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CID B39: Histoplasmose
B390
Histoplasmose pulmonar aguda por Histoplasma capsulatum
B391
Histoplasmose pulmonar crônica por Histoplasma capsulatum
B392
Histoplasmose pulmonar não especificada por Histoplasma capsulatum
B393
Histoplasmose disseminada por Histoplasma capsulatum
B394
Histoplasmose não especificada por Histoplasma capsulatum
B395
Histoplasmose por Histoplasma duboisii
B399
Histoplasmose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A histoplasmose é uma micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Histoplasma capsulatum, que habita solos ricos em matéria orgânica, especialmente aqueles contaminados com excretas de aves ou morcegos. A infecção ocorre principalmente pela inalação de conídios aerossolizados, que se transformam em leveduras no trato respiratório, desencadeando uma resposta inflamatória granulomatosa. A doença apresenta um amplo espectro clínico, variando de infecções assintomáticas ou formas pulmonares agudas autolimitadas até formas disseminadas graves, particularmente em indivíduos imunocomprometidos, como portadores de HIV/AIDS. A histoplasmose é endêmica em regiões das Américas, África e Ásia, com alta prevalência em áreas ribeirinhas e cavernas, sendo uma causa significativa de morbidade e mortalidade em populações susceptíveis.
Descrição clínica
A histoplasmose é caracterizada por uma apresentação clínica heterogênea, influenciada pela carga inalada, virulência da cepa e estado imunológico do hospedeiro. As formas pulmonares agudas frequentemente mimetizam uma gripe ou pneumonia atípica, com febre, tosse, dor torácica e mal-estar, podendo evoluir para síndrome do desconforto respiratório agudo em casos graves. A forma crônica pulmonar assemelha-se à tuberculose, com cavitações e fibrose. A forma disseminada progressiva é mais comum em imunossuprimidos, manifestando-se com febre prolongada, hepatosplenomegalia, linfadenopatia, pancitopenia e envolvimento de múltiplos órgãos, como pele, sistema nervoso central e trato gastrointestinal. A histoplasmose pode também apresentar-se como uma síndrome mediastinal com fibrose e compressão de estruturas vasculares ou brônquicas.
Quadro clínico
O quadro clínico da histoplasmose varia amplamente. Na forma pulmonar aguda, os sintomas incluem febre, calafrios, cefaleia, mialgia, tosse não produtiva ou produtiva, dor torácica e dispneia, com resolução espontânea em 2-4 semanas na maioria dos casos. A forma pulmonar crônica apresenta tosse produtiva, hemoptise, perda de peso e sudorese noturna, simulando tuberculose. A forma disseminada progressiva caracteriza-se por febre de origem indeterminada, emagrecimento, adenomegalia, hepatosplenomegalia, lesões mucocutâneas (úlceras orais ou cutâneas), pancitopenia por envolvimento medular, e em casos graves, meningoencefalite ou insuficiência adrenal. Em crianças e imunossuprimidos, a evolução pode ser fulminante, com alto risco de óbito se não tratada.
Complicações possíveis
Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)
Complicação grave da histoplasmose pulmonar aguda com alta carga inalada, levando a insuficiência respiratória hipoxêmica.
Fibrose mediastinal
Resposta fibrótica crônica no mediastino, causando compressão de veias (síndrome da veia cava superior), brônquios ou esôfago.
Insuficiência adrenal
Destruição das glândulas adrenais por infecção disseminada, resultando em crise addisoniana com hipotensão, hiponatremia e hipercalemia.
Meningoencefalite
Envolvimento do sistema nervoso central, apresentando cefaleia, confusão, déficits neurológicos e alto risco de mortalidade.
Pancitopenia
Supressão medular devido à infiltração fúngica, causando anemia, leucopenia e trombocitopenia com risco de sangramento e infecções.
