Confira neste post o que você precisa saber sobre os tipos de miopia e as possibilidades de tratamento!
Quantos graus você usa? é para perto ou para longe? Quem usa óculos, vira e mexe escuta essas perguntas. Aí você explica que tem miopia e que esse é um erro refrativo que dificulta a visão de longe devido a convergência dos raios luminosos em um foco antes da retina!
Uaaauuu, Parabéns, falou difícil e falou bonito! Mas aí alguém te questiona: E Qual tipo de miopia? E agora? Continue lendo e descubra os tipos de miopia que existem para que você possa explicar para os curiosos.
Estruturas da visão
Como sempre, vamos revisar um pouco da anatomia e lembrar para que servem as estruturas dos olhos.
O olho é uma caixinha cheia de lentes e com índices de refração diferentes. Mas o que seria o índice de refração? De forma mais simples você pode imaginar que o índice de refração é uma dificuldade que o meio oferece para a passagem do raio de luz.
Assim, o índice de refração “ dificuldade” que o ar oferece para a passagem de luz é menor que o índice de refração “ dificuldade” que a água oferece para a passagem dessa mesma luz. Você deve lembrar que quando um raio de luz incide de forma oblíqua em uma superfície e refrata para outra, esse raio sofre um desvio. Cada lente do nosso olho possui um índice de refração e a capacidade de desviar essa luz, convergi-la para um único ponto na retina.
Quando os raios se encontram nesse ponto na retina, há a formação da imagem. Isso seria o fisiológico! Imagem em um ponto na retina é imagem bem formada! Porém, quando há alguma alteração nessas lentes, essa luz converge de forma errada, a imagem não se forma da maneira correta e a isso chamamos de Erros refrativos.
Resumo da anatomia
- Cornea= camada mais cristalina e externa, muito inervada e nada vascularizada
- Íris= membrana pigmentada, vascularizada e com abertura central
- Pupila= abertura central da íris por onde entra a luz no olho
- Cristalino= Lente convergente natural
- Retina= membrana fotorreceptora que capta a imagem e leva a informação ao Nervo óptico para a interpretação no cérebro.
Entre a córnea e a íris há um espaço chamado Câmara anterior e entre a íris e o Cristalino há o espaço chamado Câmara posterior. Essas Câmaras são repletas de Humor aquoso, um líquido que lubrifica, preenche e nutre as estruturas adjacentes. Ou seja, nesses espaços a luz vai penetrar sofrendo um leve desvio.
Entre o Cristalino e a Retina temos o humor vítreo, também um líquido, mais espesso que preenche o globo ocular e permite a maior convergência dessa luz para um ponto na retina.
Se quiser saber mais sobre a anatomia e fisiologia ocular clique aqui: https://www.sanarmed.com/anatomia-e-fisiologia-ocular
Observe que a luz precisará passar por todas essas estruturas do olho sendo convergida até chegar na retina. Mas e se houver algum problema anatômico nessas estruturas? será que essa função não estará comprometida? sim, estará! É aqui que entram os erros refrativos como a Hipermetropia, astigmatismo e miopia.
Na hipermetropia, a imagem forma depois da retina. Então a pessoa tem dificuldade de enxergar de perto.
No Astigmatismo, a córnea tem regiões de irregularidade nos eixos. Ocorrem vários focos na retina embaçando a visão.
Na Miopia a imagem se forma antes da retina . Então a pessoa tem dificuldade de enxergar de longe. Observe melhor a miopia e descubra quais são os tipos de miopia existentes:
Tipos de Miopia
Miopia Axial
Quando pensamos em miopia, os raios de luz podem não estar convergindo na retina devido ao globo ocular ser maior do que o necessário, ele teria um eixo horizontal ântero-posterior mais alongado.
O comprimento do olho é maior que o comprimento ótico, fazendo com que a luz incidente não alcance a retina.
Portanto, a imagem forma antes dela. Dificultando a visão de longe. É a de graus mais elevados.
Miopia por Curvatura
A formação da imagem também necessita da curvatura da lente dos nossos olhos, de acordo com isso, os raios luminosos podem convergir da forma correta ou não.
Assim, se a córnea e\ ou o cristalino possuem uma curvatura mais acentuada favorecendo uma convergência desses raios antes da retina, a pessoa terá uma miopia por curvatura. É a miopia mais frequente.
Miopia por índice refrativo do cristalino
Com o tempo, o cristalino vai se opacificando, e com isso aumenta seu índice de refração.
