O transtorno do espectro autista (TEA) envolve diferenças persistentes na comunicação e na interação social, além de padrões restritos ou repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Entretanto, a expressão clínica varia amplamente. Algumas crianças mostram sinais ainda no primeiro ano de vida, enquanto outras revelam diferenças mais claras apenas quando as exigências sociais aumentam, sobretudo na escola ou na adolescência.
Por isso, o profissional de saúde não deve procurar um comportamento isolado. Em vez disso, deve analisar o conjunto dos sinais, a frequência, a intensidade, o contexto e o impacto funcional. Além disso, precisa comparar o desenvolvimento atual com a trajetória anterior da criança. A perda de habilidades já adquiridas, por exemplo, exige investigação rápida em qualquer idade.
A vigilância do desenvolvimento em todas as consultas ajuda o pediatra a reconhecer mudanças precoces. Paralelamente, instrumentos padronizados ampliam a sensibilidade do rastreamento. A American Academy of Pediatrics recomenda rastreamento geral do desenvolvimento aos 9, 18 e 30 meses, além de rastreamento específico para TEA aos 18 e 24 meses. No Brasil, o Ministério da Saúde disponibiliza o M-CHAT-R/F para crianças entre 16 e 30 meses. Ainda assim, nenhum questionário confirma ou exclui o diagnóstico sozinho.
O que transforma uma diferença em sinal de alerta?
Uma criança pode desenvolver linguagem, brincadeiras e habilidades sociais em ritmos diferentes sem apresentar TEA. Portanto, o clínico precisa interpretar cada achado dentro do desenvolvimento global. Um atraso isolado na fala, por exemplo, também pode ocorrer em transtorno do desenvolvimento da linguagem, deficiência auditiva, deficiência intelectual ou privação de oportunidades comunicativas.
Entretanto, alguns padrões aumentam a suspeita clínica, principalmente quando aparecem em conjunto:
- Pouca iniciativa para compartilhar interesses, emoções ou descobertas
- Resposta inconsistente ao nome, apesar de audição aparentemente preservada
- Uso reduzido de gestos comunicativos, como apontar, mostrar, acenar ou pedir
- Dificuldade para coordenar olhar, gesto, expressão facial e vocalização
- Brincadeiras repetitivas, rígidas ou pouco funcionais
- Movimentos repetitivos, como balançar o corpo, agitar as mãos ou andar na ponta dos pés
- Reações sensoriais muito intensas ou muito discretas a sons, texturas, luzes, cheiros ou dor
- Sofrimento desproporcional diante de pequenas mudanças
- Interesses muito intensos, restritos ou incomuns para a idade
- Perda de palavras, gestos, contato social ou outras habilidades já adquiridas
Além disso, a ausência de um sinal clássico não afasta o TEA. Algumas crianças mantêm contato visual, apresentam vocabulário amplo ou demonstram afeto, mas ainda enfrentam dificuldades importantes na reciprocidade social, na flexibilidade e na compreensão de pistas sociais.
Da mesma forma, meninas e adolescentes podem copiar comportamentos dos pares, ensaiar respostas sociais e esconder dificuldades por longos períodos. O National Institute for Health and Care Excellence alerta que esse mascaramento pode atrasar o reconhecimento, especialmente quando a criança possui boa capacidade verbal ou encontra ambientes muito estruturados.
Sinais de alerta para TEA por faixa etária
Do nascimento aos 6 meses
Nos primeiros meses, os sinais costumam apresentar baixa especificidade. Consequentemente, o profissional deve evitar conclusões precipitadas. Ainda assim, a observação longitudinal pode revelar um padrão de menor responsividade social.
O pediatra e a família devem observar:
- Pouco interesse por rostos e vozes humanas
- Sorriso social raro ou pouco consistente
- Contato visual muito breve ou difícil de sustentar
- Pouca mudança de expressão diante da interação do cuidador
- Baixa reciprocidade durante vocalizações e brincadeiras face a face
- Reações incomuns a sons, toque, movimento ou luz
Entretanto, alterações visuais, auditivas, neurológicas ou motoras também podem produzir esses sinais. Portanto, a equipe precisa examinar visão, audição, tônus, crescimento e comportamento regulatório.
