O panarício, também chamado de paroníquia, representa uma das infecções mais comuns da mão na prática clínica.
Embora, à primeira vista, pareça uma condição simples, ele pode evoluir rapidamente e comprometer estruturas mais profundas do dedo se o manejo não ocorrer de forma adequada. Por isso, compreender sua fisiopatologia, reconhecer os sinais precoces e instituir o tratamento correto faz diferença direta no prognóstico.
O que é panarício?
O panarício consiste em uma infecção da região periungueal, ou seja, da pele que circunda a unha. Geralmente, essa condição surge após uma ruptura da barreira cutânea. Em seguida, microrganismos penetram no tecido e desencadeiam um processo inflamatório local.
Na prática clínica, bactérias como Staphylococcus aureus e Streptococcus aparecem com maior frequência nas formas agudas. Por outro lado, quadros crônicos podem envolver fungos ou processos inflamatórios persistentes.
Na imagem abaixo observa-se A paroníquia aguda é uma infecção bacteriana da prega lateral da unha e pode resultar de roer unhas, presença de “pelinhas”, técnica inadequada de manicure, traumas leves e, em crianças, sucção do polegar.
Na imagem abaixo observa-se a paroníquia aguda:

Além disso, existe uma forma viral chamada panarício herpético, causada pelo vírus herpes simplex (HSV). Nesse cenário, a apresentação clínica difere significativamente da forma bacteriana. Portanto, o reconhecimento dessa variante evita intervenções inadequadas, como drenagem cirúrgica.
Fisiopatologia
Inicialmente, ocorre uma lesão na pele periungueal. Essa lesão pode resultar de trauma, manipulação da cutícula ou exposição contínua à umidade. Em seguida, agentes infecciosos invadem o tecido e ativam a resposta inflamatória.
Como consequência, ocorre vasodilatação local, aumento da permeabilidade vascular e recrutamento de células inflamatórias. Assim, surgem sinais clássicos como dor, calor, rubor e edema.
Além disso, quando a infecção progride, pode ocorrer acúmulo de secreção purulenta. Nesse momento, forma-se um abscesso, o que aumenta a pressão local e intensifica a dor.
Por outro lado, no panarício herpético, o mecanismo envolve replicação viral nas células epiteliais. Como resultado, surgem vesículas agrupadas contendo líquido claro. Diferentemente da forma bacteriana, não ocorre formação de pus.
Classificação do panarício
Panarício agudo bacteriano
Primeiramente, o panarício agudo apresenta evolução rápida. Em poucos dias, o paciente desenvolve dor intensa, edema e hiperemia. Frequentemente, observa-se formação de abscesso.
Além disso, essa forma associa-se a traumas locais, como retirada de cutícula ou pequenas lesões.
Panarício crônico
Por outro lado, o panarício crônico evolui lentamente. Geralmente, está associado à exposição prolongada à umidade ou substâncias irritantes.
Além disso, ocorre inflamação persistente da região periungueal, com espessamento da pele e alterações da unha. Em muitos casos, fungos participam desse processo.

Panarício herpético
Em contraste, o panarício herpético apresenta vesículas agrupadas e dor intensa. Além disso, o paciente pode relatar sensação de formigamento antes do aparecimento das lesões.
Diferentemente da forma bacteriana, não ocorre drenagem espontânea de pus. Portanto, essa característica ajuda na diferenciação clínica.
Sintomas do panarício
Os sintomas variam conforme a etiologia e o estágio da infecção. No entanto, alguns sinais aparecem com frequência.
Inicialmente, o paciente relata dor local progressiva. Em seguida, surgem sinais inflamatórios clássicos, como vermelhidão e inchaço.
Além disso, a região pode apresentar aumento da temperatura local. Em casos mais avançados, ocorre formação de secreção purulenta.
Sintomas mais comuns
- Dor intensa no dedo afetado
- Edema periungueal
- Eritema local
- Sensibilidade ao toque
- Presença de pus (em casos bacterianos)
Por outro lado, no panarício herpético, o quadro apresenta algumas diferenças importantes.
