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CID A03: Shiguelose
A030
Shiguelose devida a Shigella dysenteriae
A031
Shiguelose devida a Shigella flexneri
A032
Shiguelose devida a Shigella boydii
A033
Shiguelose devida a Shigella sonnei
A038
Outras shigueloses
A039
Shiguelose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A shiguelose é uma doença infecciosa aguda do trato gastrointestinal, causada por bactérias do gênero Shigella, pertencente à família Enterobacteriaceae. Caracteriza-se por inflamação da mucosa intestinal, resultando em diarreia aquosa ou disenteria (diarreia com muco e sangue), cólicas abdominais e febre. A transmissão ocorre principalmente via fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados, ou contato direto com pessoas infectadas, sendo altamente contagiosa mesmo com baixa dose infectante (apenas 10 a 100 organismos). Epidemiologicamente, é endêmica em regiões com condições sanitárias precárias, afetando predominantemente crianças em países em desenvolvimento, mas pode ocorrer em surtos em qualquer localidade, com impacto significativo na morbidade e mortalidade infantil.
Descrição clínica
A shiguelose manifesta-se como uma gastroenterite aguda, com início súbito de diarreia, que pode evoluir de aquosa para disentérica (com muco e sangue), acompanhada de dor abdominal em cólica, tenesmo (urgência evacuatória dolorosa), febre, mal-estar e náuseas. Em casos graves, pode haver desidratação, prostração e complicações sistêmicas. A duração varia de 5 a 7 dias, mas em imunocomprometidos ou crianças, o curso pode ser prolongado. A infecção é limitada ao trato gastrointestinal, sem bacteremia comum, mas a toxina Shiga produzida por algumas cepas (e.g., S. dysenteriae tipo 1) pode levar a síndrome hemolítico-urêmica (SHU).
Quadro clínico
O quadro clínico inclui diarreia inicialmente aquosa, evoluindo para disenteria (fezes com muco e sangue), dor abdominal em cólica, tenesmo, febre (38-40°C), náuseas, vômitos ocasionais e mal-estar geral. Sinais de desidratação (e.g., sede, oligúria, pele seca) podem estar presentes. Em crianças, convulsões febris podem ocorrer. Complicações como prolapso retal, megacólon tóxico, bacteremia (rara) e SHU (associada a S. dysenteriae) são possíveis. A resolução espontânea ocorre em 5-7 dias, mas portadores assintomáticos podem persistir por semanas.
Complicações possíveis
Síndrome hemolítico-urêmica (SHU)
Complicação rara associada a S. dysenteriae produtora de toxina Shiga, caracterizada por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda.
Desidratação grave
Perda significativa de fluidos e eletrólitos devido à diarreia profusa, podendo levar a choque hipovolêmico e distúrbios metabólicos.
Megacólon tóxico
Dilatação aguda do cólon com risco de perfuração, mais comum em infecções graves ou imunocomprometidos.
Artrite reativa
Complicação pós-infecciosa, com artrite, conjuntivite e uretrite, associada a antígenos HLA-B27.
Convulsões febris
Ocorrem principalmente em crianças devido à febre alta, sem relação direta com neuroinvasão bacteriana.
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A shiguelose é endêmica globalmente, com maior incidência em regiões tropicais e em desenvolvimento, onde condições sanitárias são precárias. Estima-se 80-165 milhões de casos anuais worldwide, com ~600.000 mortes, principalmente em crianças <5 anos. S. flexneri predomina em países em desenvolvimento, enquanto S. sonnei é comum em áreas industrializadas. Surtos ocorrem em creches, instituições e via contaminação alimentar. Fatores de risco incluem baixo nível socioeconômico, aglomeração e falta de higiene.
