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Sepse Neonatal: Resumo com mapa mental | Ligas

mapa mental de Sepse Neonatal

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A sepse neonatal é caracterizada por ser uma das mais relevantes causas de óbito no período neonatal. É caracterizada por infecções graves que ocorrem em função da imaturidade imunológica do neonato.

  • Quando ocorre: nos 28 primeiros dias do recém nascido.
  • Classificação: há mecanismos diferentes que fazem a sepse neonatal ser classificada em precoce, de início até 72 horas de vida, ou tardia, com início após 72 horas de vida.

Vale mencionar, ainda, que os avanços nos cuidados intensivos possibilitaram uma maior sobrevida dos neonatos pré-termos.

Epidemiologia da Sepse Neonatal

Recém-nascidos do sexo masculino têm cerca de 2 vezes mais chances de sepse, ainda que essa diferença por sexo em prematuros não seja notória. Os casos de infecções tardias adquiridas em ambiente hospitalar são denominadas nosocomiais, sendo necessário, muitas vezes, o uso de cateter.

A probabilidade de ocorrência deste quadro infeccioso grave no recém-nascido depende diretamente:

  • do grau de prematuridade do mesmo;
  • e do grau de contaminação bacteriana do fluido amniótico.

A maior taxa de mortalidade relaciona-se aos quadros cujas infecções decorrem de Gram negativos ou fungos.

Fisiopatologia

  • Os quadros de início precoce ocorrem em função da transmissão de bactérias as quais infectam a criança no momento do parto vaginal ou atingem o líquido amniótico. Os quadros maternos de corioamnionite podem ser responsáveis por elevar o risco de acometimento.
  • Enquanto os quadros de início tardio são acometidos pela colonização neonatal, podendo ser por uma infecção transversal materna, pelo contato com a equipe que presta os cuidados, assim como pelo convívio em sociedade.
  • Fatores de risco: desenvolvimento de uma doença de base, prematuridade, procedimentos invasivos, ressuscitação após o nascimento, presença de anticorpos maternos, bem como pela presença de anticorpos maternos transplacentários.

Diagnóstico da Sepse Neonatal

O diagnóstico é, primariamente, clínico e resulta da presença obrigatória de 3 ou mais sinais clínicos de sepse no recém-nascido ou pelo menos 2 sinais associados aos fatores de risco materno. Dentre os sinais clínicos, destacam-se:

  • presença de febre materna periparto;
  • detecção de uma leucocitose materna (>18.000), acompanhada ou não por hemorragias e/ou petéquias;
  • alteração do útero em consistência;
  • instabilidade térmica (hipotermia ou hipertermia);
  • desconforto respiratório (dispneia, apneia, taquipneia, tiragem e/ou batimento de asa de nariz);
  • distúrbios no TGI (distensão abdominal, vômitos, hepatomegalia e/ou diarreia);
  • alteração no SNC (irritabilidade, convulsão, letargia, tremores, hipotonia, hiporreflexia, choro intenso, abaulamento da fontanela e/ou reflexo de Moro anormal);
  • distúrbios glicêmicos;
  • má perfusão periférica (com presença de cianose em extremidades);
  • outros: anorexia, edema, oligúria, icterícia, palidez, sudorese e/ou alteração da frequência cardíaca.

Adicionalmente, não menos importante, é indicada a realização da hemocultura para o diagnóstico da sepse neonatal, para o isolamento de fungo ou de bactéria do sangue, do líquor ou da urina. Caso a razão entre a contagem de formas imaturas e a contagem de formas totais de neutrófilos seja igual ou maior que 0,2, pensa-se em infecção bacteriana.

Neonato diagnosticado com sepse – Fonte: http://sepsisneonatal.blogspot.com/

Tratamento da Sepse Neonatal

Primeiramente, deve-se adotar medidas de suporte, tais como:

  • controle de temperatura;
  • balanço hidroeletrolítico adequado;
  • suporte ventilatório (se necessário);
  • e suporte nutricional, com introdução do leite materno o mais precoce possível.

Adicionalmente, é de suma importância recorrer imediatamente à antibioticoterapia, antes mesmo da realização de exames laboratoriais.

  • Sepse de início precoce: ampicilina + aminoglicosídeo (como a gentamicina).
  • Sepse tardia: oxacilina + aminoglicosídeo (em casos menos graves de infecção por S. aureus, por exemplo) ou vancomicina + cefalosporina de 3ª ou 4ª geração (em casos mais graves de infecção por S. aureus, por exemplo).

O tratamento individualizado deve ser muito bem avaliado de acordo com o agente etiológico identificado como causador da Sepse Neonatal. Além disso, é importante reforçar que, se as mães forem portadoras de corioamnionite, deve-se realizar a hemocultura e o hemograma do recém-nascido e dar início à antibioticoterapia.

Prevenção

  • Lavagem frequente das mãos pelos profissionais de saúde, a fim de reduzir a probabilidade de ocorrência da infecção nosocomial;
  • Antibioticoterapia (com penicilina ou ampicilina, preferencialmente) no intraparto (4 horas antes do nascimento), em caso de cultura de swab positiva, bacteriúria durante a gestação ou filho de gestação anterior com doença estreptocócica invasiva.

Autores, revisores e orientadores:

Autor: Joabe Oziel Cardoso Cruz – @joabe.com.br

Co-autor(a): Amanda da Cunha Ignácio – @amandacunhai Revisor(a): Nathaly Bianca da Silva – @nathaalybiianca Orientador(a): Ana Luiza Oliveira Silva – @analuiza_ped

Referências:

DE FREITAS, B. A. C. et al. Terapia nutricional e sepse neonatal. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 23, p. 492-498, 2011. Acesso em: 30 ago. 2021. https://www.scielo.br/j/rbti/a/PvRHgBbnPbp7knBchWnVL6t/?format=pdf⟨=pt

LOMBARDI, A. P. et al. Principais temas em Pediatria. 1ed. São Paulo: Medcel, 2017.

MEDGRUPO. Pediatria: Neonatologia. Medgrupo. V.1, 2020.

MEIRELES, L. A.; VIEIRA, A. A.; COSTA, C. R. Avaliação do diagnóstico da sepse neonatal: uso de parâmetros laboratoriais e clínicos como fatores diagnósticos. Rev. esc. enferm.: USP. 45(1), 2011. Acesso em: 30 ago. 2021.

https://www.scielo.br/j/reeusp/a/CXHLWWBGqMxKFfHJqxmcYcF/abstract/?lang=pt

PROCIANOY, R. S.; SILVEIRA, R. C. Os desafios no manejo da sepse neonatal. J. Pediatr.: Rio de Janeiro. 96(1), 2020. Acesso em: 31 ago. 2021. https://www.scielo.br/j/jped/a/5jFj7VRvCDqnwYyC4dfxYPw/?lang=pt

O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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