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CID B74: Filariose

B740
Filariose por Wuchereria bancrofti
B741
Filariose por Brugia malayi
B742
Filariose por Brugia timori
B743
Loaíase
B744
Mansonelose
B748
Outras filarioses
B749
Filariose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A filariose é uma doença parasitária causada por nematódeos filariais do gênero Wuchereria, Brugia, Onchocerca, Loa e Mansonella, transmitidos por vetores artrópodes. A infecção resulta na obstrução linfática e inflamação crônica, podendo evoluir para elefantíase, hidrocele e outras manifestações debilitantes. A filariose linfática, causada principalmente por Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, afetando milhões de pessoas globalmente, com impacto significativo na morbidade e qualidade de vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a filariose linfática como uma doença tropical negligenciada, com esforços de controle focados na quimioprofilaxia em massa e manejo da morbidade.

Descrição clínica

A filariose apresenta um espectro clínico variável, desde infecções assintomáticas até formas crônicas incapacitantes. A fase aguda é caracterizada por episódios recorrentes de adenolinfangite, febre, calafrios e mialgias, frequentemente associados à presença de microfilárias no sangue periférico. A fase crônica manifesta-se por linfedema progressivo, elefantíase (espessamento da pele e tecidos subcutâneos), hidrocele, quilúria e dermatite. A cegueira pode ocorrer na oncocercose devido à infestação ocular por Onchocerca volvulus. A apresentação clínica depende da espécie do parasita, carga parasitária e resposta imune do hospedeiro.

Quadro clínico

O quadro clínico da filariose varia conforme a espécie e fase da doença. Na filariose linfática: fase aguda com febre, linfadenite, linfangite ascendente e dor testicular; fase crônica com linfedema assimétrico de membros inferiores, elefantíase, hidrocele e quilúria. Na oncocercose: nódulos subcutâneos (onchocercomas), prurido intenso, dermatite, linfadenopatia e lesões oculares (ceratite, uveíte, coriorretinite) levando à cegueira. Na loíase: edema de Calabar (angioedema migratório) e visualização de Loa loa sob a conjuntiva. Infecções assintomáticas são comuns em áreas endêmicas.

Complicações possíveis

Elefantíase

Espessamento crônico da pele e tecidos subcutâneos, levando a deformidades e incapacidade funcional.

Hidrocele

Acúmulo de líquido no escroto, comum em homens com filariose linfática, podendo requerer intervenção cirúrgica.

Quilúria

Vazamento de linfa na urina devido à fístula linfourinária, resultando em urina leitosa e perda de nutrientes.

Cegueira

Na oncocercose, lesões oculares por microfilárias podem levar à perda irreversível da visão.

Infecções bacterianas secundárias

Linfedema crônico predispõe a erisipela e celulite de repetição, exacerbando o edema.

Epidemiologia

A filariose é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com a filariose linfática afetando aproximadamente 51 milhões de pessoas globalmente, segundo a OMS. As Américas, África, Ásia e Pacífico Ocidental são as regiões mais afetadas. A transmissão é influenciada por fatores ambientais, como presença de vetores e condições sanitárias. No Brasil, focos de transmissão persistem em áreas como Recife e Belém. A oncocercose é prevalente na África e Américas, com cerca de 20 milhões de infectados. A incidência tem diminuído devido a programas de controle baseados em ivermectina.

Prognóstico

O prognóstico da filariose depende da precocidade do diagnóstico e tratamento. Casos tratados precocemente com medicamentos antifilariais têm bom prognóstico, com resolução dos sintomas agudos e prevenção de complicações crônicas. Na fase crônica estabelecida, o linfedema e a elefantíase são irreversíveis, mas o manejo adequado pode melhorar a qualidade de vida. A mortalidade é rara, mas a morbidade significativa impacta a capacidade laboral e o bem-estar psicossocial. Programas de controle em massa reduzem a transmissão e a incidência de novas infecções.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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