Além disso, o profissional deve acompanhar a evolução nas consultas seguintes, em vez de atribuir significado diagnóstico a uma única observação. Nessa fase, a trajetória do desenvolvimento oferece mais informações do que uma fotografia pontual do comportamento.
Dos 6 aos 12 meses
Entre 6 e 12 meses, a comunicação social ganha complexidade. A criança costuma alternar o olhar entre pessoas e objetos, responder a jogos sociais e usar sons para manter a interação. Assim, a ausência dessas habilidades merece atenção, principalmente quando persiste em diferentes ambientes.
Os principais sinais incluem:
- Resposta pouco frequente ao nome
- Pouca busca pelo rosto do cuidador em situações novas
- Baixo interesse por brincadeiras sociais, como esconder e aparecer
- Pouca imitação de sons, expressões ou movimentos
- Balbucio limitado ou pouco direcionado a outra pessoa
- Ausência ou redução de gestos, como estender os braços, dar tchau ou mostrar objetos
- Dificuldade para acompanhar o olhar ou o gesto de apontar do adulto
- Maior interesse por partes de objetos do que pela interação compartilhada
Além disso, familiares podem relatar que a criança “parece ouvir alguns sons, mas ignora a voz”. Nesse caso, o clínico deve investigar tanto a audição quanto a comunicação social. Afinal, uma resposta inconsistente ao nome não permite diferenciar TEA de perda auditiva sem avaliação adequada.
O profissional também deve perguntar se a criança busca compartilhar prazer. Por exemplo, após encontrar um brinquedo interessante, ela olha para o cuidador, sorri ou tenta incluí-lo na experiência? Essa coordenação entre olhar, expressão e ação fornece informações relevantes sobre a reciprocidade social.
Dos 12 aos 18 meses
Nesse período, a atenção compartilhada assume grande importância. A criança não apenas pede o que deseja, mas também aponta, mostra e olha para o adulto com o objetivo de dividir uma experiência. Por isso, a ausência de gestos declarativos representa um sinal relevante.
O profissional deve investigar:
- Ausência de apontar para mostrar algo interessante
- Pouco uso de gestos para pedir, recusar, cumprimentar ou compartilhar
- Pouca alternância do olhar entre um objeto e o adulto
- Resposta limitada ao nome ou a expressões emocionais
- Pouca iniciativa para chamar a atenção de outra pessoa
- Ausência de palavras com função comunicativa
- Imitação social reduzida
- Brincadeira funcional limitada, como empurrar um carrinho ou alimentar uma boneca
- Movimentos repetitivos ou exploração visual incomum de objetos
O Centers for Disease Control and Prevention destaca como sinais relevantes o uso de poucos gestos aos 12 meses, a falta de compartilhamento de interesses aos 15 meses e a ausência de apontar para mostrar algo interessante aos 18 meses. Contudo, o clínico deve considerar o padrão global, porque um único marco ausente não estabelece diagnóstico.
Além disso, a equipe deve diferenciar gestos instrumentais de gestos sociais. Uma criança pode puxar o adulto até um objeto ou colocar a mão dele sobre algo que deseja. Entretanto, ela pode não olhar para o rosto, não apontar e não tentar compartilhar o interesse. Esse padrão merece investigação mais detalhada.
Dos 18 aos 24 meses
Entre 18 e 24 meses, as diferenças de comunicação, linguagem e brincadeira costumam ficar mais nítidas. Além disso, algumas crianças deixam de adquirir novas habilidades, enquanto outras perdem palavras, gestos ou interesse social que já demonstravam.
Os sinais de alerta incluem:
- Poucas palavras espontâneas e funcionais
- Ausência de combinações espontâneas de duas palavras por volta dos 24 meses
- Uso da mão do adulto como ferramenta, sem olhar ou gesto comunicativo
- Repetição imediata ou tardia de palavras sem função comunicativa clara
- Pouca compreensão de comandos simples no contexto cotidiano
- Dificuldade para compartilhar atenção, prazer ou interesse
- Brincadeira simbólica ausente ou muito limitada
- Fixação por rodas, letras, números, luzes ou movimentos
- Forte resistência a mudanças pequenas
- Reações sensoriais intensas a roupas, alimentos, sons ou ambientes
- Perda de linguagem ou de habilidades sociais
Além disso, o rastreamento específico ganha papel central nessa faixa. O M-CHAT-R/F organiza perguntas sobre comunicação social e comportamentos precoces entre 16 e 30 meses. Entretanto, o resultado indica risco, não diagnóstico.
