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CID B44: Aspergilose
B440
Aspergilose pulmonar invasiva
B441
Outras aspergiloses pulmonares
B442
Aspergilose amigdaliana
B447
Aspergilose disseminada
B448
Outras formas de aspergilose
B449
Aspergilose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A aspergilose é uma infecção fúngica causada por fungos do gênero Aspergillus, principalmente Aspergillus fumigatus, Aspergillus flavus e Aspergillus niger. Esses fungos são ubíquos no ambiente, encontrados no solo, matéria orgânica em decomposição e sistemas de ventilação, e a infecção ocorre tipicamente por inalação de esporos. A doença pode se manifestar de várias formas, desde colonização assintomática até infecções invasivas graves, dependendo do estado imunológico do hospedeiro. Em indivíduos imunocompetentes, a aspergilose geralmente é limitada, como na forma alérgica ou pulmonar crônica, enquanto em imunossuprimidos (por exemplo, pacientes com neutropenia, transplantados ou em uso de corticosteroides) pode evoluir para aspergilose invasiva, com alta morbimortalidade. A epidemiologia mostra que a aspergilose invasiva é uma importante causa de infecção fúngica em unidades de terapia intensiva e em pacientes hematológicos, com incidência variável conforme a população de risco.
Descrição clínica
A aspergilose apresenta um espectro clínico amplo, que inclui formas alérgicas, saprófitas (colonização), e invasivas. A aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) caracteriza-se por asma, infiltrados pulmonares transitórios e eosinofilia, comum em pacientes com asma ou fibrose cística. A aspergiloma ou 'bola fúngica' ocorre em cavidades pulmonares pré-existentes (por exemplo, sequelas de tuberculose), levando a tosse, hemoptise e dor torácica. A aspergilose invasiva, mais grave, afeta pulmões, seios paranasais, SNC e outros órgãos, com sintomas como febre, tosse, dispneia e sinais de sepse, podendo progredir para choque e óbito se não tratada precocemente. A cronificação pode ocorrer na forma pulmonar crônica necrosante, com tosse produtiva e perda ponderal.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a forma: na ABPA, há sibilos, tosse com expectoração, febre baixa e mal-estar; no aspergiloma, tosse, hemoptise (por vezes massiva) e dor torácica; na aspergilose invasiva pulmonar, febre refratária, tosse, dispneia, dor pleurítica e hemoptise; na disseminada, podem ocorrer lesões cutâneas, sinais neurológicos (por exemplo, convulsões em envolvimento do SNC) e insuficiência de múltiplos órgãos. Formas rinossinusais apresentam congestão nasal, dor facial e secreção purulenta.
Complicações possíveis
Hemoptise massiva
Sangramento pulmonar grave, comum em aspergiloma, podendo levar a choque hipovolêmico e óbito.
Disseminação hematogênica
Extensão da infecção para SNC, rins, fígado e outros órgãos, com alta mortalidade.
Insuficiência respiratória
Comprometimento grave da troca gasosa devido à invasão pulmonar ou obstrução brônquica.
Fibrose pulmonar
Sequela de inflamação crônica na ABPA ou formas pulmonares prolongadas.
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A aspergilose é a micose invasiva mais comum em pacientes imunocomprometidos, com incidência estimada de 1-15% em transplantados de medula óssea e até 25% em leucemias agudas. A prevalência global é influenciada por fatores ambientais e populacionais de risco. No Brasil, dados de vigilância mostram casos em centros de referência, com subnotificação. A ABPA afeta 1-15% dos pacientes com asma persistente e até 10% com fibrose cística.
