Um em cada quatro brasileiros já apostou alguma vez na vida, e cerca de 4% da população já preenche critérios para o transtorno do jogo. Com a popularização das apostas online, o assunto deixou de se restringir ao futebol e passou a fazer parte da rotina dos consultórios médicos e ambulatórios de saúde ocupacional.
Neste artigo, você vai entender como identificar o transtorno do jogo, reconhecer os principais sinais de perda de controle das apostas, acolher os pacientes e orientar o encaminhamento para tratamento, com base em evidências científicas e materiais oficiais do Ministério da Saúde.
Apostas online: como o acesso facilitado mudou o cenário no Brasil
Apostar não é uma prática recente. Há milhares de anos, diferentes civilizações já registravam jogos de azar. No Brasil, as corridas de cavalo movimentavam apostas desde o século XIX, e loterias, bingos e jogos populares também fazem parte da história do país.
O que mudou foi a facilidade de acesso. Com a Lei nº 13.756/2018, que autorizou as apostas de quota fixa, e a Lei nº 14.790/2023, que regulamentou o setor, as plataformas de apostas online ganharam espaço no país.
A publicidade intensa, o patrocínio de times de futebol e a divulgação por influenciadores ampliaram ainda mais a exposição da população. Atualmente, qualquer pessoa com acesso à internet pode utilizar plataformas de apostas a qualquer hora do dia.
Um paciente atendido na rede pública resumiu essa diferença: “é pior do que a droga, porque a droga você tem que ir até lá procurar. O jogo não: você tá assistindo televisão, tá passando anúncio do jogo”. O relato está presente no Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, publicado pelo Ministério da Saúde.
O impacto das apostas na saúde pública brasileira
O crescimento das apostas online também representa um desafio para a saúde pública. Segundo o Banco Central, os brasileiros gastaram, em média, R$ 20 bilhões por mês com apostas em 2024.
Os dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), realizado em 2023, também ajudam a dimensionar o problema:
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Brasileiros que já apostaram alguma vez na vida | 25,9% |
| Pessoas com 14 anos ou mais que apostaram no último ano | 18% |
| População com padrão de jogo de risco ou problemático | 8% |
| População que preenche critérios para transtorno do jogo | 4% |
| Atendimentos no SUS por jogo patológico entre janeiro de 2018 e maio de 2025 | 10.553, com alta de 104% no período |
| Pessoas com problemas relacionados ao jogo que apresentam outro transtorno mental | Até 75%, segundo estudos internacionais citados pelo Ministério da Saúde |
As apostas esportivas já são a segunda modalidade mais comum no país, atrás apenas das loterias. No Sistema Único de Saúde (SUS), a maior parte dos atendimentos acontece na Atenção Primária, especialmente entre pessoas de 20 a 49 anos, faixa que concentra grande parte da população economicamente ativa.
Outro dado importante é que, em 2024, 43% dos atendidos eram mulheres. Esse número demonstra que os problemas relacionados às apostas não se restringem ao público masculino.
Por que é tão difícil parar de apostar?
A dificuldade para interromper as apostas não deve ser interpretada apenas como falta de força de vontade. O transtorno do jogo envolve alterações nos mecanismos cerebrais relacionados ao processamento de recompensas, à percepção de riscos e ao controle dos impulsos.
O papel da dopamina e do sistema de recompensa
A expectativa de ganhar ativa o sistema cerebral de recompensa, mediado principalmente pela dopamina. O problema é que esse mecanismo pode favorecer a repetição do comportamento, mesmo quando as perdas financeiras e emocionais são significativas.
Nesse contexto, a pessoa passa a perseguir a possibilidade de ganhar novamente. Em vez de interromper as apostas após uma perda, pode sentir ainda mais necessidade de continuar jogando para recuperar o dinheiro.
Distorções cognitivas relacionadas às apostas
Algumas distorções cognitivas são frequentes em pessoas com problemas relacionados ao jogo:
- Ilusão de controle: acreditar que conhece o funcionamento do jogo e consegue identificar o momento certo para apostar.
- Viés de confirmação: lembrar principalmente das vitórias e desconsiderar as perdas, utilizando ganhos pontuais como justificativa para continuar apostando.
- Efeito da quase vitória: interpretar uma aposta perdida por pouca diferença como um sinal de que está próximo de ganhar.
Como as plataformas de apostas estimulam o comportamento
As plataformas utilizam estratégias como bônus de entrada, apostas promocionais, microapostas e créditos oferecidos aos usuários. Esses recursos podem reforçar a percepção de controle e incentivar a continuidade das apostas.