Portanto, diante de uma pontuação alterada ou preocupação clínica consistente, o pediatra deve iniciar a investigação e encaminhar a criança sem aguardar o aparecimento de sinais adicionais.
Ainda assim, uma pontuação baixa não encerra a investigação quando a família relata regressão, ausência de atenção compartilhada ou diferenças persistentes na comunicação. Nesse contexto, a observação clínica e a história do desenvolvimento têm prioridade.
Dos 2 aos 3 anos
Após os 2 anos, a linguagem cresce rapidamente, e a brincadeira simbólica se torna mais elaborada. Consequentemente, diferenças na reciprocidade social e na flexibilidade podem ganhar maior visibilidade.
Nessa idade, merecem investigação:
- Linguagem pouco usada para conversar ou compartilhar experiências
- Fala repetitiva, roteirizada ou centrada em frases de vídeos
- Entonação incomum ou ritmo de fala pouco natural
- Dificuldade para responder a perguntas simples
- Pouca curiosidade sobre outras pessoas
- Baixo interesse por crianças da mesma idade
- Brincadeiras repetitivas, como alinhar, girar, abrir e fechar
- Pouca variedade no uso dos brinquedos
- Sofrimento intenso diante de mudanças de trajeto, roupa, alimento ou rotina
- Interesse incomum por símbolos, mapas, marcas, calendários ou mecanismos
- Busca ou evitação sensorial persistente
Por outro lado, algumas crianças com TEA falam cedo e usam muitas palavras. Nesses casos, o sinal de alerta surge menos na quantidade da fala e mais na qualidade da comunicação.
A criança pode falar longamente sobre um interesse, mas não perceber o desinteresse do interlocutor, não responder de forma recíproca ou não adaptar a linguagem ao contexto. Além disso, pode repetir perguntas mesmo depois de receber a resposta, principalmente quando procura previsibilidade ou regulação emocional.
A equipe também deve observar o brincar. Uma criança pode conhecer nomes, cores e números, mas demonstrar pouca flexibilidade para criar histórias, representar papéis ou aceitar a participação de outra pessoa.
Dos 4 aos 5 anos
Na pré-escola, as interações em grupo exigem negociação, imaginação compartilhada e compreensão de regras sociais implícitas. Dessa forma, a criança pode mostrar dificuldades que não apareciam com tanta clareza em casa.
Os sinais incluem:
- Dificuldade para entrar ou permanecer em brincadeiras coletivas
- Tendência a controlar rigidamente o enredo da brincadeira
- Pouca adaptação quando outra criança propõe uma ideia
- Interpretação literal de falas simples ou brincadeiras
- Conversa unilateral ou centrada em temas específicos
- Dificuldade para relatar acontecimentos de maneira organizada
- Pouca compreensão das emoções, intenções ou perspectivas dos outros
- Reações intensas quando perde, espera ou muda de atividade
- Preferência marcada por rotinas e sequências fixas
- Interesses restritos que ocupam grande parte do tempo
- Sobrecarga em ambientes barulhentos, cheios ou imprevisíveis
Além disso, o profissional deve perguntar como a criança funciona em mais de um contexto. Uma consulta tranquila pode esconder dificuldades importantes no recreio, em festas, na escola ou em atividades coletivas.
Portanto, relatos de professores e cuidadores ampliam a qualidade da avaliação. Vídeos espontâneos também podem ajudar a equipe a compreender como a criança brinca, responde ao nome, compartilha interesses e reage às mudanças no cotidiano.
Dos 6 aos 11 anos
Algumas crianças chegam ao ensino fundamental sem diagnóstico, sobretudo quando apresentam linguagem formal, bom desempenho acadêmico ou forte capacidade de memorização. Entretanto, as demandas sociais e executivas crescem, e as diferenças começam a interferir na aprendizagem, nas amizades e na autonomia.
