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Resumo: Manobra de Heimlich | Ligas

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Autor(a): Gustavo Neves Pinto;

Co-autor:  Ricardo
Serejo Tavares;

Revisor: João Pedro Andrade Augusto;

Orientador: José Antônio Carlos Otaviano David Morano;

Liga: Grupo de Estudo de Anatomia Aplicada à Saúde (GEAAS)

Introdução:

Entende-se por obstrução
de vias aéreas por corpos estranhos (OVACE), como toda situação que impede,
total ou parcialmente, a chegada de ar ambiente até os alvéolos pulmonares. A
retomada da permeabilidade das vias aéreas deve ser realizada de forma rápida e
eficaz, sob risco de morte caso não seja tratada logo. As causas dessa
obstrução podem ser de origem intrínseca ou extrínseca. No primeiro caso,
ocorrerá por conta de um relaxamento da língua, enquanto na segunda situação
por aspiração de corpo estranho ou alimentos, por exemplo.

Epidemiologia:

A obstrução de vias aéreas por corpos estranhos (OVACE) não é algo incomum de ocorrer, visto que, segundo o Ministério da Saúde, houve 496 mortes decorrente de obstrução por alimentos ingeridos e 139 óbitos por ingestão de objetos diversos. No Brasil, a OVACE é a terceira maior causa de acidentes seguido por morte em crianças e lactentes.

Classificação:

A obstrução pode ser
classificada em leve (parcial) ou grave (total). Na forma leve, há passagem de ar e, além disso, a vítima é capaz de tossir.
O socorrista deve estimular a tosse enquando houver uma troca gasosa
satisfatória. Na forma grave, o
paciente não consegue falar e nem respirar, resultando em asfixia. Poucos
minutos de privação de oxigênio são suficientes para gerar sérios danos a um
paciente asfixiado, como encefalopatia hipóxica, sequela presente em até 30%
dos pacientes asfixiados por uma obstrução de vias aéreas transitória. Outro
desfecho negativo que um paciente engasgado pode apresentar é a evolução para
uma parada cardiorrespiratória. O socorrista deve estar atento para alguns
sinais indicadores de obstrução grave:

  • Incapacidade de falar, tossir e respirar;
  • Cianose de lábios e extremidades;
  • Sinal universal da asfixia (segurar pescoço com uma ou ambas as mãos).

Apesar de a maioria dos
pacientes conseguir mobilizar os objetos estranhos por meio do reflexo da tosse,
existem casos em que somente isso não é o suficiente, sendo necessária uma força
externa para auxiliar na desobstrução. Diante disso, em 1974, o médico
estadunidense Henry Jay Heimlich desenvolveu uma manobra que visa fornecer uma
pressão externa sobre a região do abdômen para ajudar o organismo a expelir o
corpo estranho, sendo chamada posteriormente de Manobra de Heimlich, aplicada nos casos obstrução grave em vítimas conscientes.

Indicação

Como abordado
anteriormente, a manobra de Heimlich deve ser aplicada em pacientes com obstrução grave de vias aéreas, que não
conseguem se comunicar (falar), podem não estar respirando ou apresentar uma
respiração ruidosa e/ou tosse silenciosa. Caso a pessoa engasgada apresente uma
obstrução leve, em que é capaz de responder se está engasgada (falar), tossir e
respirar, não se deve aplicar a manobra.

Contraindicação

Não se deve realizar a manobra de Heimlich em:

  • Pacientes com obstrução leve de vias
    aéreas
  • Pacientes com idade menor que 1 ano

Descrição da Manobra em adultos:

  1. Posicionar-se de pé, atrás do paciente e lateralizado;
  2. Passar os braços por baixo do paciente;
  3. Posicionar o punho cerrado cerca de um punho de distância do umbigo;
  4. Espalmar a outra mão sobre a primeira;
  5. Realizar compressões rápidas e firmes, para dentro e para cima;
  6. Repetir a manobra até desobstrução ou até o paciente perder a consciência;
  7. Caso o paciente perca a consciência, iniciar BLS e ligar para o SAMU.
Figura 01 – Manobra de Heimlich em adultos – Acessado em 22 de ago. 2020: http://www.clicrbs.com.br/pdf/16756710.pdf

Descrição da Manobra em bebês de até um ano:

  1. Colocar os dedos em V ao redor da boca do paciente;
  2. Usar a região hipotenar da mão para a manobra;
  3. Aplicar até 5 palmadas no dorso do lactente (entre as escápulas);
  4. Virar o lactente em movimento em bloco;
  5. Aplicar 5 compressões torácicas, semelhante ao RCP infantil;
  6. Repetir a manobra até ser capaz de retirar o objeto ou até o paciente perder a consciência.
Figura 02 – Manobra de Heimlich em bebês – Acessado em 22 de ago. 2020: http://www.clicrbs.com.br/pdf/16756710.pdf

Situações especiais:

  • Se a vítima estiver grávida ou for obeso, deve-se aplicar compressões torácicas ao invés de abdominais.
  • Se a vítima for menor que o socorrista, este deve se posicionar de joelhos atrás da vítima e realizar a manobra de Heimlich.

Após manobra:

Além das
complicações citadas em parágrafos anteriores (encefalopatia hipóxica e parada
cardiorrespiratória) há relatos de que uma vítima de OVACE pode, também, sofrer
danos em órgãos internos e, portanto, todos os pacientes que receberem a
manobra de Heimlich devem ser encaminhados para o hospital.

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