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Simplificando o entendimento das doenças exantemáticas | Colunistas

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As Doenças exantemáticas compõem uma classe de afecções sistêmicas que se manifestam de forma cutânea-exantemática com diagnósticos diferenciais pontuais. É importante estar sempre atento a estes, para não ocorrer um equívoco no diagnóstico, piorando o quadro apresentado. 

Exantema é uma erupção geralmente avermelhada que aparece na pele devido à dilatação dos vasos sanguíneos ou inflamação.

Sarampo

Agente Etiológico

Paramyxoviridae. Mais predominante na primavera e verão. O contágio acontece 3 a 6 dias após exantema. O período de incubação 8-12d.

Manifestações clínicas

  • Exantema maculopapular craniocaudal mobiliforme que desaparece em 7 dias, deixando uma descamação fina. Inicia com um pródomo de conjuntivite e coriza intensa e febre. Depois evolui para exantema;
  • Manchas de koplik (face interna da bochecha que aparece 1 a 4 dias antes do exantema e some 3 dias depois);

Complicação mais comum

Otite média aguda. Principal causa de morte: pneumonia, e a principal complicação mais grave é Pan encefalite e Esclerose subaguda;

Pós exposição: Aplicar a vacina até 72h ou Imunoglobulina até 6 dias.

Doenças exantemáticas: rubéola

  • Agente Etiológico: Togaviridae;
  • O contágio acontece 5 dias antes a 6 dias depois;
  • O período de incubação varia de 14 a 21 dias;
  • A Transmissão se dá por gotículas;
  • Manifestações clínicas:
  • Olhos um pouco vermelhos
  • Linfadenopatia suboccipital retroauricular;
  • Começa em face e pescoço e vai desaparecendo quando aparece em outras partes, geralmente em 3 dias;
  •  Manchas de Forchheimer (petéquias em palato);
  • Complicações mais comum: trombocitopenia, artrite das articulações de mãos, encefalite. 

Exantema súbito

  • Agente Etiológico:  Herpes Vírus 6 e 7;
  •  Lactentes de 5 a15 meses;
  • Manifestações clínicas:
  • aparece febre alta e, após 3 dias, a febre some e aparece Exantema róseo em troncos e pescoço e não descama;
  • Incubação: 5 a 15 dias;
  • Não precisa isolamento porque quando a clínica se manifesta com exantema já não é mais contagioso. Ou seja, só é contagioso na fase da febre;
  • Complicações: convulsão, encefalite. 

Doenças exantemáticas: varicela

  • Agente Etiológico:  Vírus Varicela-Zoster;
  • infecção primária, com recorrência de 15%;
  • incubação de 10 a 21dias;
  • Período de contágio de 24 a 48 horas antes do aparecimento das erupções até que todas as vesículas se tornem crostas;
  • isolamento respiratório e de contato;
  • Manifestações Clínicas:
  • Lesões craniocaudal, centrípeta, pruriginosa, que se manifestam como mácula, pápula, vesícula e crostas ao mesmo tempo. (Polimórficas);
  • Complicação: hepatite leve, infecção secundária a Estreptococo grupo A e Estafilococos Aureus;
  • Complicação neural: ataxia Cerebelar e Encefalite;
  • Profilaxia pós exposição: Em imunocompetentes deve-se vacinar até 5 dias depois do contato e Imunoglobulina até 96horas após contato.

Eritema infeccioso

  • Agente Etiológico: Parvovírus B19;
  • Manifesta-se principalmente no inverno e primavera;
  • Acomete principalmente crianças mais velhas (5 a 19anos);
  • manifestações Clínicas:
  • face esbofeteada;
  • orofaringe SEM alteração (lembrar do diagnóstico diferencial com a Escarlatina que tem alteração de orofaringe);
  • Poupa fronte, nariz e perioral, poupa palma das mãos e dedos dos pés e desaparece em 10 dias e não descama. São lesões com clareamento central (rendilhado) e podem ter recidiva com exposição ao Sol ou exercício físico;
  • incubação: 4 a 28dias;
  • Não são infectantes no período de exantema, desconhece o período de contágio;
  • Complicações: Artrite, Artralgia, Purpura Trombocitopênica Idiopática, Crise aplásica transitória com Reticulopenia, podendo causar Anemia Hemolítica crônica.

