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Mordida de ácaro: manifestações cutâneas e conduta clínica

A mordida de ácaro é uma condição cutânea comum, mas frequentemente negligenciada, que resulta de uma interação entre o ácaro e a pele humana.

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A mordida de ácaro é uma condição cutânea comum, mas frequentemente negligenciada, que resulta de uma interação entre o ácaro e a pele humana. Os ácaros são pequenos organismos que se alimentam de células da pele ou de secreções, e podem causar uma série de reações alérgicas e inflamatórias.

O que são os ácaros?

Ácaros são aracnídeos microscópicos pertencentes à ordem Acari, comumente encontrados em diversos ambientes, como residências, solos e alimentos. Portanto, existem várias espécies de ácaros que podem afetar os seres humanos, sendo os mais comuns os ácaros da poeira doméstica (Dermatophagoides pteronyssinus e Dermatophagoides farinae) e os ácaros que vivem em animais, como o ácaro Sarcoptes scabiei, causador da sarna, e o ácaro da alergia, Demodex folliculorum.

Assim, a mordida de ácaro é, em muitos casos, uma manifestação de hipersensibilidade ou alergia, gerando um quadro clínico que pode variar de leves erupções cutâneas a manifestações mais graves.

Manifestações clínicas das mordidas de ácaro

As manifestações clínicas das mordidas de ácaro podem variar dependendo da espécie do ácaro envolvido, da resposta imune do paciente e do ambiente em que a exposição ocorre. No entanto, existem características comuns observadas em grande parte dos casos.

Reações alérgicas imediatas

A reação imediata ocorre logo após o contato com o ácaro e pode-se classifica-la como uma forma de urticária. Dessa forma, ela se manifesta como pápulas ou placas elevadas, comumente associadas a prurido intenso. Essas lesões surgem rapidamente, tipicamente nas áreas de contato direto com o ácaro, como no rosto, pescoço, mãos e braços.

Essas pápulas podem se apresentar como pequenas bolhas ou vermelhidões. Em casos mais graves, a reação pode se tornar mais generalizada, afetando várias partes do corpo.

Reações cutâneas tardias

As reações cutâneas tardias ocorrem quando a exposição ao ácaro persiste por um período prolongado, levando a uma resposta imunológica mais complexa. Nesse caso, o paciente pode desenvolver lesões cutâneas mais profundas e crônicas, como dermatites de contato ou eczema.

Pode-se caracterizar a dermatite de contato como uma inflamação que aparece após a mordida do ácaro, sendo frequentemente acompanhada de crostas, descamação e, em casos mais graves, fissuras na pele. A pele pode se tornar sensível ao toque, agravando o desconforto.

Inflamação e infecção

Em casos mais graves, a mordida de ácaro pode levar a infecções secundárias. Isso acontece quando as lesões cutâneas causadas pela mordida se tornam infectadas por bactérias, devido ao ato de coçar, que rompe a barreira da pele e permite a entrada de microrganismos.

Além disso, as infecções podem se manifestar como pústulas ou abscessos, com presença de secreção purulenta e dor localizada. Essas infecções podem necessitar de tratamento antibiótico, caso a inflamação seja extensa.

Complicações sistêmicas

Em casos raros, uma reação alérgica severa pode evoluir para anafilaxia, uma condição potencialmente fatal que requer intervenção médica imediata. Dessa forma, a anafilaxia pode se manifestar com sintomas como dificuldade respiratória, inchaço nas vias aéreas, queda da pressão arterial e perda de consciência. A mordida de ácaro não é, entretanto, uma causa comum de anafilaxia, mas deve ser considerada em pacientes com histórico de alergias severas.

Diagnóstico da mordida de ácaro

O diagnóstico das mordidas de ácaro é essencial para instituir um tratamento adequado e evitar complicações. Portanto, ele é predominantemente clínico, baseado na história do paciente e nas manifestações cutâneas observadas.