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A histoplasmose é endêmica em regiões das Américas (especialmente vale do rio Mississippi nos EUA, América Central e do Sul), África e Ásia, com estimativa de 500.000 novas infecções anuais nas Américas. A incidência é maior em áreas rurais ou urbanas com solos contaminados por excretas de aves (galinheiros) ou morcegos (cavernas, pontes). Fatores de risco incluem atividades como espeleologia, demolição de edificações antigas e agricultura. Em imunocomprometidos, particularmente pessoas vivendo com HIV (com CD4 < 150 células/µL), a histoplasmose disseminada é uma infecção oportunista frequente e grave. Surtos estão associados a exposições maciças em ambientes perturbados. No Brasil, a doença é reportada em todas as regiões, com casos esporádicos e surtos ocasionais.
Prognóstico
O prognóstico da histoplasmose depende da forma clínica e do estado imunológico do hospedeiro. Nas formas pulmonares agudas em imunocompetentes, a resolução espontânea é comum, com bom prognóstico. Já as formas crônicas pulmonares podem evoluir com fibrose e insuficiência respiratória se não tratadas. A forma disseminada progressiva em imunocomprometidos, como em AIDS não tratada, tem alta mortalidade (até 50% sem terapia), mas com diagnóstico precoce e tratamento antifúngico adequado, a sobrevida melhora significativamente. Complicações como SDRA, meningite ou insuficiência adrenal pioram o prognóstico. O monitoramento com antígeno urinário é útil para avaliar resposta ao tratamento e risco de recidiva.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de histoplasmose baseia-se na combinação de achados clínicos, epidemiológicos, exames de imagem e confirmação laboratorial. Critérios incluem: 1) Compatibilidade clínica e epidemiológica (exposição a áreas endêmicas); 2) Evidência radiológica de infiltrados pulmonares, nódulos, cavitações ou adenopatias mediastinais; 3) Isolamento de H. capsulatum em culturas de escarro, lavado broncoalveolar, sangue ou tecidos; 4) Detecção de antígeno de Histoplasma em urina, soro ou líquido cefalorraquidiano (teste altamente sensível para formas disseminadas); 5) Sorologia positiva para anticorpos por imunodifusão ou fixação de complemento (útil em formas crônicas ou subagudas); 6) Achado histopatológico de leveduras intracelulares pequenas (2-4 µm) com halo claro em coloração de Giemsa ou PAS, em biópsias de tecidos. Em imunocomprometidos, a detecção de antígeno é o método preferencial para diagnóstico rápido.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Tuberculose
Doença infecciosa causada por Mycobacterium tuberculosis, com apresentação clínica semelhante (tosse, febre, emagrecimento) e achados radiológicos sobrepostos, como infiltrados e cavitações. A distinção é feita por baciloscopia, cultura para micobactérias e testes moleculares.
WHO. Global tuberculosis report 2023.
Coccidioidomicose
Micose sistêmica causada por Coccidioides spp., endêmica em regiões áridas das Américas, com sintomas respiratórios agudos ou crônicos e disseminação possível. Difere pela epidemiologia e confirmação por sorologia ou cultura.
CDC. Coccidioidomycosis (Valley Fever).
Sarcoma de Kaposi
Neoplasia vascular associada ao HHV-8, comum em HIV/AIDS, com lesões cutâneas e viscerais que podem mimetizar histoplasmose disseminada. O diagnóstico é histopatológico.
NIH. AIDSinfo Guidelines.
Leishmaniose visceral
Doença parasitária causada por Leishmania spp., com febre, hepatosplenomegalia e pancitopenia, similar à histoplasmose disseminada. A distinção é por identificação de amastigotas em aspirado de medula óssea ou sorologia.
WHO. Leishmaniasis.
Linfoma
Neoplasia linforreticular que pode apresentar febre, sudorese, emagrecimento e linfadenopatia, confundindo-se com histoplasmose. O diagnóstico definitivo requer biópsia e imuno-histoquímica.
NCCN. Guidelines for Hodgkin and Non-Hodgkin Lymphoma.
Exames recomendados
Detecção de antígeno de Histoplasma
Teste imunoenzimático para antígeno polissacarídico de H. capsulatum em amostras de urina, soro ou LCR.
