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Síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS) | Colunistas

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A obstrução duodenal completa ou parcial causada pela artéria mesentérica superior (AMS) ou uma de suas ramas foi reconhecida no ano de 1861 por Rokitansky. Em 1907, Bloodgood propôs o tratamento cirúrgico por anastomose, mas somente em 1908 Stavely conseguiu realiza-lo com êxito.  No ano de 1927 Wilkie reportou 75 casos que foram tratados de forma cirúrgica. 

A síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS) também é conhecida como a doença de Wilkie e compressão vascular do duodeno, esse último é o termino mais apropriado pois a artéria cólica media e/ou a mesentérica superior têm um papel na etiologia da obstrução. Essa é uma entidade pouco frequente, cerca de 0,2-1% são encontradas em estudos radiológicos.

Definição

A síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS) é uma enfermidade que se produz pela compressão da terceira porção duodenal ao passar entre a artéria mesentérica superior e a aorta abdominal. Isso acontece quando o ângulo entre as duas estruturas diminui e a distância entre elas decresce, produzindo a obstrução do duodeno. É uma patologia mais comum em pacientes do sexo feminino (2 : 1) e em pessoas menores de 30 anos de idade. 

Figura 01 – Estruturas anatômicas: Estomago, duodeno, artéria aorta, artéria mesentérica superior. https://es.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Wilkie
Anatomie AMS
Figura 02 Comparação entre a estrutura normal onde o duodeno não se encontra comprimido e a síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS).
https://scholbach.de/pt/wissenschaft/deutsch-ultraschalldiagnostik/deutsch-gefaskompressionen/arteria-mesenterica-superior-syndrom#gsc.tab=0

Etiologia 

As causas podem ser de origem tanto congênitas quanto adquiridas. A artéria mesentérica superior tem origem na artéria aorta a nível da primeira vertebra lombar (L1). O ângulo aorto-mesentérico em um adulto tem aproximadamente 40 a 50 graus, qualquer fator que altere esse ângulo entre 6 e 16 graus pode produzir uma compressão duodenal.

É possível observar alguns fatores que podem ser a principal causa da síndrome da artéria mesentérica superior, como por exemplo:

Artéria cólica mediana: é rama da artéria mesentérica superior, ela cruza ventralmente o duodeno e pode comprimir o músculo psoas, gerando também a compressão do duodeno.

Lordose lombar: pode levar a alteração do ângulo aorto-mesentérico e posteriormente causar uma compressão do duodeno. 

Cirurgia para escoliose: a escoliose acomete mais mulheres que homens em uma idade entre 10 a 30 anos. A cirurgia para a correção da escoliose alarga a coluna vertebral podendo afastar a origem da artéria mesentérica superior (MAS) e reduzir o ângulo aorto-mesentérico.

Perda de peso de forma rápida: o ângulo entre a AMS e a artéria aorta depende em parte do coxim adiposo mesentérico que está ligado a abertura do ângulo aorto-mesentérico, ou seja, esse ângulo depende do índice de massa corporal da pessoa. Quando a pessoa sofre uma perda de peso, principalmente por enfermidades graves como traumas na coluna, anorexia nervosa, cirurgia ou o uso de imobilização com gesso por muito tempo que levará a perda de peso, nesses casos é mais comum que ocorra essa obstrução duodenal.

Síndrome da compressão do tronco celíaco: é quando acontece a compressão extrínseca do tronco celíaco e/ou dos gânglios celíacos pelo ligamento arqueado. Essa síndrome é uma das causas da SAMS.

Aderências peritoneais: podem ser formadas por consequência de problemas nos órgãos do abdômen como pancreatite ou ulcera gástrica, assim também como nos casos de pós-cirurgia abdominal que serão formadas por tecido cicatricial. 

Defeitos congênitos: nos casos em que a artéria mesentérica superior tem uma origem mais baixa que o normal na aorta. E podem ser causadas também quando há um ligamento de Treiz mais curto que o normal, esse ligamento é que suspende o duodeno em sua posição normal. 

A tomografia computadorizada com contraste endovenoso permite confirmar a etiologia nos casos da SAMS.

