A coqueluche, também conhecida como tosse convulsa, é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Embora frequentemente associada a crianças, a doença também pode afetar adolescentes e adultos, representando um risco significativo para indivíduos vulneráveis, como os bebês.
O diagnóstico precoce, a prevenção por meio da vacinação e o tratamento adequado são essenciais para controlar a propagação da doença e reduzir a gravidade dos sintomas.
O que é a coqueluche e como a Bordetella pertussis causa a doença?
A coqueluche caracteriza-se por episódios intensos de tosse, seguidos por uma inspiração audível e prolongada, que dá origem ao nome popular “tosse convulsa”. Causada pela bactéria Bordetella pertussis, essa infecção afeta as vias aéreas superiores, causando inflamação e secreção excessiva. A bactéria se transmite de uma pessoa para outra por meio de gotículas respiratórias, sendo mais comum durante os primeiros estágios da doença, quando os sintomas iniciais são semelhantes aos de uma infecção viral comum.
Ao entrar no organismo, a Bordetella pertussis adere aos cilios das células epiteliais da traqueia e brônquios, liberando toxinas que danificam as células e comprometem a capacidade de limpar as vias respiratórias. Isso resulta em tosse persistente e, em casos graves, em complicações como pneumonia, convulsões e até morte, especialmente em bebês com menos de 6 meses de idade.
Diagnóstico da coqueluche
O diagnóstico de coqueluche pode ser desafiador, pois seus sintomas iniciais se assemelham aos de uma infecção respiratória comum, como um resfriado. A tosse característica pode demorar a se manifestar, o que dificulta a detecção precoce da doença. No entanto, existem vários métodos laboratoriais que permitem confirmar o diagnóstico de maneira eficaz.
Testes laboratoriais
- Cultura bacteriana: o teste padrão para o diagnóstico de Bordetella pertussis é a cultura bacteriana, na qual amostras da secreção nasofaríngea são coletadas e incubadas para verificar a presença da bactéria. Embora seja altamente específica, a cultura pode demorar vários dias para gerar resultados, o que pode tornar o diagnóstico tardio
- PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): a PCR é uma técnica molecular mais rápida e sensível que detecta o DNA da Bordetella pertussis. Este método permite a identificação precoce, útil durante os primeiros estágios da doença, quando há carga bacteriana elevada
- Teste sorológico: em alguns casos, pode-se utilziar os testes sorológicos para detectar anticorpos contra as toxinas produzidas pela Bordetella pertussis. Esses testes podem ser úteis em estágios mais avançados da doença ou quando os testes diretos não estão disponíveis.
Diagnóstico clínico
O diagnóstico clínico de coqueluche baseia-se em uma combinação de histórico médico, exame físico e a identificação dos sintomas característicos. A doença divide-se em três fases:
- Fase catarral (primeiras 1-2 semanas): sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, como coriza, febre baixa e tosse leve. Nesse estágio, a pessoa é altamente contagiosa, mas a tosse característica ainda não se manifesta
- Fase paroxística (semana 2-6): tosse mais grave, seguida de uma inspiração forte e prolongada, caracterizando a tosse convulsa. Os episódios de tosse podem ser desencadeados por atividades cotidianas, como comer ou falar, e são mais pronunciados à noite
- Fase de convalescença (semana 6-10): a tosse começa a diminuir, mas pode persistir por várias semanas. Embora o risco de transmissão seja menor, a recuperação pode ser lenta.
Prevenção da coqueluche
A principal forma de prevenção da coqueluche é a vacinação. A vacina contra a coqueluche é frequentemente administrada como parte do esquema de vacinação infantil combinado, juntamente com as vacinas contra difteria e tétano, formando a tríplice bacteriana (DTP). A vacinação em adultos também é essencial para prevenir a propagação da doença.