Prognóstico
O prognóstico da aspergilose é variável: formas alérgicas e aspergiloma têm bom prognóstico com tratamento, mas a aspergilose invasiva apresenta mortalidade elevada (30-80%), dependendo da precocidade do diagnóstico, do agente antifúngico e da reversão da imunossupressão. Fatores de mau prognóstico incluem disseminação multiorgânica, neutropenia persistente e comorbidades graves.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos dependem da forma: para ABPA, incluem asma, testes cutâneos positivos para Aspergillus, eosinofilia periférica, IgE total elevada, IgE específica para Aspergillus, infiltrados pulmonares e bronquiectasias centrais; para aspergiloma, imagem radiológica de massa intracavitária com sinal do 'halo' ou 'crescente aéreo'; para aspergilose invasiva, exigem evidência histopatológica de hifas invasivas ou cultura positiva de espécime estéril em contexto clínico compatível, além de critérios de consenso (por exemplo, critérios EORTC/MSG para hospedeiros imunocomprometidos).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Tuberculose
Infecção bacteriana por Mycobacterium tuberculosis, que pode causar cavitações pulmonares e hemoptise, semelhante ao aspergiloma.
WHO. Global Tuberculosis Report 2023.
Candidíase invasiva
Infecção fúngica por Candida spp., comum em imunossuprimidos, com manifestações sistêmicas sobrepostas à aspergilose invasiva.
Pappas PG et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America.
Mucormicose
Infecção fúngica por zigomicetos, como Rhizopus, que pode causar necrose tecidual rápida e envolvimento rinossinusal, diferenciada pela histopatologia.
Roden MM et al. Epidemiology and Outcome of Zygomycosis: A Review of 929 Reported Cases.
Neoplasia pulmonar
Tumores primários ou metastáticos que mimetizam aspergiloma ou lesões invasivas em imagens.
NCCN Guidelines: Non-Small Cell Lung Cancer.
Pneumonia bacteriana
Infecções por bactérias como Streptococcus pneumoniae, que causam consolidações pulmonares, podendo confundir com aspergilose invasiva inicial.
Metlay JP et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America.
Exames recomendados
Tomografia computadorizada de tórax
Imagem de alta resolução para detectar sinais como 'halo', 'crescente aéreo' ou consolidações sugestivas de aspergilose invasiva ou aspergiloma.
Avaliar extensão pulmonar e características radiológicas típicas.
Cultura de escarro ou lavado broncoalveolar
Coleta de amostras respiratórias para isolamento de Aspergillus spp., com confirmação por métodos micológicos.
Identificar o agente etiológico e orientar terapia.
Testes sorológicos (galactomanana, β-D-glucano)
Detecção de antígenos fúngicos no soro ou líquido corporal; galactomanana é específico para Aspergillus.
Auxiliar no diagnóstico de aspergilose invasiva, especialmente em pacientes de risco.
Biópsia tecidual
Obtenção de tecido para exame histopatológico, mostrando hifas septadas com angulação aguda.
Confirmar invasão fúngica em casos duvidosos.
Broncoscopia
Endoscopia respiratória para visualização direta e coleta de amostras de vias aéreas.
Avaliar lesões endobrônquicas e obter material para diagnóstico.
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Instalação de filtros de ar de alta eficiência em ambientes hospitalares para reduzir carga de esporos.
Profilaxia antifúngica
Uso de voriconazol ou posaconazol em pacientes hematológicos de alto risco durante neutropenia.
Controle ambiental
Evitar obras e áreas com acúmulo de poeira em unidades de cuidados a imunossuprimidos.
Vigilância e notificação
A aspergilose não é de notificação compulsória nacional no Brasil, mas deve ser monitorada em serviços de saúde, especialmente em unidades de terapia intensiva e hematologia, para controle de surtos e medidas preventivas. A vigilância inclui rastreamento de casos em populações de alto risco e notificação voluntária em sistemas como o SIVEP-Gripe quando associada a influenza.
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Não, a aspergilose não é contagiosa entre pessoas, pois a infecção ocorre por inalação ambiental de esporos de Aspergillus, não por transmissão interpessoal.
Os principais fatores incluem neutropenia prolongada, uso de corticosteroides em altas doses, transplante de órgãos ou medula óssea, doenças pulmonares crônicas (como DPOC), e estados de imunodeficiência avançada.
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, radiológicos (por exemplo, TC de tórax com sinal do halo), exames micológicos (cultura, histopatologia) e testes sorológicos (galactomanana no soro ou lavado broncoalveolar), conforme diretrizes como as do EORTC/MSG.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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