Redação Sanar
CID A36: Difteria
A360
Difteria faríngea
A361
Difteria nasofaríngea
A362
Difteria laríngea
A363
Difteria cutânea
A368
Outras formas de difteria
A369
Difteria não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A difteria é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, produtora de uma potente exotoxina. Caracteriza-se pela formação de pseudomembranas aderentes, tipicamente na orofaringe, laringe, nariz e, ocasionalmente, em outras mucosas ou pele. A toxina diftérica, ao ser absorvida, pode causar miocardite, neuropatia periférica e outras complicações sistêmicas, com potencial letalidade se não tratada precocemente. A doença tem distribuição global, mas é mais prevalente em regiões com baixa cobertura vacinal, sendo considerada uma infecção prevenível por imunização. A transmissão ocorre principalmente por gotículas respiratórias ou contato direto com secreções de indivíduos infectados ou portadores assintomáticos.
Descrição clínica
A difteria manifesta-se classicamente com início insidioso de febre baixa, mal-estar, dor de garganta e formação de pseudomembranas branco-acinzentadas, aderentes e hemorrágicas na faringe, amígdalas, úvula ou laringe. Pode haver edema cervical significativo ("pescoço de touro"), estridor e obstrução das vias aéreas superiores. A toxina produz efeitos sistêmicos, como miocardite (com arritmias, insuficiência cardíaca) e neuropatia (paralisia do palato mole, oftalmoplegia, paralisia periférica). Formas cutâneas apresentam úlceras cobertas por membranas, mais comuns em climas tropicais.
Quadro clínico
O período de incubação é de 2 a 5 dias. A forma faríngea é a mais comum, com dor de garganta, febre moderada, adenopatia cervical e pseudomembranas. A forma laríngea pode evoluir para obstrução das vias aéreas. Complicações incluem miocardite (geralmente na segunda semana, com taquicardia, hipotensão, bloqueio cardíaco), neuropatia (iniciando com paralisia do palato mole na primeira semana, seguida por oftalmoplegia e paralisia periférica). Formas cutâneas são geralmente mais leves, com úlceras crônicas.
Complicações possíveis
Miocardite
Inflamação do miocárdio por ação da toxina, podendo levar a insuficiência cardíaca, arritmias e morte.
Neuropatia periférica
Paralisia bulbar, oftalmoplegia ou paralisia de membros devido à desmielinização, geralmente reversível.
Obstrução das vias aéreas
Por extensão das pseudomembranas para laringe, causando estridor, dispneia e risco de asfixia.
Nefrite
Comprometimento renal por depósitos de imunocomplexos ou efeito direto da toxina.
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Epidemiologia
A difteria é endêmica em muitas regiões, com surtos associados a baixa cobertura vacinal. Globalmente, a incidência diminuiu drasticamente com a vacinação, mas persiste em áreas como Ásia, África e Leste Europeu. No Brasil, casos são raros devido ao Programa Nacional de Imunizações. A transmissão é por via respiratória ou contato com lesões cutâneas; portadores assintomáticos podem disseminar a bactéria.
Prognóstico
O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento. Com terapia antitóxina e antibióticos precoce, a letalidade é de 5-10%, mas pode ultrapassar 20% em casos não tratados. Complicações cardíacas e neurológicas podem resultar em sequelas a longo prazo. A recuperação é gradual, e a imunidade pós-doença não é permanente, necessitando de vacinação.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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