazonais, com piora no inverno.
Prognóstico
O prognóstico é variável; em crianças, até 60% podem ter remissão espontânea na adolescência, mas formas moderadas a graves podem persistir na vida adulta. Fatores de pior prognóstico incluem início precoce, história familiar forte, IgE elevada e comorbidades atópicas. O manejo adequado pode controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida, mas a doença é crônica e recidivante.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como os de Hanifin e Rajka ou os do UK Working Party, que incluem prurido, morfologia e distribuição típica das lesões, curso crônico ou recidivante, e história pessoal ou familiar de atopia. Exames complementares podem apoiar, mas não são diagnósticos; níveis elevados de IgE sérica e teste de puntura positivo a alérgenos são sugestivos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Dermatite de contato
Eczema desencadeado por exposição a irritantes ou alérgenos externos, com distribuição relacionada ao contato e teste de contato positivo.
UpToDate
Psoríase
Lesões eritemato-escamosas bem demarcadas, com escamas prateadas, afetando cotovelos, joelhos e couro cabeludo, sem prurido predominante.
Diretrizes Brasileiras de Psoríase
Escabiose
Infestação por Sarcoptes scabiei, com prurido noturno intenso, túneis e pápulas em áreas interdigitais, axilas e genitais.
OMS
Dermatite seborreica
Eritema e escamas gordurosas em áreas seborreicas como couro cabeludo, face e tórax, com prurido leve.
PubMed
Ictiose vulgar
Descamação generalizada sem inflamação significativa, associada a xerose e história familiar, mas sem lesões eczematosas.
Micromedex
Exames recomendados
Dosagem de IgE sérica total
Avaliação de níveis elevados de IgE, que podem estar aumentados em até 80% dos casos, suportando o diagnóstico de atopia.
Confirmar componente atópico e auxiliar no diagnóstico diferencial
Teste de puntura ou RAST
Identificação de sensibilização a alérgenos inalantes ou alimentares, que podem exacerbar a doença.
Detectar alérgenos desencadeantes e guiar medidas de evitação
Biópsia de pele
Revela espongiose, infiltrado inflamatório perivascular com linfócitos e eosinófilos, e acantose em casos crônicos.
Excluir outras dermatoses em apresentações atípicas
Cultura bacteriana ou viral
Identificação de infecções secundárias por S. aureus ou vírus do herpes simples em lesões exsudativas.
Diagnosticar e tratar infecções sobrepostas
Avaliação da função barreira
Medição da perda de água transepidérmica por evaporimetria, útil em pesquisa ou casos graves.
Avaliar gravidade e resposta ao tratamento
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Uso regular de emolientes desde a infância em crianças de risco para preservar a barreira cutânea.
Aleitamento materno exclusivo
Recomendado nos primeiros meses de vida para reduzir o risco de desenvolvimento de atopia.
Evitação de alérgenos
Redução da exposição a ácaros, pólen e alimentos alergênicos em indivíduos predispostos.
Ambiente livre de fumo
Evitar tabagismo passivo, que pode exacerbar condições atópicas.
Vigilância e notificação
Não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas o monitoramento é importante em sistemas de saúde para avaliar tendências e carga da doença. A vigilância deve focar em complicações, como infecções, e na adesão ao tratamento, com orientações baseadas em diretrizes como as da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
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Não, a dermatite atópica não é contagiosa. É uma doença inflamatória crônica com base genética e imunológica, não transmitida por contato.
Fatores desencadeantes incluem alérgenos (ex.: ácaros, pólen), irritantes (ex.: sabões, lã), estresse, sudorese, infecções e mudanças climáticas, como tempo seco.
Não há cura definitiva, mas o controle eficaz dos sintomas é possível com tratamento adequado, e muitos pacientes, especialmente crianças, podem experimentar remissão espontânea.
A diferenciação baseia-se na história de atopia, distribuição típica por idade, prurido intenso e critérios clínicos; exames como biópsia ou testes alérgicos podem auxiliar no diagnóstico diferencial.
Sim, quando usados conforme orientação médica, com potência adequada à idade e localização, para evitar efeitos adversos como atrofia cutânea; a supervisão é essencial.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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