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CID B35: Dermatofitose

B350
Tinha da barba e do couro cabeludo
B351
Tinha das unhas
B352
Tinha da mão
B353
Tinha dos pés
B354
Tinha do corpo
B355
Tinha imbricada
B356
Tinea cruris
B358
Outras dermatofitoses
B359
Dermatofitose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A dermatofitose é uma infecção fúngica superficial da pele, pelos e unhas, causada por fungos dermatófitos dos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. Esses fungos são queratinofílicos, ou seja, possuem a capacidade de invadir e metabolizar a queratina presente na camada córnea da epiderme, folículos pilosos e unhas, resultando em lesões inflamatórias ou não inflamatórias. A doença é altamente prevalente em regiões tropicais e subtropicais, com transmissão direta (contato pessoa-pessoa ou animal-pessoa) ou indireta (fômites), e seu impacto clínico varia desde infecções assintomáticas até formas extensas e recorrentes que comprometem a qualidade de vida. A dermatofitose é classificada de acordo com a localização anatômica, como tinea corporis (corpo), tinea capitis (couro cabeludo), tinea pedis (pés) e tinea unguium (unhas), sendo um problema de saúde pública significativo devido à sua natureza contagiosa e potencial de cronicidade.

Descrição clínica

A dermatofitose manifesta-se clinicamente de forma variável, dependendo da localização, espécie do dermatófito e estado imunológico do hospedeiro. As lesões típicas incluem placas eritematosas, anulares ou circulares, com bordas bem definidas, descamativas e, por vezes, com pústulas ou vesículas periféricas. Pode haver prurido intenso, alopecia em casos de tinea capitis, e onicodistrofia (espessamento, descoloração e fragilidade ungueal) na tinea unguium. A inflamação pode ser mínima ou exuberante, com formação de querions em infecções intensas do couro cabeludo. A distribuição é frequentemente assimétrica, e a progressão das lesões é centrífuga, com clearing central.

Quadro clínico

O quadro clínico da dermatofitose varia conforme a localização: tinea corporis apresenta placas anulares com bordas ativas e centro claro; tinea capitis causa alopecia com escamas, pústulas ou querions; tinea pedis (pé de atleta) manifesta-se com maceração interdigital, fissuras e vesículas; tinea cruris (virilha) mostra placas eritematosas pruriginosas; e tinea unguium leva a onicólise, hiperqueratose subungueal e descoloração. Sintomas sistêmicos são raros, mas prurido intenso é comum. Em crianças, a tinea capitis é frequente, enquanto adultos têm maior incidência de tinea pedis e unguium.

Complicações possíveis

Infecção bacteriana secundária

Sobrinfecção por bactérias como Staphylococcus aureus, levando a celulite, abscessos ou impetiginização.

Alopecia cicatricial

Perda permanente de cabelos devido à destruição folicular em tinea capitis não tratada ou com querion.

Onicodistrofia irreversível

Danos permanentes à lâmina ungueal em tinea unguium crônica, resultando em espessamento e deformidade.

Dermatofitide (reação id)

Erupção cutânea generalizada por hipersensibilidade a antígenos fúngicos, comum em áreas distantes da infecção primária.

Disseminação sistêmica

Rara em imunocomprometidos, podendo envolver órgãos internos e requerer terapia antifúngica sistêmica agressiva.

Epidemiologia

A dermatofitose é uma das infecções fúngicas mais comuns globalmente, com prevalência estimada em 20-25% da população mundial. É endêmica em regiões tropicais e subtropicais, como América Latina, África e Sudeste Asiático, devido a condições de calor e umidade. A incidência varia com a localização: tinea pedis é mais frequente em adultos, tinea capitis em crianças, e tinea unguium aumenta com a idade. Fatores de risco incluem contato com animais, práticas esportivas (piscinas, vestiários) e condições socioeconômicas desfavoráveis. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram alta demanda por atendimentos dermatológicos relacionados a micoses no Brasil.

Prognóstico

O prognóstico da dermatofitose é geralmente bom com tratamento adequado, com resolução completa na maioria dos casos em 2 a 6 semanas. Infecções superficiais respondem bem a antifúngicos tópicos, enquanto formas profundas ou ungueais podem exigir terapia sistêmica prolongada. Fatores como imunossupressão, não adesão ao tratamento e reinfecção podem levar a cronicidade e recidivas. Complicações são evitáveis com diagnóstico precoce e manejo correto, e a mortalidade é extremamente rara, restrita a casos de disseminação em hospedeiros gravemente imunocomprometidos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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