Sintomas do panarício herpético
- Vesículas com líquido claro
- Dor desproporcional ao exame físico
- Sensação de formigamento inicial
- Ausência de secreção purulenta
Além disso, alguns pacientes podem apresentar febre ou mal-estar, especialmente em infecções virais.
Fatores de risco
Diversos fatores aumentam a probabilidade de desenvolver panarício. Portanto, identificar esses elementos auxilia tanto na prevenção quanto no manejo.
Entre os principais fatores, destacam-se:
- Hábito de roer unhas
- Remoção frequente da cutícula
- Exposição constante à água
- Uso de produtos químicos irritantes
- Trauma repetitivo na região
- Doenças crônicas, como diabetes
Além disso, profissionais da saúde apresentam maior risco para panarício herpético devido ao contato com secreções contaminadas.
Diagnóstico clínico
Na maioria dos casos, o diagnóstico ocorre de forma clínica. Ou seja, o médico avalia os sinais e sintomas durante o exame físico.
Inicialmente, observa-se a presença de dor, edema e eritema. Em seguida, o profissional busca sinais de abscesso, como flutuação.
Além disso, a presença de secreção purulenta sugere infecção bacteriana. Por outro lado, a presença de vesículas claras indica possível etiologia viral. Em situações atípicas, o médico pode solicitar exames complementares. Por exemplo, cultura microbiológica ajuda a identificar o agente infeccioso.
Diagnóstico diferencial
Embora o panarício apresente características típicas, outras condições podem simular o quadro clínico.
Portanto, o diagnóstico diferencial inclui:
- Celulite
- Abscesso da polpa digital (felon)
- Dermatite de contato
- Infecções virais cutâneas
- Trauma local
Assim, a avaliação cuidadosa evita erros terapêuticos.
Tratamento do panarício
O tratamento depende da causa e da gravidade da infecção. Portanto, o manejo deve ser individualizado.
Medidas iniciais
Primeiramente, recomenda-se higiene adequada da região. Além disso, o uso de compressas mornas ajuda a reduzir a inflamação.
Ao mesmo tempo, o paciente deve evitar manipulação do local.
Tratamento do panarício bacteriano
Nos casos leves, o médico pode indicar antibióticos tópicos. Além disso, anti-inflamatórios ajudam no controle dos sintomas.
Entretanto, quando ocorre formação de abscesso, torna-se necessária a drenagem cirúrgica. Nesse caso, o procedimento reduz a pressão local e alivia a dor rapidamente. Além disso, em quadros mais extensos, o uso de antibióticos orais torna-se indicado.
Tratamento do panarício crônico
Para formas crônicas, o manejo inclui a eliminação de fatores irritantes. Portanto, o paciente deve reduzir a exposição à umidade.
Além disso, antifúngicos podem ser necessários quando há suspeita de infecção por Candida. Ao mesmo tempo, o uso de emolientes ajuda na recuperação da barreira cutânea.
Tratamento do panarício herpético
O panarício herpético exige abordagem específica. Nesse caso, não se realiza drenagem cirúrgica.
Em vez disso, utilizam-se antivirais, como o aciclovir. Além disso, o paciente deve evitar romper as vesículas. Essa conduta ocorre porque a incisão pode agravar a infecção e facilitar a disseminação viral.
Complicações
Quando o tratamento não ocorre de forma adequada, o panarício pode evoluir para complicações. Inicialmente, a infecção pode se espalhar para tecidos mais profundos. Em seguida, pode atingir tendões e articulações.
Além disso, em casos graves, pode ocorrer osteomielite ou comprometimento funcional do dedo. Portanto, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado evitam essas complicações.
Prevenção
A prevenção do panarício envolve cuidados simples no dia a dia. Primeiramente, recomenda-se evitar retirar a cutícula de forma agressiva. Além disso, manter as mãos secas reduz o risco de infecção. Também se deve evitar roer unhas e manipular lesões cutâneas.
Por fim, profissionais de saúde devem utilizar equipamentos de proteção ao lidar com secreções.
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Referências bibliográficas
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