O CID é a base para registros clínicos, laudos e faturamento. Nosso sistema facilita a busca rápida e precisa do código certo, com sinônimos e filtros médicos atualizados.
Escolher o CID correto evita glosas e retrabalho. Com a nossa ferramenta, você encontra o código ideal em segundos, direto pela descrição clínica — sem abrir PDF ou manual extenso.
Use nosso buscador inteligente para encontrar o CID mais adequado com base no termo clínico, especialidade ou condição do paciente. Tudo validado com a CID-10 da OMS e atualizações nacionais.
CID A01: Febres tifóide e paratifóide
A010
Febre tifóide
A011
Febre paratifóide A
A012
Febre paratifóide B
A013
Febre paratifóide C
A014
Febre paratifóide não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
As febres tifóides e paratifóides são doenças infecciosas sistêmicas agudas causadas por bactérias do gênero Salmonella, especificamente Salmonella enterica sorotipo Typhi (febre tifoide) e Salmonella enterica sorotipos Paratyphi A, B e C (febres paratifóides). Essas enfermidades são caracterizadas por um quadro clínico que inclui febre alta sustentada, cefaleia, mal-estar, anorexia, bradicardia relativa, esplenomegalia, manchas rosadas no tronco (roséolas) e, em casos graves, complicações intestinais como hemorragia ou perfuração. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas, sendo mais prevalente em regiões com saneamento básico inadequado. A febre tifoide é uma importante causa de morbidade e mortalidade em países em desenvolvimento, com impacto significativo na saúde pública devido ao seu potencial epidêmico e ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana.
Descrição clínica
A febre tifoide e paratifoide manifestam-se tipicamente após um período de incubação de 7 a 14 dias (variando de 3 a 60 dias). O início é insidioso, com febre que aumenta progressivamente, associada a sintomas constitucionais como cefaleia, mal-estar, mialgias e anorexia. A febre pode tornar-se contínua e alta (39-40°C), com bradicardia relativa (dissociação pulso-temperatura). Outros sinais incluem esplenomegalia, hepatomegalia, tosse não produtiva e, em cerca de 30% dos casos, exantema maculopapular evanescente (roséolas) no tronco. Complicações graves podem ocorrer na segunda ou terceira semana, como hemorragia ou perfuração intestinal, encefalopatia, miocardite e choque séptico. As formas paratifóides geralmente têm curso mais brando, mas podem mimetizar a tifoide.
Quadro clínico
O quadro clínico evolui em fases: fase prodrômica (1-7 dias) com febre baixa, cefaleia e mialgias; fase de estado (2-3 semanas) com febre alta sustentada, bradicardia relativa, esplenomegalia, hepatomegalia, roséolas no tronco, e sintomas gastrointestinais como dor abdominal, diarreia ou constipação; e fase de convalescença (após 4 semanas) com resolução gradual dos sintomas. Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, sangramento retal, alteração do estado mental e instabilidade hemodinâmica, indicando complicações. Em crianças e idosos, a apresentação pode ser atípica, com predominância de sintomas respiratórios ou neurológicos.
Complicações possíveis
Hemorragia intestinal
Sangramento gastrointestinal devido a ulcerações profundas nas placas de Peyer; pode levar a anemia aguda e choque hemorrágico.
Perfuração intestinal
Ruptura da parede intestinal, geralmente no íleo terminal; resulta em peritonite e sepse, com alta mortalidade se não tratada cirurgicamente.
Miocardite
Inflamação do miocárdio induzida por toxinas bacterianas; manifesta-se por arritmias, insuficiência cardíaca ou morte súbita.
Encefalopatia
Comprometimento neurológico com confusão, delirium ou coma; associado à liberação de citocinas e efeitos diretos da endotoxina.
Portador crônico
Estado assintomático com excreção persistente de Salmonella na bile ou fezes por mais de um ano; comum em indivíduos com colelitíase ou imunossupressão.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A febre tifoide é endêmica em regiões com saneamento precário, como partes da Ásia, África e América Latina, com estimativa global de 11-20 milhões de casos e 128.000-161.000 mortes anuais (OMS). A incidência é maior em crianças e adultos jovens. As febres paratifóides respondem por cerca de 5-10% dos casos semelhantes. No Brasil, a doença é de notificação compulsória, com surtos esporádicos relacionados a contaminação hídrica ou alimentar. Fatores de risco incluem viagens a áreas endêmicas, consumo de alimentos crus e condições de aglomeração.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento antimicrobiano adequado, com taxa de mortalidade inferior a 1% em casos não complicados. Em complicações como perfuração intestinal ou choque séptico, a mortalidade pode chegar a 10-30%. Fatores de mau prognóstico incluem atraso no tratamento, extremos de idade, comorbidades (ex.: HIV, desnutrição) e infecções por cepas multirresistentes. A recuperação completa pode levar semanas, e sequelas como astenia prolongada são comuns. Portadores crônicos requerem tratamento prolongado para erradicação.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Critérios incluem: febre prolongada (≥3 dias) com sintomas constitucionais e gastrointestinais, história de viagem ou residência em área endêmica. Confirmação laboratorial por hemocultura (padrão-ouro, positiva principalmente na primeira semana), coprocultura (positiva a partir da segunda semana), mielocultura (alta sensibilidade), ou sorologia (teste de Widal, porém com baixa especificidade). A detecção de antígenos ou DNA bacteriano por métodos moleculares (ex.: PCR) é útil em casos suspeitos com culturas negativas. Diretrizes da OMS e da Sociedade Brasileira de Infectologia recomendam a confirmação microbiológica sempre que possível.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Malária
Doença febril aguda causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitida por picada de mosquito; compartilha febre alta, mas typically apresenta padrão cíclico de febre, calafrios e sudorese, com achados de hemácias parasitadas no esfregaço de sangue periférico.