História clínica

O histórico médico desempenha um papel crucial no diagnóstico. É importante perguntar ao paciente sobre exposição a ambientes propensos ao acúmulo de ácaros, como colchões, estofados e carpetes. Além disso, o profissional deve investigar o histórico de alergias e doenças dermatológicas anteriores.

Exame físico

O exame físico é fundamental para a avaliação das manifestações cutâneas. O médico observará as características das lesões (tipo, distribuição e evolução) e buscará sinais de infecção ou inflamação grave.

Fonte: multiplag.pt

Exames complementares

Embora o diagnóstico seja principalmente clínico, em alguns casos, exames laboratoriais podem ser necessários para confirmar a presença de uma reação alérgica ou infecção secundária. Testes cutâneos, como o teste de Prick ou o teste intradérmico, podem ser realizados para detectar a presença de hipersensibilidade aos ácaros.

Em casos de infecção, pode-se realizar a cultura bacteriana para identificar o agente causador e orientar o tratamento antibiótico.

Conduta clínica no tratamento das mordidas de ácaro

O tratamento das mordidas de ácaro envolve medidas que visam controlar as reações alérgicas, aliviar os sintomas e prevenir complicações. As condutas podem variar de acordo com a gravidade das manifestações cutâneas.

Cuidados gerais e orientações

A primeira medida é a orientação sobre a prevenção de novas exposições. Assim, deve-se instruir pacientes com histórico de alergia a evitar ambientes onde os ácaros sejam comuns, como em locais com alta umidade ou ambientes mal ventilados. O uso de capas antiácaros em colchões e travesseiros é altamente recomendado.

Além disso, os pacientes devem ser aconselhados a evitar coçar as lesões para reduzir o risco de infecções secundárias.

Tratamento farmacológico

Utiliza-se o tratamento farmacológico para controlar as manifestações alérgicas e inflamatórias. A seguir, listam-se as principais opções terapêuticas:

  • Antihistamínicos: frequentemente utilizados para aliviar a coceira e reduzir as lesões urticariformes. Medicamentos como a loratadina ou a cetirizina são comumente prescritos
  • Corticosteroides tópicos: para casos de dermatite inflamatória ou eczema, os corticosteroides tópicos podem ser eficazes na redução da inflamação. A hidrocortisona ou a betametasona são opções frequentemente utilizadas
  • Antibióticos tópicos: quando há sinais de infecção secundária, como pústulas ou secreção purulenta, o uso de antibióticos tópicos como a mupirocina pode ser necessário
  • Imunoterapia: para pacientes com alergias persistentes aos ácaros, indica-se a imunoterapia, também conhecida como dessensibilização. Portanto, este tratamento visa reduzir a resposta imunológica ao alérgeno, diminuindo a intensidade das reações alérgicas ao longo do tempo.

Tratamento das infecções secundárias

Se houver uma infecção secundária, o tratamento antibiótico sistêmico pode ser necessário. Dessa forma, medicamentos como a amoxicilina com clavulanato ou a dicloxacilina podem ser prescritos dependendo da gravidade da infecção. O acompanhamento médico é essencial para monitorar a resposta ao tratamento e evitar complicações.

Prevenção a longo prazo

Além do tratamento imediato, é fundamental que o paciente siga uma série de medidas preventivas a longo prazo para evitar novas infestações e reações alérgicas. Portanto, isso inclui práticas de higiene pessoal, uso de produtos específicos para o controle de ácaros em ambientes fechados, e a redução da exposição a locais com alta concentração desses organismos.

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Referências bibliográficas

  • ASSIS, J. P. et al. Alergia aos ácaros da poeira e sua relação com doenças respiratórias e cutâneas. Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia, v. 39, n. 3, p. 160-164, 2017.
  • MORAES, P. L. et al. Dermatite de contato e mordidas de ácaros: diagnóstico e tratamento. Revista de Dermatologia, v. 53, n. 5, p. 319-324, 2019.

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