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CID B50: Malária por Plasmodium falciparum

B500
Malária por Plasmodium falciparum com complicações cerebrais
B508
Outras formas graves e complicadas de malária por Plasmodium falciparum
B509
Malária não especificada por Plasmodium falciparum

Mais informações sobre o tema:

Definição

A malária devida ao Plasmodium falciparum é uma doença infecciosa parasitária aguda, transmitida pela picada de fêmeas de mosquitos Anopheles infectadas. Caracteriza-se por ciclos de febre alta, calafrios, sudorese e sintomas sistêmicos, sendo a forma mais grave de malária devido ao seu potencial de evolução rápida para complicações como malária cerebral, insuficiência renal e morte. A fisiopatologia envolve a invasão e multiplicação do parasita nos eritrócitos, levando à hemólise, citoaderência vascular e resposta inflamatória sistêmica. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com alto impacto na morbimortalidade global, particularmente em crianças e gestantes em áreas de transmissão intensa.

Descrição clínica

A malária por P. falciparum apresenta um quadro clínico variável, desde infecções assintomáticas até formas graves. Inicia-se com sintomas inespecíficos como febre irregular, cefaleia, mialgia e mal-estar, evoluindo para ciclos de febre paroxística com calafrios intensos, sudorese profusa e pirexia. A febre pode não ser periódica inicialmente, mas tende a se tornar mais regular com a progressão da doença. Em casos graves, observam-se alterações neurológicas (e.g., convulsões, coma), insuficiência respiratória, coagulopatia e choque, refletindo a natureza sistêmica da infecção.

Quadro clínico

O quadro clínico típico inclui início abrupto com febre alta (≥39°C), calafrios intensos, cefaleia, mialgia, artralgia, náuseas, vômitos e diarréia. A febre pode ser contínua ou irregular inicialmente, com paroxismos a cada 48 horas em estágios avançados. Sinais de alarme para gravidade são alteração do nível de consciência, convulsões, icterícia, hemoglobinúria, sangramentos anormais, dispneia e oligúria. Em crianças, pode manifestar-se com anemia grave, hipoglicemia e prostração. A evolução não tratada é frequentemente fatal em 24-72 horas.

Complicações possíveis

Malária cerebral

Encefalopatia com coma, convulsões e alterações neurológicas, devido ao sequestro parasitário na microvasculatura cerebral.

Anemia hemolítica grave

Redução acentuada de hemoglobina por lise eritrocítica massiva e supressão medular.

Insuficiência renal aguda

Lesão tubular aguda por hipoperfusão, hemoglobinúria e efeitos diretos do parasita.

Edema pulmonar/SDRA

Acúmulo de líquido nos alvéolos por aumento da permeabilidade capilar, levando a insuficiência respiratória.

Hipoglicemia

Baixos níveis de glicose sérica, associada ao consumo parasitário, glicogenólise hepática e efeitos da quinina.

Epidemiologia

A malária por P. falciparum é predominante na África Subsaariana, responsável por ~90% dos casos globais, com alta endemicidade em regiões como África Ocidental e Central. Globalmente, estima-se 200-300 milhões de casos anuais, com ~400.000 mortes, principalmente em crianças <5 anos. No Brasil, é mais comum na Amazônia Legal, com transmissão relacionada a fatores ambientais e socioeconômicos. Grupos de risco incluem crianças, gestantes, viajantes não imunes e populações de áreas endêmicas.

Prognóstico

O prognóstico varia com a precocidade do diagnóstico e tratamento. Casos não complicados têm boa evolução com terapia antimalárica adequada. Formas graves apresentam mortalidade de 10-20%, mesmo com tratamento intensivo, dependendo de fatores como idade, comorbidades e acesso a cuidados. Sequelas neurológicas podem ocorrer em sobreviventes de malária cerebral. A recorrência é rara com tratamento completo, mas resistências medicamentosas podem complicar o manejo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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