Dessa forma, quanto mais difícil é para a luz passar por esse cristalino, mais desvio ela possui, favorecendo também uma convergência precoce, anterior à retina. Acontece mais em pessoas idosas.
Miopia Secundária
A miopia pode aparecer por doenças como o glaucoma que é um aumento da pressão intraocular ou também pela própria catarata.
Ocorrendo um deslocamento (luxação) ou degeneração do cristalino.
Miopia Congênita
Vem do Nascimento e geralmente é muito elevada.
Miopia Degenerativa
Essa miopia ocorre devido a degeneração de estruturas dos olhos, é chamada de maligna ou também de patológica. Caracterizada por um alongamento anteroposterior progressivo do invólucro escleral em conjunto com outras alterações.
Ela pode causar cegueira. Cerca de 3% da população pode ser diagnosticada com esse tipo de miopia. Essa miopia tem maior propensão à lesões de retina, como descolamento de retina, que podem levar cegueira irreversível.
Tipos de miopia: tratamento
O tratamento básico da miopia é o uso de lentes corretivas. O que chamam de “grau” nós chamamos de dioptrias.
No caso da miopia, usa-se lentes divergentes para que a luz ao incidir nos olhos consiga ter um alcance melhor da retina e convergir nela.
Lente divergente
A lente Divergente é dita lente Negativa. Portanto, na prescrição do óculos virá escrito na frente da dioptria o sinal negativo (-). Diferentemente do que aconteceria na Hipermetropia cujo sinal é positivo( +).
Lente cilíndricas
Além disso, na maioria das vezes a miopia vem acompanhada do astigmatismo, o qual é corrigido por lentes cilíndricas e que precisam de serem especificados o eixo de irregularidade.
Os pacientes portadores de miopia devem fazer consulta uma vez ao ano, porque a miopia é uma condição simples. Mas pode levar a fragilidade da retina e ser fator de risco para o descolamento de retina, o que pode gerar uma cegueira irreversível.
Cirurgia refrativa
Outro Tratamento que pode ser instituído é a cirurgia refrativa cujas técnicas são chamadas de Lasik e PRK. Neste caso, é necessário que o paciente tenha uma miopia estável.
Essa cirurgia é uma cirurgia segura, à laser em ambos os casos e dura cerca de 10 a 15 minutos.
Técnica Lasik
Na Lasik se levanta uma tampa da córnea chamada flap e aplica-se o laser para moldar a córnea, na PRK não se lavanta o flap, apenas aplica o laser para remoção das células epiteliais da córnea, moldando-a.
A técnica a ser utilizada depende da indicação médica para cada paciente, mas a Lasik costuma ter recuperação mais rápida. Apesar de simples, a cirurgia refrativa não impede que o erro refrativo possa retornar. E também, não impede que algum grau de miopia permaneça.
A seguir, observe os 4 passos da técnica Lasik.
Tipos de miopia: conclusão
Para que um indivíduo consiga ver bem é necessário que os rios de luz que incidem em seus olhos entrem convergindo e se encontrem em um único ponto na retina.
Erros de refração, na oftalmologia, são alterações oculares que impedem essa formação nítida da imagem. Um erro de refração comum é a miopia, que é a convergência dos raios luminosos que incidem no olho, bem antes da retina. Nessa situação, o indivíduo possui uma dificuldade para enxergar de longe.
Resumo sobre os tipos de miopia e os tratamentos
Vimos que existem alguns tipos de miopia, a miopia de curvatura, a axial, a congênita, a secundária, a degenerativa e a de índice. O tratamento em geral consiste no uso de lentes divergentes( negativas), ou também pelas técnicas cirúrgicas Lasik e PRK que utilizam laser para a correção da dioptria.
Um cuidado importante para o paciente portador de miopia é uma consulta anual ao oftalmologista para que sua miopia seja monitorada e sempre avaliada, e isso é fundamental.
Afinal, miopia é dos fatores de risco para o descolamento de retina. Sobre miopia é isso! Agora você está craque no assunto! Parabéns pela leitura e até mais!
Autora: Jordana Dutra da Silva
Instagram: @dutrajordy
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
- KANSKI, Jack J.; BOWLING, Brad. Oftalmologia Clínica: uma abordagem sistemática. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. Saunders.
- YANOFF, Myron; DUKER, Jay S.. Oftalmologia: -. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. Ophythalmology.
- https://www.allaboutvision.com/pt-br/cirurgia-de-visao/lasik/
- https://lenscope.com.br/blog/tipos-de-miopia/
- https://ioc.med.br/blog/hipermetropia-e-astigmatismo-juntos-cirurgia-laser/