O Ministério da Saúde relaciona essas estratégias aos chamados determinantes comerciais da saúde, que envolvem práticas de mercado capazes de influenciar comportamentos e afetar a saúde da população.
O resultado pode ser um ciclo de perdas e novas apostas: a pessoa perde dinheiro, tenta recuperar o prejuízo, acumula novas perdas e passa a recorrer a empréstimos ou recursos destinados a outras despesas.
Por isso, quando já existe perda de controle, uma das estratégias de prevenção é reduzir a exposição aos gatilhos e interromper o acesso às plataformas, em vez de tentar manter as apostas sob controle por meio de limites informais.
Transtorno do jogo: quando apostar se torna um problema de saúde mental?
O transtorno do jogo é reconhecido pelo DSM-5-TR como o único transtorno aditivo comportamental do capítulo dedicado aos transtornos relacionados a substâncias e transtornos aditivos.
A condição apresenta características semelhantes às dependências químicas, como tolerância, sintomas de abstinência e recaídas.
O diagnóstico é clínico, ou seja, não depende de exames laboratoriais ou de imagem. De acordo com os critérios do DSM-5-TR, é necessário apresentar quatro ou mais dos nove critérios abaixo em um período de 12 meses, associados a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo:
- Necessidade de apostar quantias cada vez maiores para alcançar a excitação desejada.
- Inquietação ou irritabilidade ao tentar reduzir ou interromper as apostas.
- Tentativas repetidas e malsucedidas de controlar, reduzir ou parar de apostar.
- Pensamentos frequentes sobre apostas, incluindo lembranças de jogadas anteriores, planejamento de novas apostas ou busca por dinheiro para jogar.
- Utilização das apostas como forma de escapar de problemas ou aliviar sentimentos de tristeza, culpa e ansiedade.
- Retorno às apostas após perdas financeiras, na tentativa de recuperar o dinheiro.
- Mentiras para esconder a frequência ou a intensidade do envolvimento com apostas.
- Comprometimento ou perda de relacionamentos, empregos ou oportunidades de estudo em razão do jogo.
- Dependência de outras pessoas para conseguir dinheiro e solucionar problemas financeiros causados pelas apostas.
Diferença entre jogo recreativo e transtorno do jogo
Nem toda pessoa que aposta apresenta um transtorno. O guia do Ministério da Saúde descreve diferentes níveis de envolvimento com o jogo, enquanto a cartilha da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) apresenta características que ajudam a diferenciar o jogo recreativo do transtorno do jogo.
| Aspecto | Jogo recreativo | Transtorno do jogo |
|---|---|---|
| Frequência | Esporádica | Frequente e crescente |
| Controle | Define e respeita limites | Perde o controle do tempo e do dinheiro |
| Motivação | Diversão e socialização | Alívio emocional e comportamento compulsivo |
| Diante das perdas | Aceita o resultado e para | Continua apostando para recuperar o dinheiro |
| Relação com a família | Transparente | Mente ou omite informações |
| Consequências | Nenhuma ou mínimas | Dívidas, conflitos e sofrimento |
Entre esses dois extremos, também existem o jogo de baixo risco, que pode apresentar consequências negativas pontuais, e o jogo problemático, caracterizado por diferentes prejuízos, mas sem necessariamente preencher todos os critérios diagnósticos.
Nos registros do SUS, são utilizados os códigos CID-10 F63.0 (jogo patológico) e Z72.6 (mania de jogo e aposta). Na CID-11, o transtorno do jogo corresponde ao código 6C50.
Como identificar o vício em apostas durante a consulta médica?
Nem sempre o paciente procura atendimento relatando dificuldades para controlar as apostas. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem por meio de queixas de insônia, ansiedade, conflitos familiares, endividamento ou sintomas depressivos.
A vergonha e a culpa também podem dificultar a identificação do problema. Por isso, é importante que o médico aborde o tema de maneira direta, acolhedora e sem julgamentos.
Perguntas para investigar problemas relacionados às apostas
A cartilha da ABEAD sugere perguntas que podem ser incorporadas à anamnese:
- Você já tentou parar ou diminuir as apostas e não conseguiu?
- As apostas já causaram problemas no trabalho, nos estudos ou na família?
- Já utilizou empréstimos, cartão de crédito ou dinheiro destinado a outras despesas para apostar?
- Você já mentiu para esconder quanto tem apostado?
Autoteste para identificar problemas com apostas
O Guia de Cuidado do Ministério da Saúde também apresenta um autoteste com quatro perguntas. Cada resposta positiva vale um ponto, considerando o comportamento nas últimas quatro semanas:
- Você já tentou parar, reduzir ou controlar o jogo três vezes ou mais?
