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CID B47: Micetoma
B470
Eumicetoma
B471
Actinomicetoma
B479
Micetoma não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
As micoses micetomatosas, também conhecidas como micetoma, são infecções fúngicas crônicas e progressivas que afetam predominantemente a pele, tecidos subcutâneos e ossos, caracterizadas pela formação de grânulos ou grumos constituídos por agregados de micélios fúngicos. Esta condição é classificada como uma micose subcutânea, enquadrando-se no grupo de doenças infecciosas e parasitárias do CID-10, com impacto significativo na morbidade devido à sua natureza destrutiva e potencial para causar deformidades e incapacidades funcionais. A epidemiologia é marcada por uma distribuição geográfica endêmica em regiões tropicais e subtropicais, como partes da África, Ásia e América Latina, com maior incidência em áreas rurais onde a exposição a solos contaminados é comum. A fisiopatologia envolve a inoculação traumática de fungos filamentosos, como espécies de Madurella ou Actinomadura, na pele, seguida por uma resposta inflamatória granulomatosa que leva à formação de abscessos, fístulas e destruição tecidual.
Descrição clínica
A micose micetomatosa manifesta-se inicialmente como um nódulo subcutâneo indolor ou pouco doloroso, que evolui lentamente ao longo de meses a anos para uma massa tumoral com múltiplos sinus tracts (canais fistulosos) que drenam material purulento contendo grânulos característicos (visíveis a olho nu como partículas brancas, pretas ou amarelas). A infecção pode estender-se para estruturas profundas, incluindo ossos, levando a osteomielite, deformidades articulares e perda funcional. O local mais comum de envolvimento são os pés (micetoma podálico), mas mãos, costas e outras áreas podem ser afetadas. A progressão é insidiosa, com poucos sintomas sistêmicos, mas a destruição local é extensa, resultando em incapacidade significativa se não tratada.
Quadro clínico
O quadro clínico do micetoma é caracterizado pela tríade clássica: massa tumoral indolor ou pouco dolorosa, sinus tracts múltiplos e drenagem de grânulos. A massa é geralmente firme, irregular e pode variar em tamanho, com evolução lenta ao longo de anos. Os sinus tracts são canais que se abrem na pele, drenando pus serossanguinolento contendo grânulos visíveis (de cor variável dependendo do agente). Sintomas locais incluem edema, eritema e, em fases avançadas, deformidade óssea e articular. Febre e sintomas constitucionais são raros, mas a dor pode surgir com envolvimento ósseo ou superinfecção bacteriana. A localização mais frequente é o pé (cerca de 70% dos casos), seguido por mãos, pernas e tronco.
Complicações possíveis
Osteomielite
Infecção óssea crônica que pode levar à destruição óssea, fraturas patológicas e deformidades articulares.
Deformidade e incapacidade funcional
Perda de função do membro afetado devido à destruição tecidual e óssea, resultando em limitações motoras.
Superinfecção bacteriana
Infecção secundária por bactérias nos sinus tracts, podendo agravar a inflamação e dificultar o tratamento.
Amputação
Necessidade de amputação em casos avançados com destruição irreversível ou falha terapêutica.
Sepse
Rara, mas possível em imunodeprimidos, com disseminação hematogênica da infecção.
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As micoses micetomatosas têm distribuição endêmica em regiões tropicais e subtropicais, como o Sudão, Índia, México e Brasil, com incidência estimada de 1-2 casos por 100.000 habitantes em áreas endêmicas. Acomete predominantemente adultos jovens do sexo masculino (razão 3:1 a 5:1), refletindo exposição ocupacional em atividades agrícolas ou rurais. A sazonalidade não é bem definida, mas a transmissão está ligada a traumas com solos contaminados. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no Brasil mostram notificações esparsas, com subnotificação comum devido ao diagnóstico difícil.
