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CID B66: Outras infestações por trematódeos

B660
Opistorquíase
B661
Clonorquíase
B662
Dicrocelíase
B663
Fasciolíase
B664
Paragonimíase
B665
Fasciolopsíase
B668
Outras infestações por trematódeos especificados
B669
Infecção não especificada por trematódeo

Mais informações sobre o tema:

Definição

A categoria B66 da CID-10 abrange infecções parasitárias causadas por trematódeos (vermes achatados da classe Trematoda), excluindo aquelas especificamente classificadas em outros códigos, como esquistossomose (B65) e outras helmintíases bem definidas. Essas infecções são caracterizadas pela infestação de órgãos como fígado, pulmões, intestinos e sistema vascular, dependendo da espécie do trematódeo, e podem evoluir para formas crônicas com significativa morbidade, incluindo fibrose hepática, obstrução biliar e complicações pulmonares. A transmissão ocorre principalmente através da ingestão de água ou alimentos contaminados com metacercárias, sendo endêmicas em regiões tropêmicas e subtropicais com condições sanitárias precárias. A epidemiologia é marcada por distribuição geográfica variável, com alta prevalência em áreas rurais de países em desenvolvimento, onde o acesso a saneamento básico e educação em saúde é limitado, contribuindo para a persistência dessas parasitoses como problemas de saúde pública.

Descrição clínica

As infecções por trematódeos apresentam um espectro clínico que varia de assintomático a formas graves, dependendo da carga parasitária, espécie envolvida e estado imunológico do hospedeiro. Inicialmente, pode haver uma fase aguda com sintomas inespecíficos como febre, mal-estar, dor abdominal e eosinofilia, seguida por uma fase crônica onde os sintomas se localizam de acordo com o órgão afetado, por exemplo, hepatomegalia e icterícia em infecções hepáticas, ou tosse e dispneia em infecções pulmonares. A cronicidade está associada a processos inflamatórios e fibroses que podem levar a disfunção orgânica irreversível, com manifestações como cirrose, hipertensão portal ou obstrução biliar. O diagnóstico é frequentemente tardio em áreas endêmicas devido à sobreposição com outras parasitoses e à falta de acesso a exames específicos.

Quadro clínico

O quadro clínico é heterogêneo, podendo ser assintomático ou apresentar sintomas agudos como febre, dor abdominal no quadrante superior direito, náuseas, vômitos e diarreia, frequentemente acompanhados de eosinofilia. Na forma crônica, predominam manifestações específicas do órgão afetado: em infecções hepáticas (ex.: clonorquíase, opistorquíase), observa-se hepatomegalia, icterícia obstrutiva, colangite e em estágios avançados, sinais de hipertensão portal; em infecções pulmonares (ex.: paragonimíase), há tosse produtiva com expectoração hemoptóica, dor torácica e dispneia; em infecções intestinais (ex.: fasciolíase), pode ocorrer diarreia crônica e dor abdominal. A evolução para complicações como cirrose, abscessos ou neoplasias é comum em infecções não tratadas.

Complicações possíveis

Colangiocarcinoma

Neoplasia maligna das vias biliares associada a infecções crônicas por Clonorchis ou Opisthorchis.

Cirrose hepática

Fibrose avançada do fígado resultante de inflamação crônica e obstrução biliar.

Colangite ascendente

Infecção bacteriana secundária das vias biliares devido à obstrução por vermes.

Abscesso hepático

Formação de coleções purulentas no parênquima hepático.

Hipertensão portal

Aumento da pressão na veia portal com risco de varizes esofágicas e ascite.

Epidemiologia

As infecções por trematódeos são endêmicas em regiões tropicais e subtropicais, especialmente no Sudeste Asiático, América Latina e África, com milhões de pessoas infectadas globalmente. A prevalência é maior em comunidades rurais com práticas de aquicultura, consumo de peixes crus e saneamento básico inadequado. Fatores socioeconômicos, como pobreza e baixa escolaridade, contribuem para a transmissão. Dados da OMS indicam que a clonorquíase afeta cerca de 15 milhões de pessoas, com variações sazonais e surtos relacionados a desastres naturais. A vigilância é essencial para monitorar tendências e implementar intervenções.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, levando à resolução dos sintomas e eliminação do parasita. No entanto, em infecções crônicas não tratadas, pode evoluir para complicações irreversíveis como cirrose, insuficiência hepática ou neoplasias, com aumento da morbimortalidade. Fatores como carga parasitária, acesso a cuidados de saúde e presença de comorbidades influenciam o desfecho. Em áreas endêmicas, a recidiva é comum devido à reexposição, exigindo medidas de controle integradas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

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