Os sinais de alerta podem incluir:
- Dificuldade para compreender ironia, duplo sentido, humor ou regras não ditas
- Conversa excessivamente formal, detalhada ou unilateral
- Pouca percepção de quando deve iniciar, manter ou encerrar uma conversa
- Dificuldade para construir e manter amizades recíprocas
- Preferência por interagir com adultos ou crianças bem mais novas
- Interesses intensos que dominam conversas, desenhos ou pesquisas
- Grande desconforto com mudanças de professor, sala, horário ou atividade
- Crises após longos períodos de esforço social ou sensorial
- Perfil acadêmico desigual, com desempenho muito alto em algumas áreas e dificuldade marcante em outras
- Problemas de organização, planejamento e transição entre tarefas
- Isolamento, conflitos frequentes ou vulnerabilidade ao bullying
Ainda assim, ansiedade, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, altas habilidades, transtornos de linguagem e dificuldades de aprendizagem podem produzir parte desse quadro. Por isso, a equipe deve integrar história do desenvolvimento, observação clínica, informações escolares e avaliação das condições associadas.
Além disso, o profissional deve investigar o que acontece depois da escola. Algumas crianças controlam o comportamento durante as aulas, mas apresentam irritabilidade, choro, isolamento ou exaustão ao chegar em casa. Esse contraste pode indicar esforço intenso para lidar com exigências sociais, sensoriais e executivas.
A partir dos 12 anos e na adolescência
Na adolescência, o grupo social passa a exigir maior leitura de contexto, flexibilidade, autonomia e compreensão de relações complexas. Consequentemente, adolescentes com TEA sem diagnóstico podem apresentar exaustão, isolamento ou sofrimento emocional, especialmente após anos de esforço para imitar comportamentos sociais.
Os sinais incluem:
- Dificuldade para compreender códigos sociais, flerte, sarcasmo ou mudanças nas amizades
- Sensação persistente de não pertencer ao grupo
- Necessidade de ensaiar conversas ou copiar expressões dos colegas
- Exaustão intensa após escola, eventos ou interações sociais
- Interesses muito intensos, com pouca flexibilidade para outros assuntos
- Rotinas rígidas para estudar, comer, dormir ou organizar objetos
- Sobrecarga sensorial em corredores, transporte, festas ou salas cheias
- Dificuldade para reconhecer e comunicar emoções
- Crises, afastamento ou queda de desempenho após aumento das demandas
- Ansiedade, humor deprimido, problemas de sono ou recusa escolar
- Dificuldade para planejar tarefas, cumprir prazos e lidar com imprevistos
Além disso, meninas e adolescentes com boa linguagem podem apresentar camuflagem social. Elas observam, copiam e ensaiam comportamentos, mas pagam um custo emocional alto.
Portanto, o profissional não deve descartar TEA apenas porque o adolescente mantém contato visual, possui amigos ou alcança boas notas. O NICE reforça que mecanismos de enfrentamento e ambientes de apoio podem esconder sinais por anos.
Nesse sentido, a entrevista individual com o adolescente pode trazer informações que a família ou a escola desconhecem. O jovem pode descrever confusão diante das relações sociais, sensação de representar um papel, necessidade intensa de isolamento e dificuldade para interpretar as próprias emoções.
Regressão do desenvolvimento: um alerta em qualquer idade
A regressão merece atenção imediata. Ela inclui perda de palavras, gestos, interesse social, autonomia, habilidades motoras ou controle esfincteriano. Embora algumas crianças com TEA apresentem regressão entre 18 e 24 meses, outras condições também podem causar perda de habilidades.
Por isso, a equipe deve investigar audição, epilepsia, doenças neurológicas, alterações metabólicas, eventos psicossociais e outras causas clínicas conforme a história. Em crianças menores de 3 anos, a perda de linguagem ou de habilidades sociais justifica avaliação especializada rápida. Além disso, regressão motora em qualquer idade exige investigação pediátrica ou neurológica prioritária.
O profissional deve perguntar quando a perda começou, quais habilidades desapareceram e como ocorreu a progressão. Também deve investigar febre, crises epilépticas, alterações motoras, mudanças no sono, uso de medicamentos e eventos clínicos associados. Consequentemente, a equipe não deve atribuir automaticamente toda regressão ao TEA. A avaliação clínica precisa considerar diagnósticos diferenciais e condições neurológicas que exigem abordagens específicas.