Vacinas contra a coqueluche
- Vacina DTP: a vacina combinada DTP (difteria, tétano e coqueluche) é recomendada para crianças a partir de 2 meses, com doses adicionais aos 4 e 6 meses de idade. Uma dose de reforço é administrada aos 15-18 meses e uma última dose aos 4-6 anos
- Vacina Tdap: para adolescentes e adultos, a vacina Tdap (tétano, difteria e coqueluche acelular) é recomendada. Assim, ela fornece uma proteção adicional contra a coqueluche e é especialmente importante para mulheres grávidas, que podem transmitir a doença para seus bebês ainda não vacinados
- Vacinação em grávidas: a vacinação contra a coqueluche durante a gravidez, preferencialmente entre a 27ª e 36ª semana, oferece proteção tanto para a mãe quanto para o recém-nascido, que ainda não possui imunidade contra a doença. Isso é fundamental, pois os bebês menores de 2 meses são particularmente vulneráveis à coqueluche.
Controle de surtos
Além da vacinação, o controle de surtos de coqueluche envolve estratégias de isolamento de indivíduos infectados, especialmente nas primeiras semanas da doença, quando a transmissão é mais provável.
Dessa forma, em ambientes de saúde e escolas, é fundamental a adoção de medidas de prevenção, como uso de máscara e higiene das mãos, para reduzir a disseminação da doença.
Tratamento da coqueluche
Embora o tratamento da coqueluche tenha como objetivo principalmente aliviar os sintomas e prevenir complicações, ele também pode reduzir o período de transmissão da doença. O tratamento antibiótico é mais eficaz quando iniciado nas fases iniciais da infecção.
Tratamento antibiótico
Os antibióticos recomendados para o tratamento da coqueluche incluem:
- Azitromicina: é o antibiótico de primeira linha e pode ser administrado tanto em crianças quanto em adultos. Ele ajuda a reduzir a transmissão da bactéria e pode aliviar os sintomas se iniciado precocemente
- Claritromicina: outra opção terapêutica, com efeitos semelhantes aos da azitromicina, mas com posologia diferente
- Eritromicina: embora menos utilizada devido aos efeitos colaterais, a eritromicina também é eficaz no tratamento da coqueluche.
Assim, deve-se iniciar o tratamento antibiótico nas primeiras 3 semanas da infecção, ou idealmente durante a fase catarral, para maximizar a eficácia na prevenção da transmissão.
Tratamento sintomático
Além dos antibióticos, o manejo da coqueluche inclui medidas sintomáticas para controlar os episódios de tosse e melhorar o conforto do paciente. Alguns dos tratamentos recomendados incluem:
- Hidratação adequada: manter a criança ou o adulto bem hidratado pode ajudar a aliviar a tosse e prevenir a desidratação, especialmente quando há episódios frequentes de tosse
- Terapias de suporte: pode-se recomendar o uso de um umidificador no ambiente e a administração de antitussígenos (medicamentos para controlar a tosse), mas sempre com orientação médica
- Cuidado hospitalar: em casos graves, especialmente em bebês e crianças pequenas, pode ser necessário o internamento hospitalar para monitoramento, suporte respiratório e administração intravenosa de líquidos.
Complicações da coqueluche
Embora a maioria das pessoas com coqueluche se recupere totalmente, algumas complicações podem ocorrer, principalmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. As complicações mais comuns incluem:
- Pneumonia:a infecção pulmonar secundária é uma complicação grave da coqueluche, podendo levar à insuficiência respiratória
- Convulsões: os episódios de tosse intensa podem causar distúrbios neurológicos, como convulsões em casos mais graves
- Hipotensão: a tosse intensa pode causar queda na pressão arterial, levando a desmaios ou síncope
- Morte: em casos raros, a coqueluche pode levar à morte, especialmente em bebês menores de 6 meses, que são mais suscetíveis a complicações graves.
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Referências bibliográficas
- CORNIA, P. Pertussis in adolescents and adults: treatment and prevention. UpToDate. Acesso em 29 jul. 2025.
- SYLVIA, Y. Pertussis in infants and children: clinical features and diagnosis. UpToDate. Acesso em 29 jul. 2025.