Prognóstico
O prognóstico das micoses micetomatosas é geralmente reservado, com evolução crônica e alta taxa de recidiva se o tratamento for inadequado. A resposta ao tratamento depende do agente (eumicetoma é mais resistente que actinomicetoma), extensão da doença e adesão terapêutica. Casos diagnosticados precocemente e tratados com terapia antifúngica prolongada e cirurgia têm melhor desfecho, mas sequelas como deformidades são comuns. A mortalidade é baixa, mas a morbidade é significativa, com impacto na qualidade de vida. Fatores prognósticos negativos incluem envolvimento ósseo extenso, imunodepressão e atraso no diagnóstico.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de micose micetomatosa baseia-se em critérios clínicos, radiológicos e microbiológicos. Critérios clínicos incluem a presença da tríade: massa tumoral, sinus tracts e grânulos. O exame direto dos grânulos no material de drenagem revela estruturas fúngicas ou actinomicéticas. A confirmação requer cultura em meios específicos (como ágar Sabouraud) para identificação do agente. Exames de imagem, como radiografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, mostram alterações ósseas como osteólise, esclerose e reação periosteal. A histopatologia de biópsia tecidual demonstra granulomas com grânulos centrais. Critérios da OMS e diretrizes internacionais enfatizam a combinação de achados clínicos e laboratoriais para diagnóstico definitivo.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Cromoblastomicose
Infecção fúngica subcutânea crônica causada por fungos demáceos, caracterizada por lesões verrucosas e ausência de grânulos, diferindo do micetoma pela morfologia das lesões e agentes etiológicos.
OMS. Guidelines for the diagnosis and management of subcutaneous mycoses. 2018.
Esporotricose
Micose subcutânea causada por Sporothrix schenckii, que se apresenta como nódulos linfocutâneos ao longo de vasos linfáticos, sem formação de grânulos ou massa tumoral característica do micetoma.
UpToDate. Sporotrichosis. 2023.
Tuberculose cutânea
Infecção por Mycobacterium tuberculosis que pode simular micetoma com formação de abscessos e fístulas, mas diferenciada pela presença de bacilos álcool-ácido resistentes na baciloscopia e resposta ao tratamento antituberculose.
PubMed: Clinical features of cutaneous tuberculosis. 2020.
Actinomicose
Infecção bacteriana por Actinomyces spp. que forma massas e fístulas semelhantes, mas os grânulos são de origem bacteriana e a resposta a antibióticos é distinta.
Micromedex. Actinomycosis. 2022.
Tumor de partes moles
Neoplasias como sarcomas podem mimetizar a massa do micetoma, mas ausência de grânulos e achados histopatológicos malignos permitem a diferenciação.
Diretrizes Brasileiras de Dermatologia. 2021.
Exames recomendados
Exame direto de grânulos
Microscopia de material de drenagem para visualização de grânulos e estruturas fúngicas, permitindo diferenciação inicial entre eumicetoma e actinomicetoma.
Identificação presuntiva do agente e confirmação da natureza da infecção.
Cultura fúngica
Cultura em meios como ágar Sabouraud ou ágar sangue para isolamento e identificação do fungo ou actinomiceto, com testes bioquímicos ou moleculares para espécie.
Confirmação etiológica e orientação terapêutica.
Biópsia tecidual com histopatologia
Análise histológica de amostra de tecido para demonstrar granulomas, grânulos e reação inflamatória, com colorações especiais como PAS ou GMS para fungos.
Confirmação diagnóstica e exclusão de neoplasias.
Radiografia simples
Imagem radiológica da área afetada para avaliar envolvimento ósseo, como osteólise, esclerose ou reação periosteal.
Avaliação da extensão da doença e planejamento cirúrgico.
Ressonância magnética
Exame de imagem de alta resolução para detalhar a extensão tecidual e óssea, identificando sinus tracts e comprometimento de estruturas profundas.
Estadiamento preciso e monitoramento da resposta ao tratamento.
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Recomendação do uso de sapatos fechados em áreas endêmicas para reduzir o risco de inoculação traumática.
Evitar contato com solos contaminados
Orientações para trabalhadores rurais sobre evitar ferimentos com objetos pontiagudos em solos suspeitos.
Higiene das feridas
Limpeza imediata e desinfecção de feridas cutâneas para prevenir a colonização fúngica.
Vigilância e notificação
No Brasil, as micoses micetomatosas não são de notificação compulsória nacional, mas podem ser notificadas como agravos de interesse em saúde pública em alguns estados, conforme portarias do Ministério da Saúde. A vigilância é baseada em diagnóstico laboratorial e clínico, com envio de amostras para centros de referência. Recomenda-se a notificação às autoridades sanitárias locais para monitoramento de surtos e implementação de medidas preventivas, especialmente em áreas endêmicas. A OMS classifica o micetoma como uma doença tropical negligenciada, incentivando a notificação em sistemas internacionais.
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Não, o micetoma não é contagioso de pessoa para pessoa; a transmissão ocorre por inoculação traumática de fungos do ambiente.
O tratamento é prolongado, geralmente de 6 a 12 meses ou mais, dependendo do agente e da resposta, exigindo adesão rigorosa.
A mortalidade é rara, mas a morbidade é alta devido a deformidades e incapacidades; casos não tratados podem evoluir para complicações graves.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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