- Depois de perder, voltou em outro dia para tentar recuperar o dinheiro?
- Já apostou para aliviar sentimentos de culpa, ansiedade, impotência ou tristeza?
- Ao tentar parar ou reduzir as apostas, ficou inquieto ou irritado?
De acordo com o guia, duas ou mais respostas positivas indicam a necessidade de acolhimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), com possibilidade de encaminhamento ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Quatro pontos indicam alto risco de transtorno do jogo.
É importante destacar que o autoteste não estabelece um diagnóstico. Sua função é facilitar a identificação de possíveis problemas e orientar a avaliação profissional.
Para investigar a gravidade do comportamento, o guia também apresenta o PGSI (Índice de Gravidade do Jogo Problemático), instrumento composto por nove itens.
Atenção ao risco de suicídio: ao investigar problemas relacionados às apostas, o médico também deve perguntar sobre pensamentos de morte e ideação suicida. O transtorno do jogo está associado ao aumento desse risco, e a pressão provocada pelo endividamento pode agravar o sofrimento emocional.
Tratamento para o transtorno do jogo: como acolher e encaminhar o paciente?
O transtorno do jogo tem tratamento, e o primeiro passo é oferecer acolhimento. Como a taxa de abandono do acompanhamento é elevada, a abordagem inicial deve ser empática e livre de julgamentos, favorecendo o estabelecimento de um vínculo com o paciente.
Onde buscar atendimento pelo SUS?
Na rede pública, o cuidado é organizado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com encaminhamentos definidos de acordo com a gravidade do quadro.
| Situação identificada | Local de atendimento |
|---|---|
| Preocupação, irritabilidade ou insônia, sem grandes prejuízos | UBS (Atenção Primária), com escuta e estratégias de redução de danos |
| Sofrimento intenso, conflitos familiares e prejuízos financeiros ou profissionais | Cuidado compartilhado entre UBS, CAPS e assistência social (CRAS) |
| Perda de controle, risco de suicídio ou endividamento extremo | CAPS, serviços de urgência (SAMU 192 e UPA) e leito em hospital geral, conforme a necessidade |
Um ponto importante do guia do Ministério da Saúde é que a pessoa não precisa apresentar uso de outras substâncias ou ideação suicida para receber atendimento. Os problemas relacionados às apostas, por si só, já justificam o acolhimento e o cuidado em saúde.
Quais são as principais estratégias de tratamento?
O tratamento pode envolver diferentes abordagens, conforme as necessidades e a gravidade do quadro.
- Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental (TCC) apresenta as melhores evidências disponíveis, com acompanhamento semanal ou até duas vezes por semana no início do tratamento.
- Grupos de mútua ajuda: os Jogadores Anônimos oferecem reuniões presenciais e online, possibilitando o compartilhamento de experiências e o apoio entre pessoas que enfrentam problemas semelhantes.
- Tratamento medicamentoso: a naltrexona é o medicamento com maior evidência disponível até o momento. Também é importante identificar e tratar possíveis comorbidades, como depressão e ansiedade.
- Proteção financeira e digital: medidas como bloqueio de sites de apostas, autoexclusão nas plataformas legalizadas, limites para transferências via PIX e gestão compartilhada do internet banking podem ajudar a reduzir o acesso ao jogo, sempre com consentimento do paciente.
- Apoio familiar: envolver familiares e pessoas de confiança pode fortalecer a rede de apoio e contribuir para a continuidade do tratamento. A família também pode sofrer os impactos do transtorno e precisa de acolhimento.
A importância da autoexclusão das plataformas de apostas
A autoexclusão é uma estratégia que permite ao usuário bloquear seu acesso às plataformas de apostas legalizadas. Entretanto, os primeiros dias sem acesso podem ser acompanhados de ansiedade, fissura e procura por plataformas alternativas.
Por isso, esse período exige acompanhamento mais próximo dos profissionais de saúde, e não o encerramento do cuidado.
Em situações de crise emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito, 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.
Transtorno do jogo no ambiente de trabalho: o papel da medicina ocupacional
A faixa etária mais atendida pelo SUS por problemas relacionados às apostas está entre 20 e 49 anos, o que também coloca a saúde ocupacional em evidência.
Muitas vezes, os primeiros sinais do transtorno não aparecem no consultório psiquiátrico, mas no ambulatório da empresa, no setor de Recursos Humanos (RH) ou na relação com as lideranças.
