Anúncio

Um resumo sobre cervicite por clamídia | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Cervicite são processos infecciosos e inflamatórios dentro do canal endocervical ou inflamações da mucosa endocervical do epitélio colunar do colo uterino.

É transmitido, predominantemente, pelo contato sexual ou através da passagem pelo canal de parto. Tem um período de incubação de 10 a 14 dias. 

Cervicite por clamídia: agente etiológico

A cervicite por Chlamydia trachomatis é a infecção sexualmente transmissível (IST) bacteriana mais prevalente do mundo.

É um bacilo Gram-negativo intracelular obrigatório com tropismo pelas células epiteliais da conjuntiva, uretra, endocérvice e tuba. 

Clamídia é um dos agentes mais comum das cervicites e é um dos patógenos primários da doença inflamatória pélvica (DIP). Tem 17 sorotipos diferentes, os sorotipos D a K são responsáveis pelas infecções geniturinárias, e os L1, L2 e L3 são responsáveis pelo linfogranuloma venéreo.

Epidemiologia

Conforme o Guidelines elaborado pela Organização Mundial de Saúde, em 2012, ocorreram 131 milhões de novos casos de clamídia entre a população adulta e adolescentes de 15 a 49 anos. A taxa de incidência global foi de 38 casos por 1.000 mulheres e 33 casos por 1.000 homens. 

Algumas ISTs são de notificação compulsória obrigatória, conforme a portaria nº 1.271, de 6 de junho de 2014, porém a cervicite por clamídia não está incluída neste grupo, portanto os dados referentes a doença são escassos no Brasil, dificultando assim uma epidemiologia exata no âmbito nacional.

Cervicite por clamídia: quais são os fatores de risco?

Os fatores associados à prevalência de cervicite por clamídia são:

  • mulheres sexualmente ativas com idade inferior a 25 anos,
  • novos parceiros sexuais,
  • múltiplos parceiros sexuais,
  • mulheres com parceiros com IST,
  • história prévia ou presença de outra IST e
  • o uso irregular de preservativos.

Manifestação clínica

As infecções são assintomáticas, em torno de 70% a 80%. Nos casos sintomáticos as principais queixas são:

  • corrimento vaginal,
  • secreção mucopurulenta;
  • sangramento intermenstrual, pois como o colo se apresenta friável e sensível pode apresentar esse tipo sangramento aleatório ou pós coito;
  • dispareunia;
  • disúria;
  • polaciúria;
  • urgência miccional;
  • prurido;
  • dor cônica, que pode sugerir comprometimento do trato genital acima do orifício interno do colo uterino.

Exame físico

Ao exame físico, é observado o colo uterino edemaciado, eritematoso e friável que ao toque da espátula ou swab pode apresentar facilmente um sangramento.

Uma secreção mucopurulenta pode estar presente no orifício do colo uterino e também dor durante à mobilização do colo, pode ser relatada quando houver evolução para um quadro de DIP.

É importante lembrar que a ausência de secreção mucopurulenta fluida não exclui a possibilidade de cervicite se outros sintomas estiverem presentes. 

Cervicite por clamídica: como é o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado basicamente pela clínica e um exame físico minucioso. Em casos duvidosos, pode ser solicitado a detecção do material genético dos agentes infecciosos por biologia molecular, apesar de ser um exame padrão ouro para identificação da clamídia na secreção vaginal, não se trata de um exame de rotina para determinação da cervicite por clamídia.

Tratamento para cervicite por clamídia

Na primeira consulta, se a mulher apresenta suspeita diagnóstica de uma cervicite seja por gonococo ou por clamídia, deve-se ser tratada de forma empírica, especialmente se já apresenta fatores de risco para ISTs ou se não é possível assegurar o acompanhamento.

O tratamento da cervicite por clamídia consiste em:

1ª escolha

– Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, Via Oral (VO), dose única.

2ª escolha

– Doxiciclina 100mg, VO, 2x ao dia, por 7 dias, exceto em gestantes.

Em casos de gestantes e nutrizes,

o tratamento será:

– Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única.

Importante que todos os parceiros dos últimos 60 dias sejam tratados com dose única, para evitar a reinfecção e as mulheres devem se abster de relações sexuais até que sua infecção e de seus parceiros sexuais sejam eliminadas.

E como existe à possibilidade de coinfecção e desenvolvimento de DIP, justifica-se que o tratamento seja combinado para clamídia e gonorreia (Ceftriaxona 500mg, Intramuscular (IM), dose única) em todos os casos.

Complicações

As principais complicações da cervicite por clamídia, quando não tratadas, incluem:

  • dor pélvica crônica,
  • DIP,
  • gravidez ectópica e
  • infertilidade.

Já as gestantes podem apresentar:

  • aumento do risco de parto prematuro,
  • ruptura de membranas ovulares,
  • perdas fetais,
  • retardo do crescimento intrauterino,
  • febre puerperal e
  • endometrite puerperal.  

Como se trata de uma infecção de transmissão vertical, o risco de contaminação aos recém-nascidos é em torno de 30 a 50%. A principal complicação para os recém-nascidos é a conjuntivite.

Prevenção

  • Informar e esclarecer dúvidas sobre as ISTs e suas prevenções;
  • Ofertar testes para HIV, sífilis, hepatite B, gonorreia e clamídia (quando disponíveis);
  • Preservativos e gel lubrificante;
  • Ofertar vacinação contra hepatite B;
  • Profilaxia pós exposição sexual para o HIV, quando indicado;
  • Convocar e tratar as parcerias sexuais.

Autora: Katty Carolinne Lêdo Vieira Felix.

Instagram: @kattyledo

Mapa mental sobre cervicite por clamídia

Autora do mapa mental: Julia Resende de Oliveira.

Revisor do mapa mental: Marcelo Loureiro de Souza.

Instagram da Liga autora do mapa mental: @lacmedunesa


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Sugestão de leitura

Referência Bibliográfica

  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília – DF, 2015.
  • MIRANDA, A. E. et. al. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: infecções que causam cervicite. Revista do Sistema Único de Saúde do Brasil. v. 30, spe1, 2021. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/ress/a/gDYMGYkLjvCkFZP5DJndhQk/?format=pdf⟨=pt > Acesso em: 03 de novembro 2021.
  • COREN – Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Protocolo de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde – Módulo 1: Saúde da Mulher. São Paulo – SP, 2019.
  • World Health Organization – Who Guidelines for the Treatment of Chlamydia trachomatis. 2016 – 2021.

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