Diagnóstico rápido e monitoramento de formas disseminadas, com alta sensibilidade em imunocomprometidos.
Cultura microbiológica
Cultura de amostras clínicas (sangue, escarro, LBA, tecidos) em meios específicos para fungos, como ágar Sabouraud.
Confirmação etiológica e possibilidade de testes de sensibilidade; pode levar 2-6 semanas.
Sorologia
Testes de imunodifusão (ID) e fixação de complemento (FC) para detecção de anticorpos anti-Histoplasma.
Auxiliar no diagnóstico de formas crônicas ou subagudas; baixa sensibilidade em imunossuprimidos.
Exame histopatológico
Análise de biópsias de tecidos (pulmão, medula óssea, linfonodos) com colorações como Giemsa, PAS ou GMS.
Identificação de leveduras intracelulares características para confirmação diagnóstica.
Radiografia de tórax
Exame de imagem para avaliar infiltrados, nódulos, cavitações ou adenopatias mediastinais.
Triagem e avaliação de envolvimento pulmonar na histoplasmose aguda ou crônica.
Tomografia computadorizada de tórax
Imagem de alta resolução para detalhar anomalias pulmonares e mediastinais.
Melhor caracterização de lesões, como nódulos miliares ou fibrose, e planejamento de biópsias.
Hemograma completo
Contagem de células sanguíneas para detectar pancitopenia ou alterações sugestivas.
Avaliar complicações hematológicas na forma disseminada, como anemia ou trombocitopenia.
Testes de função hepática e adrenal
Dosagem de enzimas hepáticas e cortisol sérico.
Identificar envolvimento hepático ou insuficiência adrenal em casos disseminados.
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Umidificação de solos em áreas de risco para reduzir a aerosolização de conídios, e limpeza adequada de excretas de aves e morcegos com desinfetantes.
Educação em saúde
Orientar populações de áreas endêmicas sobre os riscos e sintomas da histoplasmose, e quando procurar atendimento médico.
Profilaxia em imunocomprometidos
Em pacientes com HIV e CD4 < 150 células/µL em áreas endêmicas, considerar itraconazol profilático (200 mg/dia) após tratamento de episódio agudo, conforme diretrizes.
Vigilância e notificação
A histoplasmose não é de notificação compulsória nacional no Brasil, mas é monitorada em sistemas de vigilância de micoses profundas e em populações de risco, como pessoas com HIV. Em surtos ou casos graves, a notificação às autoridades de saúde locais é recomendada para investigação epidemiológica. A vigilância inclui a confirmação laboratorial, mapeamento de áreas endêmicas e educação sobre medidas preventivas. Em âmbito internacional, a OMS enfatiza a importância do diagnóstico em regiões endêmicas para reduzir a morbimortalidade.
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Não, a histoplasmose não é contagiosa de pessoa para pessoa. A transmissão ocorre exclusivamente pela inalação de esporos do fungo a partir de fontes ambientais, como solos contaminados.
Indivíduos imunocomprometidos, como pessoas vivendo com HIV/AIDS (especialmente com contagem de CD4 < 150 células/µL), receptores de transplantes, usuários de corticosteroides em altas doses, e aqueles com doenças neoplásicas hematológicas têm maior risco de desenvolver histoplasmose disseminada progressiva.
A diferenciação baseia-se em achados epidemiológicos (exposição a áreas endêmicas), exames laboratoriais (detecção de antígeno de Histoplasma vs. baciloscopia para micobactérias), cultura e testes moleculares. A histoplasmose pode ter sorologia positiva e antígeno urinário detectável, enquanto a tuberculose é confirmada por testes para M. tuberculosis.
O tempo varia conforme a forma clínica: para formas leves a moderadas, itraconazol por 6-12 semanas; para formas graves ou disseminadas, inicialmente anfotericina B por 1-2 semanas, seguida de itraconazol por 12 meses ou mais em imunocomprometidos, para prevenir recidivas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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