Rastreamento não significa diagnóstico
O rastreamento identifica crianças que apresentam maior probabilidade de TEA ou outro transtorno do desenvolvimento. Já o diagnóstico exige avaliação clínica abrangente.
Portanto, o profissional não deve tranquilizar a família apenas porque um questionário mostrou baixo risco, caso a história revele sinais consistentes. Da mesma forma, não deve comunicar um diagnóstico apenas com base em uma pontuação elevada.
A avaliação diagnóstica deve analisar:
- História gestacional, perinatal, médica e familiar
- Marcos motores, linguísticos, sociais e adaptativos
- Presença de regressão
- Comunicação verbal e não verbal
- Reciprocidade social
- Brincadeiras e interesses
- Padrões repetitivos e rigidez
- Perfil sensorial
- Funcionamento em casa, na escola e em outros ambientes
- Audição, visão e exame neurológico
- Sono, alimentação, comportamento e condições associadas
Além disso, a equipe pode reunir pediatra do desenvolvimento, neuropediatra, psiquiatra da infância e adolescência, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e profissionais da escola, conforme as necessidades da criança.
Contudo, a espera por uma avaliação completa não deve impedir o acesso a intervenções direcionadas às dificuldades já identificadas, como linguagem, comunicação funcional, alimentação, sono ou participação escolar.
Quando encaminhar para avaliação especializada?
O pediatra deve encaminhar a criança ou o adolescente quando identificar um conjunto persistente de diferenças na comunicação social e comportamentos restritos ou repetitivos.
Além disso, deve considerar encaminhamento quando familiares, professores ou outros profissionais relatam preocupações consistentes, mesmo que a consulta não revele todos os sinais.
O encaminhamento ganha prioridade quando ocorre:
- Regressão de linguagem, habilidades sociais ou habilidades motoras
- Ausência de gestos comunicativos no segundo ano de vida
- Ausência de palavras funcionais ou combinações espontâneas esperadas
- Resposta muito inconsistente ao nome
- Baixa atenção compartilhada
- Rigidez intensa com impacto na rotina
- Comportamentos repetitivos associados a prejuízo funcional
- Sobrecarga sensorial frequente
- Isolamento social progressivo
- Sofrimento emocional ou queda de desempenho na adolescência
- Resultado alterado em instrumento padronizado de rastreamento
Entretanto, o profissional não precisa esperar certeza diagnóstica para encaminhar. Pelo contrário, a avaliação precoce permite compreender melhor o perfil da criança e planejar apoio individualizado.
A American Academy of Pediatrics mantém a recomendação de vigilância contínua até a idade escolar, porque algumas crianças só demonstram diferenças claras quando as demandas sociais superam seus recursos atuais.
Como conversar com a família sobre os sinais?
A comunicação clínica também influencia a continuidade do cuidado. Por isso, o profissional deve apresentar observações concretas, evitando rótulos precipitados ou frases vagas.
Em vez de afirmar que a criança “parece autista”, o médico pode explicar que observou pouca atenção compartilhada, resposta inconsistente ao nome e uso reduzido de gestos. Em seguida, deve explicar que esses sinais justificam uma avaliação mais detalhada.
Além disso, o profissional deve ouvir as preocupações da família sem minimizar relatos. Comentários como “cada criança tem seu tempo” podem atrasar a investigação quando a criança apresenta um conjunto relevante de sinais. Por outro lado, o médico também deve evitar alarmismo. O rastreamento não confirma o TEA, e diferentes condições podem produzir dificuldades semelhantes. Portanto, a conversa deve destacar a necessidade de compreender o desenvolvimento, identificar necessidades e oferecer apoio adequado.
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A Pós-graduação em Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Sanar foi criada para médicos que querem aprofundar sua atuação na avaliação, diagnóstico e tratamento de crianças e adolescentes, com foco em transtornos do neurodesenvolvimento, psicofarmacologia e manejo de quadros psiquiátricos da prática clínica.
Referências bibliográficas
- UPTODATE. Autism spectrum disorder in children and adolescents: overview of management and prognosis. Waltham, MA: UpToDate, [s.d.]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/autism-spectrum-disorder-in-children-and-adolescents-overview-of-management-and-prognosis. Acesso em: 31 jul. 2026.
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