Doenças exantemáticas: escarlatina

  • Agente Etiológico: Estreptococos grupo A Beta-hemolíticos produtoras das toxinas Eritrogênicas. (S.Pyogenes);
  • Quadro Clínico:
  • Febre alta;
  • Amigdalite purulenta com eritema tonsilar;
  • Exantema em lixa ou micropapular e poupa palma e poupa dos pés, mas descama os dedos;
  • Sinal da Pastia;
  • Palidez perioral(filatov);
  • língua em framboesa;
  • 2 semanas depois apresenta descamação da pele das mãos e dos pés;
  • Diagnóstico: Cultura de Orofaringe, Strep teste, Aslo ou Anti-Dnase B;
  • Complicações: 
  • supurativas: Linfadenite Cervical, abcesso Tonsilar;
  • Não supurativas: Febre Reumática, Glomerulonefrite Pós Estreptocócica (não pode ser prevenida com Antibiótico).

Doença de Kawasaki

  • Vasculite febril aguda com manifestação exantemática associada;
  • Agente etiológico desconhecido;
  • Manifesta-se principalmente em Meninos menores de 5 anos, asiáticos;
  • Diagnóstico Clínico: febre alta maior/igual 5 dias associado a pelo menos 4 das 5 características: alteração extremidades, congestão conjuntiva bilateral sem exsudato, alterações nos lábios e cavidade oral, linfadenopatia cervical não supurativas maior/igual 5cm, exantema de qualquer tipo menos vesicular;
  • Complicações: Pode evoluir para Aneurisma de Artéria Coronária (principal complicação para quem não tratou nas primeiras 2 a 3 semanas) região proximal da descendente anterior e região proximal da coronária direita são os lugares mais acometidos;
  • O principal exame a ser solicitado é o Ecocardiograma e, deve ser feito logo após o diagnóstico e depois 2 a 3 semanas após diagnóstico da doença. Se os dois primeiros são normais eu tenho que repetir o terceiro com 6 a 8 semanas e, se nesse terceiro for normal, não preciso fazer mais Ecocardiograma;
  • Exames laboratoriais: Podem manifestar com Leucocitose com neutrofilia, Trombocitose que se normaliza com 4 a 8 semanas, elevação do VHS e PCR por 4 a 6semanas, Piúria estéril, Hipoalbuminemia, Hiponatremia, elevação das transaminases e Gama GT; 
  • Recuperação completa: 50% aneurismas se resolvem de 1 a 2 anos.

Doença mão-pé-boca

  • Agente Etiológico: vírus Coxsackie da família dos Enterovírus que habitam normalmente o sistema digestivo e também podem provocar estomatites (espécie de afta que afeta a mucosa da boca);
  •  Embora possa acometer também os adultos, ela é mais comum na infância, antes dos cinco anos de idade;
  • Manifestações Clínicas: 
  • Febre alta nos dias que antecedem o surgimento das lesões;
  • Aparecimento, na boca, amídalas e faringe de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro que, podem evoluir para ulcerações muito dolorosas;
  • Erupção de pequenas bolhas em geral nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, mas que pode ocorrer também nas nádegas e na região genital;
  • Mal-estar;
  • Falta de apetite;
  • Vômitos;
  • Diarreia.

Doenças exantemáticas: conclusão 

Uma das estratégias mais importantes nas doenças exantemáticas é o diagnóstico etiológico das mesmas.

Por serem doenças com sintomas bem semelhantes, é importante que não haja confusão no diagnóstico, visto que sua etiologia segue sendo bem variada, podendo ser viral, bacteriana e até mesmo desconhecida, como na Doença de Kawasaki.

Por isso, deve-se conhecer afundo, os principais critérios clínicos, para se conseguir fazer um diagnóstico diferencial e preciso, para evitar equívocos no manejo dessas enfermidades.

Autora: Flavia Cristina Rodrigues de Sena | Instagram: @flaviasena87


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de bolso, doenças infecciosas e parasitárias. 8. ed. Brasília: MS, 2010.

CARVALHO, A. L. et al. Sarampo: atualizações e Reemergência, Revista Médica de Minas Gerais, Vol. 29, 2019.

Nelson JS, Stone MS. Update on selected viral exanthems. Curr Opin Pediatric. 2000.

Oliveira SAd, Camacho LAB, Bettini LR, Fernandes DG, Gouvea NAC, Barros RAQ, et al. Manifestações articulares nas viroses exantemáticas. Rev Soc Bras Med Trop. 1999.

SBP, Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria / [organizadores Dennis Alexander Rabelo Burns… [et al.]]. –4. ed. –Barueri, SP: Manole, 2017.

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