WHO. Guidelines for the treatment of malaria. 3rd ed. Geneva: World Health Organization; 2015.
Dengue
Infecção viral transmitida por Aedes aegypti; caracterizada por febre de início abrupto, cefaleia intensa, dor retroorbital, mialgias, artralgias e exantema; pode evoluir para formas hemorrágicas com trombocitopenia e extravasamento plasmático.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 3ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.
Brucelose
Infecção bacteriana causada por Brucella spp., transmitida por contato com animais ou produtos contaminados; apresenta febre ondulante, sudorese profusa, astenia, e envolvimento de múltiplos órgãos como fígado e baço.
Ariza J, et al. Current understanding and management of chronic hepatosplenic suppurative brucellosis. Clin Infect Dis. 2001;32(7):1024-33.
Tuberculose miliar
Forma disseminada de tuberculose causada por Mycobacterium tuberculosis; cursa com febre prolongada, perda de peso, sudorese noturna e envolvimento pulmonar e extrapulmonar; diagnóstico por imagem (infiltrados miliares) e cultura.
WHO. Guidelines on the management of latent tuberculosis infection. Geneva: World Health Organization; 2015.
Febre Q
Infecção por Coxiella burnetii, transmitida por inalação de aerossóis de animais; manifesta-se com febre alta, cefaleia, mialgias e pneumonia atípica; diagnóstico sorológico ou por PCR.
Maurin M, Raoult D. Q fever. Clin Microbiol Rev. 1999;12(4):518-53.
Exames recomendados
Hemocultura
Coleta de sangue para isolamento e identificação de Salmonella Typhi ou Paratyphi; é o método mais sensível na primeira semana de doença.
Confirmação diagnóstica e orientação terapêutica baseada em antibiograma.
Coprocultura
Cultura de fezes para detecção de Salmonella; positiva a partir da segunda semana e pode persistir em portadores crônicos.
Auxiliar no diagnóstico e identificar portadores assintomáticos.
Teste de Widal
Sorologia para detecção de anticorpos aglutinantes contra antígenos O e H de Salmonella; útil em contextos de recursos limitados, mas com baixa especificidade.
Triagem em áreas endêmicas, porém requer interpretação cautelosa devido a reações cruzadas.
PCR em tempo real
Detecção de DNA bacteriano em amostras de sangue, fezes ou medula óssea; oferece alta sensibilidade e rapidez.
Diagnóstico rápido em casos suspeitos com culturas negativas ou para detecção de cepas resistentes.
Biópsia de medula óssea com cultura
Cultura de aspirado ou biópsia de medula óssea; considerada o método mais sensível, mesmo após início de antibioticoterapia.
Confirmação em casos complicados ou com hemoculturas repetidamente negativas.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Melhoria do abastecimento de água potável, esgotamento sanitário e controle de resíduos para reduzir a contaminação fecal-oral.
Higiene alimentar
Cocção completa de alimentos, evitar consumo de produtos crus (ex.: frutos do mar), e lavagem adequada de frutas e verduras.
Educação comunitária
Campanhas de conscientização sobre lavagem das mãos, manejo seguro de fezes e reconhecimento precoce de sintomas.
Vigilância e notificação
No Brasil, as febres tifóides e paratifóides são de notificação compulsória imediata (dentro de 24 horas) ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância envolve investigação de casos e surtos, com coleta de amostras para confirmação laboratorial e rastreamento de contactantes. Medidas de controle incluem educação em saúde, melhoria do saneamento básico, e em áreas endêmicas, vacinação seletiva. A OMS recomenda vigilância ativa em regiões de alta endemicidade para monitorar tendências e resistência antimicrobiana.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
O período de incubação varia de 3 a 60 dias, mas typically é de 7 a 14 dias após a exposição a Salmonella Typhi ou Paratyphi.
Sim, a transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados com fezes de indivíduos infectados ou portadores; não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa pelo ar.
As complicações mais graves incluem hemorragia intestinal, perfuração intestinal (que pode levar a peritonite), miocardite, encefalopatia e choque séptico, com potencial aumento da mortalidade se não tratadas prontamente.
A prevenção inclui vacinação (com vacina oral Ty21a ou injetável Vi polissacarídica), consumo de água engarrafada ou fervida, evitar alimentos crus ou mal cozidos, e práticas rigorosas de higiene das mãos.
Sim, recidivas podem ocorrer em 5-10% dos casos, geralmente dentro de 2-3 semanas após o término do tratamento, devido à persistência bacteriana; portadores crônicos também podem reativar a infecção.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...