Consulte o CID10 - Sanar Pós

CID B46: Zigomicose

B460
Mucormicose pulmonar
B461
Mucormicose rinocerebral
B462
Mucormicose gastrointestinal
B463
Mucormicose cutânea
B464
Mucormicose disseminada
B465
Mucormicose não especificada
B468
Outras zigomicoses
B469
Zigomicose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A zigomicose é uma infecção fúngica invasiva causada por fungos da ordem Mucorales, como Rhizopus, Mucor e Lichtheimia, caracterizada por sua natureza agressiva e alta mortalidade. Esses fungos são ubíquos no ambiente, encontrados no solo, matéria orgânica em decomposição e ar, e a infecção ocorre principalmente por inalação de esporos, embora possa resultar de inoculação traumática ou ingestão. A zigomicose é notável por sua capacidade de invadir vasos sanguíneos, levando a trombose, infarto tecidual e necrose, o que contribui para sua apresentação clínica grave e rápida progressão. Epidemiologicamente, afeta predominantemente indivíduos imunocomprometidos, como aqueles com diabetes mellitus mal controlada, neutropenia, uso prolongado de corticosteroides, transplante de órgãos sólidos ou células-tronco hematopoiéticas, e feridas traumáticas, com incidência variável globalmente, mas representando uma causa significativa de morbimortalidade em populações de risco.

Descrição clínica

A zigomicose manifesta-se de forma aguda ou subaguda, com apresentações clínicas variadas dependendo da via de infecção e do sítio envolvido. A forma rinocerebral é a mais comum, iniciando-se com sinusite que progride para celulite periorbital, proptose, oftalmoplegia e necrose de palato, podendo evoluir para envolvimento cerebral com abscessos e trombose do seio cavernoso. A forma pulmonar apresenta febre, tosse, dor torácica e hemoptise, frequentemente com infiltrados ou cavitações em radiografia de tórax. Formas cutâneas resultam de inoculação traumática, com lesões necróticas, equimoses e celulite, enquanto a disseminada envolve múltiplos órgãos, como cérebro, pulmões e baço. A infecção é marcada por rápida progressão e alta letalidade, especialmente em imunossuprimidos.

Quadro clínico

O quadro clínico da zigomicose é diverso, com formas rinocerebral, pulmonar, cutânea, gastrointestinal e disseminada. Na forma rinocerebral, os sintomas incluem cefaleia, febre, congestão nasal, secreção purulenta ou sanguinolenta, dor facial, celulite periorbital, proptose, visão turva, oftalmoplegia e necrose de palato ou septo nasal, com possível evolução para letargia e coma. A forma pulmonar apresenta febre, tosse produtiva ou não, dor torácica, dispneia e hemoptise, podendo simular pneumonia bacteriana ou aspergilose. A forma cutânea manifesta-se como lesões necróticas, úlceras, celulite ou abscessos em sítios de trauma. A forma gastrointestinal causa dor abdominal, náuseas, vômitos e sangramento, enquanto a disseminada envolve múltiplos órgãos com sintomas inespecíficos como febre e deterioração clínica rápida.

Complicações possíveis

Necrose tecidual extensa

Resultante da angioinvasão e trombose, levando a perda de tecido em seios da face, palato ou pulmões, necessitando de desbridamento cirúrgico.

Trombose do seio cavernoso

Complicação da forma rinocerebral, causando oftalmoplegia, perda visual e risco de disseminação intracraniana.

Disseminação hematogênica

Extensão da infecção para outros órgãos, como cérebro, baço ou rins, aumentando significativamente a mortalidade.

Insuficiência respiratória

Devido a envolvimento pulmonar massivo ou hemoptise maciça, requerendo suporte ventilatório.

Sepse e choque séptico

Resposta inflamatória sistêmica à infecção fúngica, com alta taxa de mortalidade se não tratada precocemente.

Epidemiologia

A zigomicose é uma micose rara, mas com incidência crescente em populações imunocomprometidas. Estima-se uma incidência global de 0,005 a 1,7 casos por milhão de habitantes, variando por região e fatores de risco. É mais comum em países tropicais e em desenvolvimento. Os principais grupos de risco incluem pacientes com diabetes mellitus (especialmente com cetoacidose), neutropenia prolongada, transplante de órgãos sólidos ou medula óssea, uso de corticosteroides ou deferoxamina, feridas traumáticas e desnutrição. Não há predileção por sexo ou idade, mas a incidência aumenta com a idade em imunossuprimidos. Surtos estão associados a exposições ambientais, como construções ou desastres naturais.

Prognóstico

O prognóstico da zigomicose é geralmente reservado, com taxas de mortalidade variando de 40% a 80%, dependendo da forma clínica, rapidez do diagnóstico, e condições subjacentes do hospedeiro. A forma rinocerebral e a disseminada têm os piores desfechos. Fatores prognósticos favoráveis incluem diagnóstico precoce, controle de comorbidades (e.g., correção de acidose diabética), ressecção cirúrgica agressiva do tecido necrótico e terapia antifúngica adequada. A recuperação da imunidade, como resolução da neutropenia, melhora o prognóstico. Complicações como envolvimento cerebral ou disseminação multiorgânica reduzem drasticamente a sobrevida.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