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CID B52: Malária por Plasmodium malariae
B520
Malária por Plasmodium malariae com nefropatia
B528
Malária por Plasmodium malariae com outras complicações
B529
Malária por Plasmodium malariae sem complicações
Mais informações sobre o tema:
Definição
A malária devida ao Plasmodium malariae é uma doença parasitária infecciosa causada pelo protozoário Plasmodium malariae, transmitida através da picada de fêmeas de mosquitos Anopheles infectados. Esta forma de malária é caracterizada por um ciclo eritrocítico de 72 horas, resultando em febres quartãs, e pode evoluir para uma infecção crônica com parasitemia baixa e persistente. A infecção por P. malariae é menos comum que a causada por P. falciparum ou P. vivax, mas é notável por sua associação com complicações renais, como a síndrome nefrótica, devido à deposição de complexos imunes nos glomérulos. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com casos esporádicos relatados em áreas de baixa transmissão, e afeta principalmente populações rurais com acesso limitado a medidas de controle.
Descrição clínica
A malária por P. malariae apresenta um quadro clínico caracterizado por febres periódicas a cada 72 horas (febre quartã), acompanhadas de calafrios, sudorese, cefaleia, mialgias e astenia. A parasitemia é geralmente baixa, e a doença pode ser assintomática ou leve em muitos casos, mas em indivíduos não imunes ou com comorbidades, pode progredir para formas graves. A infecção crônica é comum, com parasitas persistindo no sangue por anos, e está associada a anemia hemolítica e complicações renais. Em crianças, pode haver retardo do crescimento e desenvolvimento. A apresentação clínica pode ser atípica em áreas endêmicas, com sobreposição de sintomas com outras formas de malária.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui febre alta com picos a cada 72 horas (padrão quartã), precedida por calafrios intensos e seguida de sudorese profusa. Sintomas associados são cefaleia, mialgias, artralgias, náuseas, vômitos e fadiga. Em casos crônicos, pode haver emagrecimento, anemia progressiva e edema periférico devido à nefropatia. Em crianças, manifestações como esplenomegalia e hepatomegalia são comuns. A apresentação pode variar de assintomática a grave, com exacerbações em condições de imunossupressão. Complicações agudas são raras, mas a nefropatia pode evoluir para insuficiência renal crônica se não tratada.
Complicações possíveis
Nefropatia da malária
Glomerulonefrite membranoproliferativa com proteinúria e síndrome nefrótica, podendo evoluir para insuficiência renal crônica.
Anemia hemolítica crônica
Resultante da lise eritrocítica persistente, levando a fadiga, palidez e necessidade de suporte transfusional em casos graves.
Esplenomegalia
Aumento do baço devido à hiperplasia linfoide e sequestro de hemácias, com risco de ruptura em traumas.
Retardo de crescimento em crianças
Associado à infecção crônica e anemia, afetando o desenvolvimento físico e cognitivo.
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A malária por P. malariae tem distribuição global em regiões tropicais e subtropicais, com endemicidade na África Subsaariana, Sudeste Asiático e partes da América do Sul. Representa aproximadamente 1-2% dos casos de malária global, com transmissão sustentada por mosquitos Anopheles. A incidência é maior em áreas rurais com condições favoráveis à reprodução do vetor, e grupos de risco incluem crianças, gestantes e viajantes não imunes. Dados da OMS indicam subnotificação devido à baixa parasitemia e sintomas leves. Medidas de controle, como uso de mosquiteiros e pulverização residual, reduzem a transmissão, mas a persistência de reservatórios humanos mantém a cadeia infecciosa.
Prognóstico
O prognóstico da malária por P. malariae é geralmente bom com tratamento adequado, com baixa mortalidade em comparação a P. falciparum. No entanto, a infecção crônica pode levar a sequelas como nefropatia progressiva e anemia persistente, especialmente em crianças e indivíduos imunodeprimidos. A resolução completa é comum com terapia antimalárica, mas recidivas são raras devido à ausência de estágios hepáticos latentes. Fatores como acesso tardio ao diagnóstico, comorbidades e não adesão ao tratamento podem piorar o prognóstico. Em áreas endêmicas, a carga de doença contribui para morbidade a longo prazo.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se na combinação de achados clínicos e laboratoriais: história de exposição em área endêmica, febre periódica com padrão quartã, e confirmação parasitológica por esfregaço de sangue periférico (gota espessa ou fina) demonstrando trofozoítos de P. malariae (caracterizados por forma em banda ou anel e esquizontes com 6-12 merozoítos). Testes rápidos de detecção de antígenos (RDTs) específicos para P. malariae podem auxiliar, e a PCR é o padrão-ouro para confirmação e diferenciação de espécies. Critérios adicionais incluem achados de anemia hemolítica e, em casos crônicos, evidências de nefropatia com proteinúria. A OMS recomenda a confirmação parasitológica para todos os casos suspeitos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Malária por Plasmodium falciparum
Causa febre irregular ou terçã, com alto risco de complicações graves como malária cerebral e anemia severa; diferenciação por esfregaço sanguíneo mostrando trofozoítos em anel duplo e parasitemia alta.
