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CID A01: Febres tifóide e paratifóide

A010
Febre tifóide
A011
Febre paratifóide A
A012
Febre paratifóide B
A013
Febre paratifóide C
A014
Febre paratifóide não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

As febres tifóides e paratifóides são doenças infecciosas sistêmicas agudas causadas por bactérias do gênero Salmonella, especificamente Salmonella enterica sorotipo Typhi (febre tifoide) e Salmonella enterica sorotipos Paratyphi A, B e C (febres paratifóides). Essas enfermidades são caracterizadas por um quadro clínico que inclui febre alta sustentada, cefaleia, mal-estar, anorexia, bradicardia relativa, esplenomegalia, manchas rosadas no tronco (roséolas) e, em casos graves, complicações intestinais como hemorragia ou perfuração. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas, sendo mais prevalente em regiões com saneamento básico inadequado. A febre tifoide é uma importante causa de morbidade e mortalidade em países em desenvolvimento, com impacto significativo na saúde pública devido ao seu potencial epidêmico e ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana.

Descrição clínica

A febre tifoide e paratifoide manifestam-se tipicamente após um período de incubação de 7 a 14 dias (variando de 3 a 60 dias). O início é insidioso, com febre que aumenta progressivamente, associada a sintomas constitucionais como cefaleia, mal-estar, mialgias e anorexia. A febre pode tornar-se contínua e alta (39-40°C), com bradicardia relativa (dissociação pulso-temperatura). Outros sinais incluem esplenomegalia, hepatomegalia, tosse não produtiva e, em cerca de 30% dos casos, exantema maculopapular evanescente (roséolas) no tronco. Complicações graves podem ocorrer na segunda ou terceira semana, como hemorragia ou perfuração intestinal, encefalopatia, miocardite e choque séptico. As formas paratifóides geralmente têm curso mais brando, mas podem mimetizar a tifoide.

Quadro clínico

O quadro clínico evolui em fases: fase prodrômica (1-7 dias) com febre baixa, cefaleia e mialgias; fase de estado (2-3 semanas) com febre alta sustentada, bradicardia relativa, esplenomegalia, hepatomegalia, roséolas no tronco, e sintomas gastrointestinais como dor abdominal, diarreia ou constipação; e fase de convalescença (após 4 semanas) com resolução gradual dos sintomas. Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, sangramento retal, alteração do estado mental e instabilidade hemodinâmica, indicando complicações. Em crianças e idosos, a apresentação pode ser atípica, com predominância de sintomas respiratórios ou neurológicos.

Complicações possíveis

Hemorragia intestinal

Sangramento gastrointestinal devido a ulcerações profundas nas placas de Peyer; pode levar a anemia aguda e choque hemorrágico.

Perfuração intestinal

Ruptura da parede intestinal, geralmente no íleo terminal; resulta em peritonite e sepse, com alta mortalidade se não tratada cirurgicamente.

Miocardite

Inflamação do miocárdio induzida por toxinas bacterianas; manifesta-se por arritmias, insuficiência cardíaca ou morte súbita.

Encefalopatia

Comprometimento neurológico com confusão, delirium ou coma; associado à liberação de citocinas e efeitos diretos da endotoxina.

Portador crônico

Estado assintomático com excreção persistente de Salmonella na bile ou fezes por mais de um ano; comum em indivíduos com colelitíase ou imunossupressão.

Epidemiologia

A febre tifoide é endêmica em regiões com saneamento precário, como partes da Ásia, África e América Latina, com estimativa global de 11-20 milhões de casos e 128.000-161.000 mortes anuais (OMS). A incidência é maior em crianças e adultos jovens. As febres paratifóides respondem por cerca de 5-10% dos casos semelhantes. No Brasil, a doença é de notificação compulsória, com surtos esporádicos relacionados a contaminação hídrica ou alimentar. Fatores de risco incluem viagens a áreas endêmicas, consumo de alimentos crus e condições de aglomeração.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento antimicrobiano adequado, com taxa de mortalidade inferior a 1% em casos não complicados. Em complicações como perfuração intestinal ou choque séptico, a mortalidade pode chegar a 10-30%. Fatores de mau prognóstico incluem atraso no tratamento, extremos de idade, comorbidades (ex.: HIV, desnutrição) e infecções por cepas multirresistentes. A recuperação completa pode levar semanas, e sequelas como astenia prolongada são comuns. Portadores crônicos requerem tratamento prolongado para erradicação.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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