Prognóstico
Geralmente favorável, com resolução espontânea em 5-7 dias na maioria dos casos não complicados. O prognóstico piora em crianças, idosos, imunocomprometidos ou na presença de complicações como SHU, onde a mortalidade pode chegar a 5-10%. Sequelas a longo prazo são raras, mas artrite reativa pode persistir por meses. Tratamento antimicrobiano adequado reduz a duração dos sintomas e a transmissão.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais. Critérios clínicos: história de diarreia aguda com muco e/ou sangue, febre e dor abdominal, em contexto epidemiológico sugestivo. Confirmação laboratorial: isolamento de Shigella em cultura de fezes (meio seletivo como MacConkey ou SS agar), com identificação bioquímica e sorológica. Testes moleculares (e.g., PCR) podem detectar genes de virulência. Critérios da OMS incluem diarreia disentérica em área endêmica ou surto. Em casos complicados, exames imageológicos ou histológicos podem ser necessários.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Amebíase
Infecção por Entamoeba histolytica, causando disenteria semelhante, mas com evolução mais insidiosa e possível formação de abscessos hepáticos; diferenciada por exame de fezes para cistos/trofozoítos ou sorologia.
WHO. Amoebiasis. 2021.
Colite por Campylobacter
Gastroenterite bacteriana com diarreia sanguinolenta e febre, mas often associada a consumo de aves mal cozidas; diagnóstico por cultura de fezes ou PCR.
CDC. Campylobacteriosis. 2020.
Colite por Escherichia coli enteroinvasiva (EIEC)
Infecção que mimetiza shiguelose com invasão mucosa e disenteria; diferenciada por testes moleculares ou cultura.
UpToDate. Shigella infection: Clinical manifestations and diagnosis. 2023.
Doença inflamatória intestinal (DII)
Condições crônicas como colite ulcerativa ou doença de Crohn, com diarreia sanguinolenta recorrente, mas sem febre aguda; requer história clínica, colonoscopia e biópsia.
ACG Clinical Guideline: Ulcerative Colitis in Adults. 2019.
Salmonelose não tifoide
Gastroenterite com diarreia, febre e dor abdominal, mas menos comum disenteria; diferenciada por cultura de fezes e ausência de tenesmo proeminente.
WHO. Salmonella (non-typhoidal). 2018.
Exames recomendados
Cultura de fezes
Coleta de amostra fecal para isolamento de Shigella em meios seletivos; padrão-ouro para confirmação etiológica.
Identificar a espécie de Shigella e guiar terapia antimicrobiana.
Teste molecular (PCR)
Detecção de genes de virulência de Shigella (e.g., ipaH) em fezes; método rápido e sensível.
Diagnóstico rápido em surtos ou casos graves, especialmente quando a cultura é negativa.
Hemograma completo
Avaliação de leucocitose com desvio à esquerda, possibilidade de anemia em casos hemorrágicos.
Detectar sinais de infecção bacteriana e complicações hemorrágicas.
Eletrólitos séricos e função renal
Dosagem de sódio, potássio, ureia e creatinina para avaliar desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos.
Manejo da reidratação e monitoração de complicações como insuficiência renal.
Exame parasitológico de fezes
Pesquisa de parasitos como Entamoeba histolytica para diagnóstico diferencial.
Excluir amebíase e outras causas de disenteria.
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Melhoria do abastecimento de água potável, tratamento de esgoto e controle de vetores para reduzir transmissão fecal-oral.
Educação em higiene
Promoção de lavagem das mãos, higiene alimentar e práticas seguras de preparo de alimentos em comunidades de risco.
Controle de surtos
Isolamento de casos, rastreamento de contatos e desinfecção de superfícies em ambientes institucionais durante epidemias.
Vigilância e notificação
A shiguelose é de notificação compulsória em muitos países, incluindo o Brasil, devido ao potencial epidêmico. Vigilância envolve monitoramento de surtos, investigação de casos e contatos, e notificação aos sistemas de saúde pública (e.g., SINAN no Brasil). Medidas incluem isolamento de casos até cultura negativa, educação em higiene e controle de fontes de contaminação. Em surtos, recomenda-se notificação imediata para implementação de medidas de controle.
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Sim, a shiguelose é altamente contagiosa, transmitida via fecal-oral através de água, alimentos contaminados ou contato direto com pessoas infectadas. Medidas de higiene são cruciais para prevenção.
Crianças menores de 5 anos, idosos, imunocomprometidos e pessoas em áreas com saneamento precário têm maior risco de infecção grave e complicações.
Não, casos leves podem resolver espontaneamente, mas antibióticos são recomendados para reduzir a duração dos sintomas, a transmissão e prevenir complicações, especialmente em grupos de risco.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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