WHO. Guidelines for the treatment of malaria. 3rd ed. Geneva: World Health Organization; 2015.
Malária por Plasmodium vivax
Apresenta febre terçã (48 horas), com possibilidade de recaídas por hipnozoítos hepáticos; esfregaço mostra trofozoítos ameboides e esquizontes com 12-24 merozoítos.
WHO. World malaria report 2021. Geneva: World Health Organization; 2021.
Febre tifoide
Causa febre contínua ou escalonada, com bradicardia relativa, roseolas e sintomas gastrointestinais; confirmação por hemocultura ou teste de Widal.
Crump JA, Sjölund-Karlsson M, Gordon MA, Parry CM. Epidemiology, clinical presentation, laboratory diagnosis, antimicrobial resistance, and antimicrobial management of invasive Salmonella infections. Clin Microbiol Rev. 2015;28(4):901-937.
Dengue
Caracterizada por febre bifásica, cefaleia retro-orbitária, mialgia intensa e possibilidade de manifestações hemorrágicas; diagnóstico por NS1 antigen ou sorologia.
WHO. Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control. Geneva: World Health Organization; 2009.
Leishmaniose visceral
Apresenta febre irregular, esplenomegalia proeminente, pancitopenia e emagrecimento; confirmação por aspiração de medula óssea ou testes sorológicos.
Burza S, Croft SL, Boelaert M. Leishmaniasis. Lancet. 2018;392(10151):951-970.
Exames recomendados
Esfregaço de sangue periférico (gota espessa e fina)
Exame microscópico para detecção e identificação de parasitas Plasmodium malariae, quantificando a parasitemia.
Confirmação diagnóstica e monitoramento da resposta ao tratamento.
Testes rápidos de detecção de antígenos (RDTs)
Imunocromatografia para detecção de antígenos específicos de P. malariae, como pLDH ou HRP-2.
Triagem rápida em settings de baixo recurso, complementar ao esfregaço.
Reação em cadeia da polimerase (PCR)
Amplificação de DNA parasitário para identificação específica de espécies e detecção de baixas parasitemias.
Confirmação em casos duvidosos, diferenciação de espécies e estudos epidemiológicos.
Hemograma completo
Avaliação de anemia hemolítica, trombocitopenia e leucocitose/leucopenia.
Detecção de complicações hematológicas e monitoramento do estado clínico.
Função renal (ureia, creatinina, proteinúria de 24h)
Dosagem de marcadores renais para avaliar nefropatia associada a P. malariae.
Identificação de síndrome nefrótica ou insuficiência renal precoce.
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Uso de medicamentos como cloroquina ou doxiciclina em viajantes para áreas endêmicas, conforme recomendação médica.
Controle vetorial
Eliminação de criadouros de mosquitos, pulverização intradomiciliar de inseticidas e uso de mosquiteiros tratados.
Educação em saúde
Campanhas para conscientização sobre sintomas, busca precoce de tratamento e medidas de proteção individual.
Vigilância e notificação
A malária por P. malariae é de notificação compulsória em muitos países endêmicos, conforme diretrizes da OMS. Os sistemas de vigilância monitoram casos confirmados por meio de laboratórios de referência, com foco em detecção precoce, investigação de surtos e avaliação da eficácia de intervenções. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados às autoridades sanitárias locais, incluindo dados demográficos, clínicos e parasitológicos. Em áreas não endêmicas, a vigilância é reforçada para casos importados, com rastreamento de contactos e medidas de controle vetorial. A notificação auxilia no planejamento de políticas de saúde pública e na alocação de recursos.
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Raramente fatal em comparação com P. falciparum, mas complicações como nefropatia grave e anemia severa podem levar à morbidade significativa e morte se não tratadas, especialmente em populações vulneráveis.
P. malariae apresenta trofozoítos em forma de banda ou anel compacto, esquizontes com 6-12 merozoítos e parasitemia geralmente baixa, enquanto P. falciparum mostra anéis duplos e parasitemia alta, e P. vivax tem trofozoítos ameboides e esquizontes maiores.
Até o momento, relatos de resistência a cloroquina em P. malariae são raros e esporádicos, mas a vigilância contínua é necessária, e em áreas de suspeita, terapias combinadas baseadas em artemisinina podem ser preferidas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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