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CID B51: Malária por Plasmodium vivax
B510
Malária por Plasmodium vivax com rotura do baço
B518
Malária por Plasmodium vivax com outras complicações
B519
Malária por Plasmodium vivax sem complicações
Mais informações sobre o tema:
Definição
A malária devida ao Plasmodium vivax é uma doença infecciosa parasitária transmitida pela picada de fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles infectadas. Caracteriza-se por ciclos febris paroxísticos, com picos a cada 48 horas, associados a calafrios, sudorese, cefaleia, mialgias e anemia hemolítica. O Plasmodium vivax é uma das espécies de plasmódio mais prevalentes globalmente, com distribuição predominante em regiões tropicais e subtropicais, especialmente na Ásia, América Latina e partes da África. A infecção por P. vivax difere de outras formas de malária pela capacidade do parasita de formar hipnozoítos no fígado, que podem permanecer dormentes por meses a anos, levando a recidivas tardias. O impacto clínico inclui desde formas assintomáticas até casos graves, com complicações como esplenomegalia, anemia severa e, raramente, ruptura esplênica, embora a malária por P. vivax seja geralmente menos grave do que a causada por P. falciparum. Epidemiologicamente, é responsável por aproximadamente 40% dos casos de malária fora da África, com grupos de risco incluindo residentes em áreas endêmicas, viajantes e populações com acesso limitado a cuidados de saúde.
Descrição clínica
A malária por Plasmodium vivax apresenta um quadro clínico caracterizado por acessos febris paroxísticos que ocorrem a cada 48 horas (terçã benigna), iniciando-se com calafrios intensos seguidos de fase de calor com febre alta (até 40°C) e sudorese profusa. Sintomas associados incluem cefaleia, mialgias, artralgias, astenia, náuseas, vômitos e dor abdominal. Ao exame físico, podem ser observados palidez cutâneo-mucosa devido à anemia hemolítica, esplenomegalia (aumento do baço) e, menos comumente, hepatomegalia. A evolução pode ser complicada por anemia severa, especialmente em crianças e gestantes, e por recidivas devido à reativação de hipnozoítos hepáticos. Em casos raros, pode ocorrer malária grave com manifestações como síndrome do desconforto respiratório agudo, coagulopatia ou ruptura esplênica, embora isso seja mais frequente em infecções por P. falciparum.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui início súbito com calafrios intensos, seguidos de febre alta (39-40°C) com duração de 4-6 horas e sudorese profusa, em ciclos de 48 horas (padrão terçã). Sintomas constitucionais como cefaleia, mialgias, artralgias, fadiga, anorexia, náuseas e vômitos são comuns. Sinais físicos podem incluir palidez, esplenomegalia (frequentemente palpável), hepatomegalia leve e, em alguns casos, icterícia devido à hemólise. Em crianças, pode haver convulsões febris. As recidivas, devido à reativação de hipnozoítos, reproduzem o quadro agudo meses ou anos após a infecção inicial. Formas graves são raras, mas podem envolver anemia severa (especialmente em populações vulneráveis), distress respiratório ou complicações esplênicas.
Complicações possíveis
Anemia hemolítica severa
Redução acentuada de hemoglobina devido à lise de eritrócitos infectados e não infectados, podendo requerer transfusão sanguínea.
Esplenomegalia e ruptura esplênica
Aumento do baço com risco de ruptura espontânea ou traumática, uma emergência cirúrgica.
Recidivas tardias
Reaparecimento dos sintomas meses ou anos após a infecção inicial devido à reativação de hipnozoítos hepáticos.
Complicações na gravidez
Risco de aborto, parto prematuro, baixo peso ao nascer e anemia materna severa.
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A malária por Plasmodium vivax é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com alta prevalência na Ásia (especialmente Índia e Sudeste Asiático), América Latina (como Brasil e Colômbia) e partes da África Oriental. Estima-se que cause aproximadamente 7-10 milhões de casos anuais globalmente, representando cerca de 40% dos casos de malária fora da África. Grupos de risco incluem residentes em áreas rurais com alta transmissão, viajantes não imunes, crianças menores de 5 anos, gestantes e populações com acesso limitado a medidas de controle. A transmissão é influenciada por fatores ambientais como clima, presença de vetores Anopheles e condições socioeconômicas. No Brasil, a região Amazônica concentra a maioria dos casos, com sazonalidade relacionada a períodos chuvosos.
Prognóstico
O prognóstico da malária por P. vivax é geralmente bom com tratamento adequado, com baixa letalidade (<0,1%) em comparação com P. falciparum. A recuperação é completa na maioria dos casos, mas recidivas podem ocorrer em até 50% dos pacientes não tratados com terapia radical (incluindo primaquina). Fatores de pior prognóstico incluem atraso no diagnóstico, comorbidades como desnutrição ou imunossupressão, e complicações como anemia severa ou ruptura esplênica. Em gestantes, há risco aumentado de desfechos adversos. A vigilância pós-tratamento é essencial para detectar recidivas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado na suspeita clínica em pacientes com história de exposição em área endêmica, associada a achados de febre paroxística e outros sintomas sugestivos. O padrão-ouro é a demonstração do parasita em esfregaço de sangue periférico (gota espessa e esfregaço delgado), que permite identificar formas assexuadas de P. vivax (trofozoítos anelados, esquizontes e gametócitos) e diferenciar de outras espécies. Critérios laboratoriais incluem: presença de parasitemia detectável no sangue, anemia hemolítica (redução de hemoglobina), trombocitopenia leve a moderada, e elevação de lactato desidrogenase (LDH). Testes rápidos de detecção de antígenos (RDTs) específicos para P. vivax (como pLDH ou aldolase) podem ser usados como auxiliares. Em casos de recidiva, a confirmação pode requerer testes moleculares (PCR) para detecção de DNA parasitário.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Malária por Plasmodium falciparum
Difere pela maior gravidade, com potencial para complicações como malária cerebral, insuficiência renal e alta parasitemia; P. falciparum não forma hipnozoítos.
