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CID A68: Febres recorrentes [Borrelioses]
A680
Febre recorrente transmitida por piolhos
A681
Febre recorrente transmitida por carrapatos
A689
Febre recorrente não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
As febres recorrentes são um grupo de doenças infecciosas agudas caracterizadas por episódios febris recorrentes, separados por períodos de apirexia. Essas condições são causadas principalmente por espiroquetas do gênero Borrelia, transmitidas por vetores artrópodes, como piolhos (Borrelia recurrentis) ou carrapatos (Borrelia spp.). A patogênese envolve a multiplicação do patógeno na corrente sanguínea, desencadeando respostas inflamatórias sistêmicas, com liberação de citocinas e ativação do sistema imunológico, resultando em febre alta, calafrios, cefaleia e mialgias. Epidemiologicamente, a febre recorrente transmitida por piolhos está associada a condições de superlotação e pobreza, enquanto a transmitida por carrapatos ocorre em áreas endêmicas específicas. O impacto clínico inclui alta morbidade e potencial letalidade se não tratada, com complicações como hepatite, miocardite e hemorragias.
Descrição clínica
A febre recorrente apresenta um curso clínico bifásico ou polifásico, com episódios febris agudos de início súbito, durando 3 a 6 dias, seguidos por períodos de defervescência e apirexia de 4 a 14 dias. Os sintomas incluem febre alta (39-41°C), calafrios intensos, cefaleia, mialgias, artralgias, astenia, náuseas, vômitos e tosse. Sinais físicos comuns são hepatomegalia, esplenomegalia, icterícia, petéquias ou rash cutâneo. A recorrência dos episódios deve-se à variação antigênica das borrélias, permitindo escape imune. O diagnóstico é suspeitado com base na história de exposição a vetores e padrão febril característico.
Quadro clínico
O quadro clínico é caracterizado por episódios recorrentes de febre alta súbita, calafrios, cefaleia intensa, mialgias, artralgias, astenia, anorexia, náuseas, vômitos e tosse não produtiva. Sinais físicos incluem hepatomegalia (50-70% dos casos), esplenomegalia (30-50%), icterícia (10-40%), rash macular ou petequial, conjuntivite e, raramente, manifestações neurológicas como meningismo. Cada episódio febril dura 3-6 dias, seguido por defervescência com sudorese profusa e apirexia por 4-14 dias. Sem tratamento, podem ocorrer 2-10 recorrências, com gravidade decrescente. Complicações agudas incluem miocardite, ruptura esplênica, hemorragias e choque.
Complicações possíveis
Hepatite
Inflamação hepática com elevação de transaminases, icterícia e risco de insuficiência hepática.
Miocardite
Comprometimento cardíaco com arritmias, insuficiência cardíaca ou pericardite.
Hemorrhagias
Sangramentos cutâneos (petéquias, equimoses) ou internos devido a vasculite e trombocitopenia.
Ruptura esplênica
Complicação rara mas grave, associada a esplenomegalia significativa.
Choque séptico
Resposta inflamatória sistêmica exacerbada, com hipotensão e falência de múltiplos órgãos.
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A febre recorrente tem distribuição global, com variações regionais: a forma transmitida por piolhos (Borrelia recurrentis) ocorre em surtos associados a pobreza, superlotação e conflitos (e.g., África, Ásia), enquanto a transmitida por carrapatos (Borrelia spp.) é endêmica em áreas específicas das Américas, África e Europa. A incidência é baixa em países desenvolvidos, mas surtos podem ocorrer em viajantes ou populações vulneráveis. Dados da OMS indicam milhares de casos anuais, com subnotificação. Fatores de risco incluem exposição a vetores, falta de higiene e viagens para áreas endêmicas.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento antibiótico precoce, com resolução dos sintomas em 1-2 dias e baixa letalidade (<5%). Sem tratamento, a letalidade pode chegar a 30-70% em surtos de febre recorrente por piolhos, devido a complicações como miocardite ou hemorragias. Recorrências são comuns sem terapia adequada, mas a duração e gravidade diminuem com o tempo. Sequelas a longo prazo são raras, mas podem incluir astenia persistente ou déficits neurológicos em casos complicados.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Critérios clínicos: história de episódios febris recorrentes com apirexia intermitente, associados a sintomas como cefaleia, mialgias e hepatosplenomegalia. Critério epidemiológico: exposição a vetores (piolhos ou carrapatos) em áreas endêmicas. Confirmação laboratorial: identificação de Borrelia em esfregaço de sangue periférico (coloração Giemsa ou Wright) durante a fase febril, sorologia (e.g., ELISA, imunofluorescência indireta) para anticorpos anti-Borrelia, ou PCR para DNA de Borrelia. A OMS e diretrizes de doenças infecciosas recomendam a combinação de achados clínicos e confirmação microbiológica para diagnóstico definitivo.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Malária
Doença febril aguda causada por Plasmodium spp., transmitida por mosquitos Anopheles, com episódios febris paroxísticos e ciclicidade, mas sem recorrências por variação antigênica; diagnóstico por gota espessa e testes rápidos.
