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Vulvovaginites: Como diferenciar as enfermidades deste grupo | Colunistas

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Vulvovaginites 

A Vulvovaginite é um processo inflamatório, que acomete o trato genital inferior (Vulva, paredes vaginais, Ectocervice). Outro ponto importante é lembrar que o Ph vaginal é ácido entre 4.0 é 4.5 e na maioria das Vulvovaginites vai estar alterado. O epitélio escamoso da vagina é rico em glicogênio e serve de substrato para os lactobacilos, tornando o ambiente ácido. Também é importante salientar que, os lactobacilos produzem peróxido de Hidrogênio, que ajudam a impedir a proliferação das bactérias anaeróbias. 

 O conteúdo normal vaginal é composto por: 

*transudato 

*muco cervical 

*células originais descamadas 

*leucócitos 

*microorganismos 

*flora vaginal normal 

*lactobacilos  

*streptococcus agalantiae 

 staphylococcus epidermidis 

*bactérias anaeróbias (Gardnerella,Enterococo e Mycoplasma) 

– O PH normal da vagina é de 4 a 4,5, lactobacilos produzem ácido lático, fazendo com que PH da vagina seja ácido, servindo para a proteção e evitando proliferação patogênica dos germes.

Vaginose bacteriana

É a vaginite mais comum, geralmente acometida pela Bactéria Gardnerella Vaginalis. O que acontece é que, há uma diminuição nos Lactobacilos, levando a uma diminuição do Peróxido de Hidrogênio, aumentando as bactérias Gram-positivas negativas anaeróbias ocorrendo uma disbiose. 

– Para diagnosticar como Vaginose bacteriana tem que ter pelo menos 3 características dessas citadas nos Critérios de Amsel.

– Critérios de Amsel: corrimento branco acidentado, PH vaginal maior que 4 e meio, teste das aminas positivo, Clue cells  no exame a fresco de secreção vaginal. Sendo que os 3 primeiros podem ser encontrados também na Tricomoníase. Então, se tiver inflamação e esses sintomas eu penso em Tricomoníase porque Vaginose não causa inflamação. 

Fatores de risco: 

*múltiplos parceiros 

*Uso de o uso de duchas 

*tabagismo 

*Raça Negra

*gravidez prévia

Quadro clínico:

– Não é uma patologia inflamatória, apresenta um corrimento vaginal branco, fino, bolhoso ou não, com odor de peixe podre pelas aminas voláteis, não tem disúria, nem inflamação, nem dispareunia.

Sintomas

* mais evidentes pós coito ou pós menstruação. 

* Diagnóstico: critério de Amnsel+ coloração de gram+ citologia. 

*Tratamento: Metronidazol 500 miligramas de 12 em 12 horas por 7 dias ou via vaginal por 5 noites. 

 Segunda opção: clindamicina 300 miligramas 12 em 12 horas por 7 dias gestante no primeiro trimestre —clindamicina segundo o terceiro trimestre metronidazol complica ações pode favorecer o aparecimento de dip,pode causar quadros de endometriose, febre pós parto, aborto o tratamento de pacientes assintomáticas não costuma ser indicado. 

Candidíase

A Candidíase é a segunda vulvovaginite de acometimento mais comum, perdendo somente para Vaginose bacteriana. 

Quadro clínico:

Inflamação, Prurido vulvar, Queimação, corrimento branco, espesso, grumoso, Dispaurenia e Disúria.

Diagnóstico:

anamnese, exame físico, microscopia e cultura em casos recorrentes. 

– Parceiro só é tratado se tiver sintomas(balanopostite).

Tratamento: 

1- Miconazol creme 7 dias ou

2- Fluconazol 100 mg via oral dose única 

3- Itroconazol 200 miligramas via oral de 12 em 12 horas ou em caso recorrente Fluconazol 1,4,7 dias e depois uma vez por semana por 6 meses. 

4- Gestante: Miconazol ou Nistatina creme vaginal

 Tricomoníase

O Trichomonas Vaginalis é um flagelado protozoário anaeróbio facultativo, e é considerado uma IST não viral mais prevalente.

Quadro clínico:

Odor fétido, Sinusorragia, Disúria, Dispareunia, Sangramento pós relação, queimação colo do útero em Colpite (colo em framboesa). 

Diagnóstico:

anamnese, exame físico, colpite, PH maior que 4.5, o teste das aminas positivo, microscopia flagelado. 

Tratamento:

antibiótico sistêmico- Metronidazol dose única 2 g via oral ou 500 miligramas 12/12 horas -7 dias. Em gestante usar Metronidazol oral independente do trimestre da gestação. 

– Parceiros deve-se avaliar e tratar. 

Vaginose descamativa

Quadro inflamatório

só na vagina, com Vaginite purulenta crônica que ocorre na ausência de processo inflamatório cervical superior, é mais comum no período de transição da menopausa. 

Diagnóstico:

conteúdo vaginal purulento e em grande quantidade, PH alcalino, microscopia com o processo descamativo intenso, fllora vaginal com ausência de lactobacilos e aumento dos leucócitos.

Tratamento:

clindamicina creme vaginal 2% 5g, via vaginal por 7 dias, pode associar a estrógeno tópico diário por 2 semanas. 

 Vaginite citolítica

-Corrimento caracterizado por aumento excessivo de lactobacilos que leva a citólise, liberando a substância irritativa e escassez de leucócitos.

-Aumento dos lactobacilos se dá geralmente por gestação, diabetes ou fase lútea do ciclo menstrual.

Quadro clínico:

muito parecido com candidíase vaginal, prurido, disúria, PH entre 3.5 e 4.5.

-Microscopia com aumento de lactobacilos, citólise.

Tratamento:

alcalinizar a vagina(duchas vaginais com 30 a 60 g de bicarbonato de sódio em 1 l de água morna 2 a 3 vezes por semana).

 Vaginite atrófica

– Ocorre devido à deficiência de estrógeno.

Fatores de risco

menopausa radioterapia  e quimioterapia, o Ooforectomia, pós parto.

Sintomas:  

Prurido vulvar, ardência, disúria, polaciúria ,hematúria e repetição. 

Diagnóstico:

clínico, laboratorial com PH maior que 5, microscopia, aumento de células basais, aumento de leucócitos, ausência de microrganismos patógenos. 

Tratamento:

reposição hormonal local com estrógeno tópico. 

Conclusão

Entender o diagnóstico diferencial desse grupo composto por várias enfermidades, é de suma importância para evitar equívocos. O texto buscou focar em pontos Chaves, para facilitar o entendimento e aclarar o manejo desse grupo tão comum, na prática diária da medicina. 

Autora: Flavia Cristina Rodrigues de Sena

@flaviasena87

Referências Bibliográficas

  • CDC- Centers for Disease Control and Prevention – CDC. STD treatment guidelines: diseases characterized by vaginal discharge [Internet]. Washington, D.C.: CDC; 2015. Disponível em: https://www.cdc.gov/std/tg2015/vaginal-discharge.htm
  • FEBRASGO- Manual de orientação Trato genital inferior, 2019.
  • PASSOS, E. P. et al. Rotinas em ginecologia. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
  • SCHORGE & Col – Ginecologia de Williams. Ed.AMGH LTDA, 1ª edição, 2011.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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