Definição
A síndrome de Reiter, conhecida atualmente como artrite reativa, é caracterizada pela presença de artrite, uretrite não gonocócica, conjuntivite e lesões mucocutâneas. A maioria dos indivíduos acometidos são pessoas do sexo masculino (20 – 40 anos) com história prévia de infecção.
Epidemiologia da Síndrome de Reiter
No Brasil, em pesquisas realizadas nos hospitais, há relação da prevalência de artrite reativa em pacientes portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) a partir de 1985. Nesses pacientes, o quadro clínico é mais agressivo com maior resistência aos tratamentos usuais. E cerca de 66% dos pacientes permanecem com desconforto articular, dor lombar baixa e sintomas de entesopatia após a crise inicial, e cerca de 15% – 30% desenvolvem doença inflamatória articular crônica. Na população de países escandinavos, os dados de prevalência da artrite reativa são de 30-40 por 100.000 pessoas, e os de incidência, de 5-28 por 100.000 pessoas/ano. Estima-se que em torno de 1% das uretrites não gonocócicas e em 3% das enterites bacterianas ocorra desenvolvimento posterior de artrite reativa.
Fisiopatologia
A síndrome de Reiter acomete as articulações por vários dias. Na artrite urogênica, comum nessa síndrome, pode-se observar a presença de edema, dedos com formato semelhante a de salsichas, a pele nas regiões edemaciadas adquirem uma cor púrpura azulada. Também, nessa doença, os pacientes podem desenvolver tendinite, bursite do calcâneo, esporão do calcâneo e dano da articulação sacroilíaca.
As membranas mucosas e tegumentos da pele na síndrome de Reiter acomete alguns pacientes. Pode haver também alterações ulcerativas na mucosa oral (glossite, estomatite) e no pênis (balanite, balanopostite). Pápulas vermelhas, manchas eritematosas, focos de ceratodermia são facilmente observadas na pele, com presença de áreas de hiperemia cutânea com hiperceratose, descamação e rachaduras principalmente nas palmas das mãos e pés. Na doença de Reiter, pode haver o desenvolvimento de linfadenopatia, miocardite, distrofia miocárdica, pneumonia focal, pleurisia, polineurite, nefrite e amiloidose dos rins.
Quadro clínico da Síndrome de Reiter
A síndrome de reiter, caracterizada também como um tipo espondiloartrite, vai provocar nos pacientes acometidos, uma inflamação das articulações e anexos do tendão no nível das articulações, associado a uma infecção prévia. O paciente pode apresentar poliartralgia periférica e lesões cutâneo-mucosas disseminadas, de aspecto psoriasiforme.
Diagnóstico
No diagnóstico clínico, vão ser realizados alguns testes que, se positivo para a síndrome, será observado a presença de anemia hipocrômica, aumento da VHS e leucocitose no sangue. Na microscopia prostática, vai apresentar um aumento de leucócitos (> 10) no campo de visão e uma diminuição no número de corpos de lecitina. No exame de urina, a leucocitúria pode ser observada. Ainda mais, no diagnóstico da síndrome de Reiter, é muito utilizado um método para detectar DNA de patógenos no biomaterial, tendo como sinal específico da síndrome de Reiter, o transporte do antígeno HLA 27.
Tratamento
Após a confirmação do diagnóstico para a artrite reativa, é iniciado o tratamento com os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Contudo, quando não houver o controle dos sintomas pelos AINEs, pode-se utilizar glicocorticoide intra-articular, que vão ajudar de forma segura e eficaz, no tratamento de uma única lesão e de sintomas incapacitantes.
Nos casos em que a doença venha a ser classificada como crônica, em que ela passa a ser mais agressiva ou recorrente, está indicado o uso das chamadas drogas antirreumáticas modificadoras de doenças (DMARD).
Medicamentos:
– AINE (ibuprofeno: 1 comprimido de 600 mg, por via oral, 3 a 4 vezes ao dia);
– Glicocorticoide intra-articular (fosfato dissódico de dexametasona: solução injetável 4 mg/ml; 0,1 a 1 ampola intra-articular, a cada 4 semanas);
– DMARD (sulfassalazina 500mg: 1 a 2 comprimidos por via oral, 2 vezes ao dia, por 3 a 6 meses ou até a remissão da doença articular inflamatória).
Autor (a): Erasto loesther Valentim Leal – @erasto_loesther
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS ARTRITE REATIVA – DOENÇA DE REITER Portaria SAS/MS no 207, de 23 de abril de 2010. Disponível em: https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1339891745pcdt_artrite_reativa_dca_reiter_livro_2010.pdf Acesso em: 12 de agosto de 2021
SÍNDROME DE REITER – RELATO DE CASO. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/prN869rsFRzkvtSCdwSQ9Lp/?lang=pt#. Acesso em: 12 de agosto de 2021
SÍDROME DE REITER. Disponível em: http://petdocs.ufc.br/index_artigo_id_517_desc_Cl%C3%ADnica_pagina_2_subtopico_52_busca_ Acesso em: 12 de agosto de 2021