WHO. Guidelines for malaria. 2021.
Febre tifoide
Infecção por Salmonella Typhi, com febre contínua ou escalonada, bradicardia relativa, roseolas e sintomas gastrointestinais; confirmação por hemocultura ou teste de Widal.
UpToDate. Typhoid fever. 2023.
Leptospirose
Infecção por Leptospira spp., com febre bifásica, mialgias intensas, icterícia e insuficiência renal; diagnóstico por sorologia (MAT) ou PCR.
CDC. Leptospirosis. 2022.
Dengue
Infecção viral por Flavivirus, com febre bifásica, cefaleia retro-orbitária, exantema e manifestações hemorrágicas; confirmação por NS1 antigen ou sorologia.
WHO. Dengue guidelines. 2019.
Brucelose
Infecção por Brucella spp., com febre ondulante, sudorese, artralgias e hepatoesplenomegalia; diagnóstico por hemocultura ou sorologia.
UpToDate. Brucellosis. 2023.
Exames recomendados
Esfregaço de sangue periférico
Coloração com Giemsa ou Wright para visualização direta de Borrelia em eritrócitos ou plasma durante a fase febril.
Diagnóstico rápido e específico, com sensibilidade de 70% no pico febril.
Hemocultura
Cultura em meios específicos (e.g., BSK-II) para isolamento de Borrelia.
Confirmação microbiológica, embora demorada; útil em casos atípicos.
Sorologia (ELISA ou imunofluorescência indireta)
Detecção de anticorpos IgM e IgG anti-Borrelia; pode ser negativa na primeira semana.
Apoio diagnóstico em fases tardias ou para confirmação retrospectiva.
PCR em tempo real
Amplificação de DNA de Borrelia em amostras de sangue.
Alta sensibilidade e especificidade para detecção precoce e diferenciação de espécies.
Hemograma completo
Avaliação de leucocitose com desvio à esquerda, trombocitopenia e anemia hemolítica.
Identificar alterações sugestivas de infecção bacteriana e complicações hemorrágicas.
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Uso de inseticidas em roupas e ambientes para piolhos; acaricidas e barreiras físicas para carrapatos.
Higiene pessoal
Banhos regulares, troca de roupas e evitar compartilhamento de itens pessoais em áreas endêmicas.
Uso de repelentes
Aplicação de DEET ou icaridina na pele e roupas para reduzir picadas de vetores.
Quimioprofilaxia
Em situações de alto risco, uso de doxiciclina 200 mg semanalmente durante a exposição.
Vigilância e notificação
A febre recorrente é uma doença de notificação compulsória em muitos países, incluindo o Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância envolve monitoramento de casos suspeitos, confirmação laboratorial e investigação epidemiológica para identificar fontes de infecção e vetores. Medidas incluem controle de vetores (e.g., inseticidas para piolhos, acaricidas para carrapatos), educação em saúde e notificação imediata às autoridades sanitárias. Em surtos, a OMS recomenda resposta rápida com tratamento em massa e medidas de isolamento.
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Depende do tipo: Borrelia recurrentis é transmitida por piolhos humanos, enquanto outras espécies são transmitidas por carrapatos moles do gênero Ornithodoros.
Não diretamente; a transmissão ocorre apenas através de vetores artrópodes, e não por contato interpessoal.
Cada episódio agudo dura typically 3 a 6 dias, seguido por um período apirético de 4 a 14 dias antes da recorrência.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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