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Síndrome de Burnout afetou 1 em cada 7 médicos durante pandemia

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Trabalhar na linha de frente da covid-19 não foi uma tarefa fácil para os profissionais de saúde, principalmente para os médicos. E os impactos do ritmo frenético e sofrido de trabalho já começaram a aparecer. Pelo menos um em cada sete médicos foram afetados pela síndrome de Burnout. O dado é fruto de uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os pesquisadores entrevistaram 301 médicos das redes pública e privada de saúde do estado de São Paulo. Desse total, 45 relataram, em grau elevado, ao menos dois dos três fatores que desencadeiam a síndrome: esgotamento emocional, falta de realização profissional e cinismo ou indiferença em relação aos pacientes.

A professora Laura Câmara Lima, que orientou a pesquisa realizada pela graduanda Gabriela Correia Netto, pontuou em entrevista ao portal Terra, que o burnout tem impacto importante na atividade do médico, pois afeta bastante o desempenho do profissional.

“A exaustão resulta em incapacidade para resolver as questões e dificuldade para se relacionar com as pessoas, geralmente desencadeando a depressão”, explicou.

O que é Burnout?

Burnout é uma palavra em inglês referente à completa falta de energia em alguém ou algo, sendo a síndrome de burnout um problema psicossocial que afeta diversos grupos profissionais, em particular aqueles que têm contato direto com o público, como os profissionais da saúde.

O corpo humano saudável é preparado para situações de stress, respondendo a determinada situação com taquicardia e sudorese, e depois volta aos níveis basais.

Porém, em muitas situações, a resposta ao stress tem sido um distress, que corresponde ao desaparecimento dos sintomas físicos agudos, dando espaço a sintomas psicossociais como irritabilidade, afastamento social, fadiga crônica, impaciência, inabilidade de dialogar, diminuição do apetite sexual e perda do prazer em viver.

Esse é um estágio inicial que, quando se torna crônico, configura a síndrome de burnout. Deste percentual, estima-se que mais da metade seja composta por profissionais da área da saúde.

Síndrome de burnout

A síndrome de burnout foi nomeada pelo psicanalista Freudenberger, em 1974, ao perceber em si mesmo um estado de esgotamento físico e mental cuja causa estava intimamente ligada à vida profissional. Dessa forma, a interação entre stress crônico e fatores individuais pode levar à exaustão emocional, à despersonalização ou cinismo e à diminuição de satisfação profissional, características da síndrome, que difere da depressão por ter relação específica com o trabalho.

A exaustão emocional, que é a sensação de fadiga, leva a baixa tolerância, frustração e irritabilidade. Por sua vez, a despersonalização é caracterizada pelo distanciamento afetivo e a indiferença no trabalho, muitas vezes manifestada por ironia, frieza e atitudes cínicas. Finalmente, a insatisfação profissional leva à baixa autoestima e à desmotivação, que, em grau mais importante, pode levar até ao abandono da carreira.

Estudo sobre a relação entre a covid-19 e os profissionais de medicina

Para o estudo, as pesquisadoras uma escala já validada de estresse no trabalho para estabelecer a relação com a síndrome. Elas criaram um questionário que foi respondido pelos médicos.

“Seria burnout se ao menos duas das três dimensões estivessem muito alteradas. Se a pessoa está apenas deprimida, desanimada com a profissão, não é suficiente para caracterizar o burnout. Seria preciso um segundo fator, como quando o médico já não vê sentido em seu trabalho ou manifesta certa indiferença por aqueles que estão sob seus cuidados.”

A maioria dos entrevistados – 67,1% – trabalha em hospitais, enquanto 38,5% trabalham em unidades de emergência (pronto-socorro); 37,5% em Unidades Básicas de Saúde (UBS), 19,6% em ambulatórios e 22,2% em clínicas. Apenas 11% são médicos de UTI. O percentual supera 100% porque muitos declararam trabalhar em mais de um lugar.

A maioria dos médicos que tiveram burnout apresentou exaustão ou esgotamento emocional.

Na escala de zero a seis, usada para medir o nível de esgotamento, a média ficou em 3,54, considerada alta. Também foi elevado – 3,15 – o índice de médicos que não se realizam profissionalmente. Já o índice de cinismo ou despersonalização ficou mais baixo, com média de 2 pontos na escala de até seis.

Os sintomas da síndrome de burnout foram mais severos em médicos com menos tempo de atuação profissional.

Outros pontos de resultado da pesquisa sobre síndrome de burnout

  • Os médicos se sentem menos realizados profissionalmente agora (com a chegada da vacina) do que no auge da pandemia. As pesquisadoras atribuem isso ao fato de que no início os médicos achavam que faziam muita diferença no combate à covid-19.
  • Atualmente, eles têm mais medo de se contaminar, porque observam que a pandemia continua e os cuidados de prevenção diminuíram.
  • Os médicos que atuam em pronto-socorro apresentam índice menor de satisfação com trabalho.
  • Os profissionais de medicina que atendem nas UBS relataram maior esgotamento emocionalç e maior cinismo do que os que trabalham em UTI.

O estudo teve duas coletas de dados. A primeira de julho de 2020 a janeiro de 2021, a segunda, mais restrita, em agosto deste ano. O objetivo foi comparar se as taxas de burnout tiveram alteração com a chegada da vacina.

Como lidar com a síndrome burnout?

É importante que esse assunto seja debatido no local de trabalho para que as causas possam ser analisadas e se busque modos de melhorar. O médico também pode buscar maneiras próprias de amenizar o burnout.

Entre as formas de lidar com o burnout estão a prática de exercícios, a proximidade de familiares e amigos e os hobbies de um modo geral. O fato é que o foco deve ser em alcançar um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional. É importante também buscar ajuda profissional para trtar a síndrome.

Ter tempo para se dedicar a atividades prazerosas, que tirem a mente do trabalho, e conhecer seus limites é fundamental. Algumas dicas para colocar em prática para evitar sobrecarga são:

  • Gerenciar o tempo
  • Estabelecer metas realistas na vida profissional e pessoal
  • Definir prioridades e rejeitar projetos inviáveis ou com alto custo emocional
  • Delegar funções e aceitar a forma de trabalhar dos outros
  • Fazer pequenas pausas no trabalho para descansar, respirar, rir e alongar
  • Separar o trabalho da vida privada e evitar levar trabalho para casa
  • Recompensar-se com atividades prazerosas ou hobbies
  • Fazer atividade física regularmente
  • Manter ou criar redes de conectividade social

*Com informações da reportagem do portal Terra.Burnout afetou 1 em cada 7 médicos da linha de frente“. A publicação é de dezembro de 2021.

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