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CID A37: Coqueluche

A370
Coqueluche por Bordetella pertussis
A371
Coqueluche por Bordetella parapertussis
A378
Coqueluche por outras espécies da Bordetella
A379
Coqueluche não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A coqueluche, também conhecida como tosse comprida, é uma doença infecciosa aguda do trato respiratório causada pela bactéria Bordetella pertussis. Caracteriza-se por uma tosse paroxística intensa, seguida de um ruído inspiratório característico (guincho) e, frequentemente, vômitos pós-tosse. A fisiopatologia envolve a adesão bacteriana ao epitélio ciliado das vias aéreas, produção de toxinas como a toxina pertussis, que interfere na sinalização celular, levando à inflamação local, acúmulo de muco e dano epitelial, resultando na tosse persistente. Epidemiologicamente, é uma doença de distribuição global, com surtos recorrentes mesmo em áreas com alta cobertura vacinal, afetando principalmente lactentes não vacinados ou parcialmente imunizados, sendo uma causa significativa de morbimortalidade infantil em países em desenvolvimento.

Descrição clínica

A coqueluche apresenta um curso clínico trifásico: fase catarral (1-2 semanas), com sintomas inespecíficos como coriza, espirros, febre baixa e tosse leve; fase paroxística (2-6 semanas), caracterizada por acessos de tosse intensa e repetitiva, seguidos de guincho inspiratório, cianose e vômitos; e fase de convalescença (semanas a meses), com melhora gradual da tosse. Em lactentes, a doença pode ser atípica, com apneia, cianose e pouca tosse, sendo mais grave. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, e o período de incubação é de 7 a 10 dias em média.

Quadro clínico

O quadro clínico típico inclui tosse paroxística com guincho, vômitos pós-tosse, fadiga e cianose durante os acessos. Em lactentes, manifestações comuns são apneia, taquipneia e letargia, sem o guincho característico. Sinais de alerta incluem dificuldade respiratória, desidratação e convulsões. A duração da doença pode estender-se por até 10 semanas, com a tosse persistindo na convalescença. Complicações frequentes em crianças incluem pneumonia, otite média, desidratação, hérnias e, raramente, encefalopatia com sequelas neurológicas.

Complicações possíveis

Pneumonia

Infecção bacteriana secundária ou por aspiração, comum em lactentes, podendo levar a insuficiência respiratória.

Apneia e hipóxia

Episódios de parada respiratória em lactentes, com risco de dano cerebral ou morte.

Convulsões

Relacionadas à hipóxia severa ou encefalopatia.

Desidratação e desnutrição

Devido a vômitos frequentes e dificuldade de alimentação.

Hérnias e fraturas costais

Resultantes do esforço excessivo da tosse paroxística.

Epidemiologia

A coqueluche é endêmica globalmente, com estimativas de 16 milhões de casos e 195.000 mortes anuais em crianças (OMS, 2018). A incidência é maior em lactentes não vacinados, com picos a cada 3-5 anos. No Brasil, a vacinação com DTP reduziu drasticamente os casos, mas surtos ocorrem devido à waning immunity em adolescentes e adultos. A transmissão é por via aérea, com alta contagiosidade (80% em contatos suscetíveis).

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom em crianças mais velhas e adultos, com recuperação completa, embora a tosse possa persistir por meses. Em lactentes <6 meses, a mortalidade é significativa (até 1-2% em áreas sem recursos), principalmente por complicações respiratórias e neurológicas. A vacinação reduz drasticamente a gravidade e a transmissão. Sequelas a longo prazo são raras, mas podem incluir déficits cognitivos em casos de encefalopatia grave.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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