Quais sinais de problemas com apostas podem aparecer no trabalho?
Entre os principais sinais que merecem atenção estão:
- Queda no desempenho profissional, atrasos e faltas sem explicação clara.
- Uso frequente do celular durante o expediente para acompanhar resultados e conferir cotações de apostas.
- Sono insuficiente e cansaço, especialmente em pessoas que apostam durante a madrugada.
- Pedidos recorrentes de adiantamento salarial, empréstimos consignados ou dinheiro emprestado de colegas.
- Irritabilidade, isolamento e conflitos com outros integrantes da equipe.
Em atividades que exigem atenção constante, como condução de veículos, operação de máquinas e trabalhos em altura, a privação de sono e a desatenção podem aumentar o risco de acidentes.
O caminho inverso também merece atenção: desemprego, instabilidade profissional, trabalho precário e sobrecarga são fatores de vulnerabilidade para problemas relacionados às apostas, segundo o guia do Ministério da Saúde.
Transtorno do jogo é uma questão de saúde, não apenas de conduta
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ainda prevê a prática constante de jogos de azar como hipótese de justa causa, conforme o artigo 482, alínea l.
Entretanto, o transtorno do jogo é reconhecido como uma condição de saúde mental pelo DSM-5-TR e pela Classificação Internacional de Doenças (CID).
O reconhecimento da condição como transtorno mental reforça a importância de uma abordagem clínica, que priorize o cuidado e a avaliação individualizada, em vez de tratar toda situação exclusivamente como um desvio de conduta.
Nesse cenário, o médico do trabalho tem um papel importante na identificação de sinais, na proteção da saúde do trabalhador e no encaminhamento adequado.
O que o médico do trabalho pode fazer?
Algumas medidas podem contribuir para a identificação precoce e o acolhimento de trabalhadores com problemas relacionados às apostas:
- Investigar: incluir perguntas sobre apostas na anamnese ocupacional, junto a outros fatores relacionados à saúde, como consumo de álcool, tabagismo e qualidade do sono.
- Proteger o sigilo: preservar as informações clínicas do trabalhador. Ao empregador, cabe receber as informações necessárias sobre a aptidão ocupacional, respeitando as regras de confidencialidade.
- Encaminhar: orientar a busca por atendimento na rede pública, em UBS e CAPS, no plano de saúde, em programas de apoio ao empregado ou em grupos de mútua ajuda. Quando houver incapacidade, avaliar a necessidade de afastamento.
- Considerar os riscos psicossociais: integrar fatores como pressão por metas, jornadas extensas e insegurança profissional à gestão de riscos ocupacionais, conforme as diretrizes da NR-1 e do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
- Promover educação em saúde: desenvolver campanhas, ações na SIPAT e treinamentos para lideranças, com foco no reconhecimento dos sinais e no acolhimento sem julgamentos.
O que todo médico precisa saber sobre o transtorno do jogo?
A popularização das apostas online criou uma exposição sem precedentes a comportamentos que podem comprometer a saúde mental, a estabilidade financeira e as relações sociais.
O transtorno do jogo é uma condição reconhecida, que exige identificação precoce, acolhimento e tratamento adequado. Para os médicos, o primeiro passo é investigar o comportamento de apostar durante a consulta, ouvir o paciente sem julgamentos e oferecer um caminho para o cuidado.
Mais do que identificar o problema, é fundamental compreender que por trás das apostas compulsivas existe uma pessoa que precisa de assistência em saúde.
Nota sobre o uso de inteligência artificial
Este artigo foi elaborado com o auxílio da ferramenta de inteligência artificial generativa Claude (Anthropic), utilizada para pesquisa normativa, estruturação do conteúdo e redação, a partir de diretrizes e validações técnicas fornecidas pela autora.
Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de cuidado para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. Brasília: MS, 2026.
- ABEAD; UFRGS; UNIVATES. Cartilha para profissionais da saúde: dicas práticas para reduzir riscos e prevenir problemas com apostas. Porto Alegre: ABEAD, 2025.
- ABEAD; UFRGS; UNIVATES. Quando o jogo deixa de ser diversão: um guia para retomar o controle. Porto Alegre: ABEAD, 2025.
- AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2022.
- BANCO CENTRAL DO BRASIL. Análise técnica sobre o mercado de apostas online no Brasil e o perfil dos apostadores. Estudo Especial nº 119/2024.
- UNIFESP. LENAD III: Caderno temático de jogos de aposta na população brasileira — Resultados 2023. São Paulo: Unifesp, 2025.
- BRASIL. Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023.