Quadro clínico

Entre os principais signos e sintomas podemos encontrar:

  • Perda de peso.
  • Saciedade precoce.
  • Obstrução do intestino delgado.
  • Náuseas e vômitos.
  • Dor do tipo cólico na região do epigástrio.
  • Distensão depois de alimentar-se.

Diagnóstico 

A obstrução duodenal pode ter uma instalação aguda, intermitente ou crônica. Para a confirmação do diagnóstico é necessário estudos imagem como:

Radiografia abdominal de estomago e duodeno: onde será observado a dilatação da primeira e segunda porção do duodeno com a amputação súbita da terceira. Não é tão segura quando comparada a duodenografia e pode apresentar falso negativo. 

Duodenografia hipotônica: é mais especifico e sensível, define aspectos anatômicos e fisiológicos da obstrução.

Tomografia computadorizada (TAC): é possível observar a diminuição da gordura intra-abdominal e retroperitoneal, o ângulo aorto-mesentérico e a dilatação do duodeno.

Arteriografia: permite observar a compressão vascular do duodeno, porém é um estudo mais invasivo que pode gerar alguns riscos como perfuração vascular, insuficiência renal aguda (IRA), eventos embólicos e sangramento.

Angioressonância: é o melhor estudo para os casos da SAMS, ele permite objetivar a diminuição do ângulo aorto-mesentérico e não apresenta riscos como na a arteriografia, mas apresenta um alto custo.  

Figura 03 – Tomografia computadorizada com contraste endovenoso. (a) Reconstrução sagital em fase arterial mostrando diminuição do ângulo do compasso aorto-mesentérico (13°). (b) Visão lateral da reconstrução tridimensional da árvore arterial da aorta abdominal: observa-se a emergência do tronco celíaco, da artéria mesentérica superior e das 2 artérias renais.
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S004876191400009X

Tratamento

Para o tratamento conservador é recomendado de forma inicial a descompressão nasogástrica, gastrocinético, hipernutrição, fluidoterapia, reposição eletrolítica, identificação e manejo dos fatores precipitantes, ou seja, é importante que trate os sintomas e signos apresentados pelos pacientes. 

O tratamento cirúrgico é indicado para os pacientes que não evoluem com o tratamento conservador, as técnicas utilizadas são:

  • Operação de Strong.
  • Duodenojejunostomia.
  • Gastroenterostomia.
  • Desrotação intestinal. 

Conclusão

A síndrome da artéria mesentérica superior é uma patologia muito rara que acomete principalmente mulheres com uma idade inferior aos 30 anos. As causas dessa enfermidade podem ter origem congênita ou adquirida, e é marcada pela perda de peso excessiva em um período curto de tempo, náuseas, vômitos, dores abdominais e sensação de estomago cheio. O quanto antes o diagnostico da SAMS melhor poderá ser o resultado do tratamento, que começará primeiramente pelo tratamento conservador tratando os sintomas e signos e posteriormente se necessário será realizada a cirurgia. O diagnóstico é realizado através de estudos de imagens que são solicitados de acordo com a necessidade que cada paciente apresenta. 

Autora: Merlyken Glenda Ferreira Brito

Instagram: @brito_mell

Referências Bibliográficas: 

Síndrome de la arteria mesentérica superior en una adolescente de 12 años. Caso clínico  – https://www.sap.org.ar/docs/publicaciones/archivosarg/2019/v117n6a24.pdf

Síndrome de la arteria mesentérica superior (síndrome de Wilkie). Caso clínico – http://www.scielo.org.ar/pdf/aap/v106n6/v106n6a15.pdf

Síndrome de Wilkie

 – https://medicina.ufm.edu/eponimo/sindrome-de-wilkie/ 

Dolor abdominal recurrente por síndrome de la arteria mesentérica superior – https://www.analesdepediatria.org/es-dolor-abdominal-recurrente-por-sindrome-articulo-S1695403310002882 

Síndrome de la arteria mesentérica superior. Presentación de un caso – 

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S004876191400009X

Síndrome de la arteria mesentérica superior – https://rarediseases.info.nih.gov/espanol/12871/sindrome-de-la-arteria-mesenterica-superior/cases/54447 


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

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