WHO. Guidelines for the treatment of malaria. 3rd ed. Geneva: World Health Organization; 2015.
Febre tifoide
Caracterizada por febre contínua ou escalonada, bradicardia relativa, roseolas e sintomas gastrointestinais; confirmação por hemocultura ou teste de Widal.
Crump JA, Sjölund-Karlsson M, Gordon MA, Parry CM. Epidemiology, clinical presentation, laboratory diagnosis, antimicrobial resistance, and antimicrobial management of invasive Salmonella infections. Clin Microbiol Rev. 2015;28(4):901-937.
Dengue
Apresenta febre bifásica, cefaleia retro-orbitária, mialgias intensas, exantema e leucopenia; diagnóstico por sorologia ou PCR.
WHO. Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control. Geneva: World Health Organization; 2009.
Leishmaniose visceral
Curso subagudo ou crônico com febre irregular, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e emagrecimento; confirmação por aspiração de medula óssea ou sorologia.
Burza S, Croft SL, Boelaert M. Leishmaniasis. Lancet. 2018;392(10151):951-970.
Sepse bacteriana
Pode mimetizar malária com febre, calafrios e alterações hemodinâmicas; diferenciação por hemocultura e marcadores inflamatórios como procalcitonina.
Singer M, Deutschman CS, Seymour CW, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016;315(8):801-810.
Exames recomendados
Esfregaço de sangue periférico (gota espessa e delgado)
Exame microscópico para detecção e identificação de Plasmodium vivax no sangue.
Confirmação diagnóstica, quantificação da parasitemia e diferenciação de espécies.
Testes rápidos de detecção de antígenos (RDTs)
Imunocromatografia para antígenos como pLDH ou HRP-2 específicos de Plasmodium.
Triagem rápida em settings com recursos limitados; auxilia no diagnóstico precoce.
Hemograma completo
Avaliação de série vermelha, branca e plaquetária.
Detecção de anemia hemolítica, trombocitopenia e leucocitose/leucopenia.
Bioquímica sérica (LDH, bilirrubinas, função renal e hepática)
Dosagem de lactato desidrogenase, bilirrubina total e frações, ureia, creatinina, TGO e TGP.
Avaliação de hemólise, função hepática e renal, e suporte ao diagnóstico diferencial.
Reação em cadeia da polimerase (PCR)
Teste molecular para detecção de DNA de Plasmodium vivax.
Confirmação em casos de baixa parasitemia, diferenciação de espécies e detecção de recidivas.
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Uso de medicamentos como cloroquina ou doxiciclina em viajantes para áreas endêmicas, conforme recomendação médica e perfil de resistência local.
Proteção contra picadas de mosquito
Aplicação de repelentes (ex: DEET), uso de roupas de mangas compridas, e instalação de telas em janelas e portas.
Controle ambiental
Eliminação de criadouros de mosquitos (águas paradas), pulverização intradomiciliar de inseticidas e programas comunitários de vigilância.
Vigilância e notificação
A malária por P. vivax é uma doença de notificação compulsória no Brasil e em muitos países, conforme diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. A vigilância inclui notificação imediata de casos confirmados ou suspeitos aos sistemas de saúde locais (ex: SINAN no Brasil), investigação epidemiológica para identificar fontes de infecção e surtos, e monitoramento de indicadores como incidência e letalidade. Medidas de controle envolvem diagnóstico precoce, tratamento completo (incluindo terapia radical para hipnozoítos), controle de vetores (como uso de mosquiteiros impregnados e pulverização residual) e educação em saúde. Em áreas endêmicas, a vigilância ativa é recomendada para detecção de casos assintomáticos.
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Sim, embora menos comum do que com P. falciparum, a malária por P. vivax pode levar a óbito devido a complicações como anemia severa, ruptura esplênica ou infecções secundárias, especialmente em grupos vulneráveis como crianças e gestantes. O tratamento precoce reduz significativamente o risco.
A primaquina é um hipnozoiticida que elimina as formas dormentes do Plasmodium vivax no fígado (hipnozoítos), prevenindo recidivas tardias. Sem ela, até 50% dos pacientes podem ter reaparecimento dos sintomas meses ou anos depois.
A diferenciação baseia-se no exame de esfregaço de sangue: P. vivax apresenta eritrócitos aumentados com pontuações de Schüffner, trofozoítos em anel e esquizontes com 12-24 merozoítos. Clinicamente, a febre terçã (ciclos de 48h) e recidivas são sugestivas. Testes moleculares (PCR) confirmam a espécie.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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