A desnutrição tem forte impacto negativo na morbimortalidade dos pacientes admitidos nas unidades de terapia intensiva. Assim, a nutrição parenteral aparece como alternativa extremamente comum, sobretudo, para aqueles com trato digestivo inutilizável.
O que é a nutrição parenteral?
Nela, a administração de nutrientes ocorre diretamente na corrente sanguínea, através de veias calibrosas centrais.
A via parenteral dá a certeza de que o imunonutriente atinge a circulação na dose certa, o que nem sempre é possível de prever quando se trata da via enteral em um paciente grave.
Quais as indicações da nutrição parenteral?
Antes de qualquer suporte nutricional, é importante que o paciente esteja estável hemodinamicamente.
Além disso, a nutrição parenteral costuma ser indicada nos casos de contraindicação absoluta para a via enteral ou quando a meta nutricional não puder ser alcançada apenas com uso do TGI.
Indicações de curto prazo (até 1 mês)
| Trauma graves | Remoção de grande parte do ID |
| Cirurgias complexas | Mal formações congênitas graves |
| Doença ulcerativa crônica | Câncer |
| Fístula de alto débito | Enterotomia proximal |
Indicações de longo prazo (>1 mês)
| Síndrome do intestino curto | Doença de Crohn grave |
| Fase paliativa do câncer | Cirurgias múltiplas |
| Pseudo oclusão crônica | Atrofia de mucosa com má-absorção persistente |
Quais as complicações da nutrição parenteral?
Apesar da grande importância no cuidado intensivo, a nutrição parenteral também está sujeita a complicações.
Parte delas estão relacionados ao acesso venoso central e outras metabólicas.
Complicações relacionadas ao acesso central
| Pneumotórax | Embolia gasosa pelo cateter |
| Hemotórax | Trombose venosa |
| Quilotórax | Embolia por fragmento de cateter |
Complicações metabólicas
| Hiperglicemia | Hipertrigliceridemia |
| Hipofosfatemia | Esteatose hepática |
| Hipocalemia | Colestase |
| Hipercapnia | Colecistopatia calculosa |
Síndrome da Realimentação
Os pacientes desnutridos que são alimentados de forma rápida e excessiva podem desenvolver alterações hidroeletrolíticas graves, como hipofosfatemia, hipomagnesia, hipocalemia e deficiência de vitaminas.
Fisiologia da Síndrome da Realimentação
A inanição e baixa ingestão de carboidratos causa redução na secreção de insulina, que, por sua vez, faz com que as gorduras e proteínas sejam catabolizadas para produção de energia.
Nesse estado, as proteínas de transporte da membrana celular não funcionam da forma adequada, resultando na baixa de eletrólitos intracelulares.
Porém, quando o paciente começa a se alimentar, ocorre aumento súbito da produção de insulina e energia. Assim, a partir do bom funcionamentos das bombas, há grande captação de fosfato e potássio, causando hipofosfatemia e hipopotassemia.
A falta de potássio plasmático é responsável pela alteração da biconcavidade das hemácias e, com isso, sua destruição na microcirculação. Então, ocorre quadro de insuficiência orgânica e morte em 60% dos casos.
Prevenção da Síndrome da Realimentação
A melhor maneira de prevenir é iniciar com apenas metade do previsto de acordo com o peso do paciente, e ir avançando ao mesmo tempo em que monitoriza os níveis séricos dos eletrólitos.

Referências
- David Seres, MD. Nutrition support in critically ill patients: Parenteral nutrition. Disponível em < https://bit.ly/3iOTuvg >. UpToDate
- AZEVEDO, Luciano César Pontes de; TANIGUCHI, Leandro Utino; LADEIRA, José Paulo; MARTINS, Herlon Saraiva; VELASCO, Irineu Tadeu. Medicina intensiva: abordagem prática. [S.l: s.n.], 2018.
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