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Vírus nipah | Colunistas

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  O Nipah é um vírus da família Paramyxoviridae, que surgiu na Malásia em 1994 causando graves infecções tanto em animais quanto em humanos, entretanto, descrita com Nipa Vírus apenas em 1998. Tanto o vírus Nipah (NiV) quanto o vírus Hendra, vem da mesma família e da mesma região (da Malásia) e geralmente a tranmissão ocorre inicialmente de morcego para porcos, e logo depois de porcos para humanos. Não são somente esses animais que podem ser acometidos, porém os mais comuns.

            Os primeiros casos humanos foram diagnosticados com encefalite Japonesa e causou grandes surtos na Malásia, Indonésia, Bangladesh, Singapura e Índa. Inicialmente afetando morcegos, cavalos e humanos, a enfermidade já foi encontrada em alguns animaishumanos, como cães, gatos e cabras.

Vírus Nipah

            O NiV apresentou é uma zoonose, que causou surtos em alguns países, onde o hospedeiro incial natural é o morcego frugívoro (gênero Pteropus ), que ao comerem parcialmente uma fruta, deixa saliva com o vírus armazenado. Essas frutas podem ser comidas por outros animais ou serem dadas a outros animais, como procos, que incialmente eram os responsáveis por passarem a infecção em humanos. Após a descoberta de que o vírus vinha de morcegos e porcos, as pessoas foram ensinadas e orientadas a tomarem medidas de segurança. As pessoas receberam educação sanitária para prevenir que o vírus se espalhasse. O Niv se manifesta mais frequentes em homens adultos, porém sua forma de transmissão varia de cada região, dependendo da alimentação do morcego. O que tambem pode variar é o hospedeiro do vírus, não necessariamente precisando ser o morcego. Estudos comprovaram transmissão direta entre humanos e cavalos. Seu período de incubação em humanos variou de 4 dias a 2 meses, onde a lesão neurológica foi multifocal

            A enfermidade pode ser transmitida tanto de animal para humano quanto de humano para humano, por este motivo possui alta virulência, o que gerou grandes surtos e é considerado até mesmo agente potencial para bioterrorismo.

            Esse vírus geralmente causa danos no sistema nervoso como encefalite (característica única da infecção), porém pode desenvolver características psiquiátricas (depressão e alterações de personalidade), envolvimento respiratório (pneumonia associada à ventilação mecânica e angústia respiratória aguda) e pode levar a morte.

            São conhecidas duas cepas, a NiV-MY (originária da Malásia) e  a NiV-BD (de Bangladesh). De forma funcional, as duas são indistinguíveis, porém estudos realizados em macacos comprovara que a NiV-BD é mais patológica que a NiV-MY.

            O NiV também possui seis genes que codificam para proteína de fusão (F), glicoproteína (G), proteína de matriz (M), nucleocapsídeo (N), fosfoproteína (P que codifica várias proteínas acessórias importantes conhecidas como C, V e W) e proteína polimerase (L).  A proteína C regula a síntese de RNA viral e fator de virulência. As proteínas V e W são cruciais para a virulência, e essas proteínas atuam inibindo a ativação de um promotor induzível por interferon.

            Com a chegada do coronavírus, enfermidades provenientes de morcegos foram estudadas mais abrangentemente. A Chefe do Departamento de Bioquímica Molecular e Celular da Universidade de Kentucky nos EUA, Dr. Rebecca Dutch afirmou que o vírus Nipah (NiV) poderia causar a próxima epidemia. O NiV possui alta taxa de mortalidade, o que poderia causar ainda mais mortes que o coronavírus. A cada ano a OMS analisa doenças que podem causar emergências na saúde pública, a NiV está entre as dez que apresentam maior risco à saúde humana.

Morfologia

                As partículas de NiV apresentam forma pleomorfica, esférica, filamentosa e podem variar em tamanho (de 40 a 1.900nm), com genoma de RNA de fita simples de sentido negativo. Apresenta camada única de projeção de superfície com um comprimento médio de aproximadamente 1nm.

Sintomas

Os sintomas variam de leve a grave, podendo os pacientes apresentarem:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Tontura e vômitos;
  • Quadro de encefalite grave;
  • Nível de consciência reduzido e sinais proeminentes de disfunção do tronco cerebral;
  • Reflexo anormal do olho (olho de boneca);
  • Reflexos pupilares;
  • Alterações vasomotoras;
  • Convulsões e espasmos mioclônicos;
  • Morte (taxa de mortalidade 45 a 75%).   

Fatores de risco

O contato e o consumo de animais infectados são os fatores responsáveis ​​pela transmissão do NiV. A infecção por NiV entre suínos e humanos provavelmente ocorreu por via respiratória. O controle e o estudo experimental também comprovam a via oral e respiratória como as principais vias de transmissão do NiV.

Diagnóstico

O vírus Nipah pode ser diagnosticado por:

Isolamento do vírus;

Histopatologi;

Imunohistoquímica;

Testes sorológicos e de diagnóstico molecular.

LCR humano, sangue, esfregaços nasais e da garganta, urina e biópsia durante a fase aguda são as amostras escolhidas para o isolamento de NiV.

Tratamento

As medidas de tratamento foram são apenas de suporte e consistirem em anticonvulsivantes, tratamento de infecção secundária, ventilação mecânica e reabilitação. Quando desconhecido, o surto na Malásia, pouco se sabia sobrecomo tratar, e o tratamento empírico foi iniciado com a ribavirina, escolhida por sua atividade de amplo espectro contra vírus de DNA e RNA e sua capacidade de cruzar a barreira hematoencefálica. 

A ribavirina foi estudada em um pequeno número de pessoas. Não sendo comprovoda se era útil, embora tenha sido eficaz em algumas pessoas, o que gerou resultados conflitantes. 

Prevenção

            Algumas vacinas são capazes de proteção e prevenção, e são usadas em animais de pequeno porte e primatas não humanos. Essas usam um vetor do vírus da estomatite vesicular, entretanto ainda não é comprovadamente eficaz em porcos e cavalos, os principais causadores endêmicos.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Infeção pelo Vírus Nipah- https://journals.asm.org/doi/full/10.1128/JCM.01875-17 Nipah Virus- https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/231963/WER7736_297-299.PDF Tendências emergentes do vírus Nipah: uma revisão- https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/rmv.2010

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