CID L23: Dermatites alérgicas de contato
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Definição
A dermatite alérgica de contato (DAC) é uma reação inflamatória da pele mediada por mecanismos imunológicos do tipo IV (hipersensibilidade tardia), desencadeada pela exposição cutânea a um alérgeno específico em indivíduos previamente sensibilizados. Caracteriza-se por um eczema agudo ou crônico, com eritema, edema, vesículas e prurido intenso no local de contato. A fisiopatologia envolve a apresentação de haptenos (alérgenos de baixo peso molecular) por células de Langerhans a linfócitos T CD4+ e CD8+, resultando em uma resposta inflamatória com infiltrado de células T, liberação de citocinas e quimiocinas. Epidemiologicamente, é uma condição comum, afetando até 20% da população geral, com variações regionais dependendo da exposição a alérgenos ocupacionais ou ambientais. O impacto clínico inclui morbidade significativa, com prejuízo da qualidade de vida, absenteísmo laboral e custos com saúde, especialmente em contextos ocupacionais.
Descrição clínica
A DAC manifesta-se clinicamente como uma dermatite eczematosa, com lesões que variam de agudas a crônicas. Na fase aguda, observa-se eritema bem demarcado, edema, formação de vesículas ou bolhas, exsudação e crostas, acompanhadas de prurido intenso. As lesões são tipicamente localizadas no sítio de contato com o alérgeno, mas podem se disseminar por autoeczematização. Na fase crônica, há liquenificação, descamação e fissuras devido ao coçar repetitivo. A distribuição das lesões pode sugerir o alérgeno causal, como em mãos (exposição ocupacional), pálpebras (cosméticos) ou pés (calçados). O curso é geralmente agudo após reexposição, com resolução em dias a semanas após a remoção do agente, mas pode persistir se a exposição for contínua.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui prurido intenso, eritema, edema, vesículas ou pápulas no local de contato, podendo evoluir para exsudação, crostas e, em casos crônicos, liquenificação, descamação e fissuras. O início ocorre 24-72 horas após a exposição ao alérgeno, com duração variável. Lesões podem ser localizadas (e.g., mãos, face) ou generalizadas em sensibilizações intensas. Sintomas sistêmicos são raros, mas pode haver mal-estar em casos graves. A história de exposição a alérgenos conhecidos (e.g., níquel, fragrâncias) é crucial para o diagnóstico.
Complicações possíveis
Infecção secundária
Sobreinfecção bacteriana (e.g., por Staphylococcus aureus) devido à barreira cutânea comprometida.
Liquenificação
Espessamento da pele com aumento das linhas de tensão devido ao coçar crônico.
Prejuízo da qualidade de vida
Impacto psicossocial, prurido incapacitante e absenteísmo laboral.
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Epidemiologia
A DAC tem prevalência estimada de 15-20% na população geral, com picos em adultos jovens e idosos devido a exposições ocupacionais e medicamentosas. É mais comum em mulheres, possivelmente relacionado a cosméticos e joias. Alérgenos frequentes incluem níquel, fragrâncias, conservantes e latex. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram alta incidência em trabalhadores da indústria e saúde.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com identificação e evitação do alérgeno, com resolução das lesões em 1-3 semanas. Casos crônicos ou com exposição contínua podem levar a eczema persistente. A recidiva é comum se houver reexposição. Fatores como adesão às medidas preventivas e comorbidades cutâneas influenciam o curso.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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