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CID A04: Outras infecções intestinais bacterianas

A040
Infecção por Escherichia coli enteropatogênica
A041
Infecção por Escherichia coli enterotoxigênica
A042
Infecção por Escherichia coli enteroinvasiva
A043
Infecção por Escherichia coli enterohemorrágica
A044
Outras infecções intestinais por Escherichia coli
A045
Enterite por Campylobacter
A046
Enterite devida a Yersinia enterocolítica
A047
Enterocolite devida a Clostridium difficile
A048
Outras infecções bacterianas intestinais especificadas
A049
Infecção intestinal bacteriana não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A categoria A04 do CID-10 abrange infecções intestinais bacterianas não especificadas em outras categorias, como A00 (cólera), A01 (febres tifóide e paratifóide), A02 (outras infecções por Salmonella), A03 (shiguelose) e A05 (outras intoxicações alimentares bacterianas). Essas infecções são causadas por uma variedade de bactérias patogênicas, incluindo Escherichia coli enteropatogênica, Campylobacter jejuni, Yersinia enterocolitica e outras, que podem levar a gastroenterites agudas com sintomas como diarreia, dor abdominal, náuseas e vômitos. A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral, através do consumo de água ou alimentos contaminados, e é mais comum em regiões com saneamento básico inadequado. O impacto clínico varia de casos leves e autolimitados a formas graves, especialmente em crianças, idosos e imunocomprometidos, podendo resultar em desidratação significativa e complicações sistêmicas. Epidemiologicamente, essas infecções são prevalentes globalmente, com surtos associados a condições socioeconômicas desfavoráveis e exposições ocupacionais ou ambientais, representando uma carga substancial para a saúde pública, particularmente em países em desenvolvimento.

Descrição clínica

As infecções intestinais bacterianas nesta categoria manifestam-se tipicamente como gastroenterite aguda, com início súbito de diarreia aquosa ou sanguinolenta, cólicas abdominais, náuseas, vômitos e febre. A diarreia pode ser secretória ou inflamatória, dependendo do patógeno envolvido, e a duração dos sintomas geralmente varia de alguns dias a uma semana. Em casos graves, observa-se desidratação, eletrólitos séricos alterados e, raramente, síndromes como a síndrome hemolítico-urêmica associada a certas cepas de E. coli. O exame físico pode revelar dor à palpação abdominal, sinais de desidratação (como taquicardia, hipotensão e pele seca) e, em infecções por Yersinia, artralgias ou eritema nodoso. A apresentação clínica é influenciada pela virulência bacteriana, carga infecciosa e fatores do hospedeiro, como idade e estado imunológico.

Quadro clínico

O quadro clínico inicia-se abruptamente com diarreia, que pode ser aquosa, mucoide ou sanguinolenta, acompanhada de dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos e febre baixa a moderada. Sintomas constitucionais como mal-estar, anorexia e fadiga são comuns. Em infecções por Campylobacter, a diarreia pode ser sanguinolenta e associada a tenesmo, enquanto em Yersinia enterocolitica, pode haver dor no quadrante inferior direito simulando apendicite (pseudoapendicite) e manifestações extraintestinais como artrite reativa. A desidratação é uma complicação frequente, com sinais de hipovolemia em casos graves. A resolução espontânea ocorre em 3-7 dias na maioria dos casos, mas em crianças pequenas, idosos ou imunodeprimidos, o curso pode ser prolongado com risco de desnutrição e sepse.

Complicações possíveis

Desidratação grave

Perda excessiva de fluidos e eletrólitos devido à diarreia e vômitos, podendo levar a choque hipovolêmico, acidose metabólica e insuficiência renal aguda.

Síndrome hemolítico-urêmica

Complicação associada a E. coli produtora de Shiga, caracterizada por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda, com alta morbidade em crianças.

Artrites reativas

Manifestação pós-infecciosa, especialmente após infecção por Campylobacter ou Yersinia, com artrite, conjuntivite e uretrite, mediada por resposta imune.

Bacteremia e sepse

Disseminação hematogênica do patógeno, mais comum em imunocomprometidos ou idosos, podendo evoluir para sepse com falência de múltiplos órgãos.

Desnutrição

Perda prolongada de nutrientes e redução da absor intestinal em casos crônicos, afetando principalmente crianças em desenvolvimento.

Epidemiologia

As infecções intestinais bacterianas da categoria A04 são causas comuns de gastroenterite em todo o mundo, com incidência anual estimada em dezenas a centenas de milhões de casos. São endêmicas em regiões tropicais e em desenvolvimento, onde condições sanitárias precárias favorecem a transmissão fecal-oral. Surtos são frequentes em comunidades, creches e após desastres naturais. Campylobacter jejuni é uma das principais causas bacterianas de diarreia em países industrializados, enquanto E. coli patogênica é predominante em áreas endêmicas. Crianças menores de 5 anos, idosos e viajantes são grupos de alto risco. Dados da OMS indicam que doenças diarreicas são uma das principais causas de mortalidade infantil global, com bactérias responsáveis por uma parcela significativa. No Brasil, a vigilância é feita através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), com notificação obrigatória para surtos.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos casos resolvendo espontaneamente em 5-7 dias sem sequelas. No entanto, em populações vulneráveis (crianças, idosos, imunossuprimidos), o risco de complicações como desidratação grave, síndrome hemolítico-urêmica ou sepse pode levar a hospitalização, sequelas renais ou óbito. A mortalidade é baixa (<1%) em settings adequados, mas aumenta em surtos em áreas com acesso limitado a cuidados de saúde. Fatores de mau prognóstico incluem atraso no diagnóstico, comorbidades subjacentes e infecções por cepas altamente virulentas. A recuperação completa é a regra, mas artrites reativas podem persistir por semanas a meses.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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