Definição
O ducto cístico faz parte das vias biliares, sendo um dos ductos responsáveis por levar a bile (facilita a absorção de gorduras e permite a excreção de produtos do sangue, como a bilirrubina) do fígado, onde é produzida, para a vesícula biliar, onde fica armazenada. Além disso, esse ducto transporta a bile para o duodeno, onde fará sua ação de emulsificação de gorduras.
O trajeto da bile ocorre na seguinte ordem:
Ao sair do fígado, a bile passa pelos ductos biliares, seguido pelos ductos hepáticos direito e esquerdo. Esses ductos hepáticos formam o ducto hepático comum, que se une ao ducto cístico para formar o ducto colédoco. Assim, por meio do ducto colédoco, a bile chega ao duodeno.
A bile vai sendo armazenada na vesícula até os alimentos começarem a ser digeridos. Quando isso ocorre, as paredes da vesícula começam a se contrair e a bile passa a fluir no sentido contrário pelo ducto cístico, sendo a colecistocinina (CKK) o principal estímulo de contração, após a chegada de alimentos gordurosos no duodeno.


Anatomia
O ducto cístico compõe junto com o ducto hepático comum e a parte visceral/inferior do fígado o trígono cisto-hepático, também chamado de triângulo de Calot (observado na figura abaixo).

Drenagem: veias císticas
Irrigação: artéria cística, frequentemente originada da artéria hepática direita no trígono cisto-hepático.
Inervação: plexo nervoso celíaco (fibras aferentes viscerais e simpáticas), nervo vago (parassimpático) e nervo frênico direito (fibras aferentes somáticas).
É válido ressaltar que existem variações anatômicas de modo que a união entre os ductos cístico e hepático comum pode ser mais superior ou inferior, o que dificulta em cirurgias, pois a presença de um tecido fibroso pode favorecer uma lesão acidental no ducto hepático comum. Algumas pessoas não apresentam o ducto cístico. Conhecer essas variações auxilia na cirurgia de remoção da vesícula.
Histologia

https://histologyguide.com/slideview/MHS-261-common-bile-duct/15-slide-1.html
O ducto cístico possui estrutura similar ao ducto hepático comum, composto por uma camada mucosa com epitélio colunar simples e lâmina própria de tecido conjuntivo denso não modelado, glândulas para produção de muco e uma camada adventícia com tecido conjuntivo frouxo com vasos, células musculares e nervos.
A camada mucosa possui a prega espiral, que ajuda o ducto a permanecer aberto e promover uma resistência a passagem da bile, para que ela não ocorra de forma abrupta.
Embriologia
A partir do epitélio endodérmico na extremidade distal do intestino anterior surge uma projeção chamada de divertículo hepático ou broto hepático.
À medida que a conexão entre o divertículo hepático e o intestino anterior (duodeno) se estreita ocorre a formação do ducto biliar.
Uma pequena projeção é formada no ducto biliar (ducto colédoco) chamada de divertículo cístico, que origina a vesícula biliar e o ducto cístico.

Clínica: por que estudar o ducto cístico?
Colecistite aguda
É a principal complicação da colelitíase (cálculos biliares – cristais de colesterol). Na maioria das vezes é causada por obstrução transitória ou permanente do ducto cístico por causa de um cálculo, o que resulta na inflamação da vesícula biliar por acumulo da bile e aumento da vesícula. Os sintomas abrangem dor contínua no hipocôndrio direito que pode se irradiar. No exame físico, quando a região é apalpada gera dor ao se inspirar profundamente, seguida de uma mudança no padrão respiratório (sinal de Murphy – mostrado na capa do artigo).
Autora: Isabelle G. Holosback
Instagram: @isabelle.galegoholosback
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
- BRELJE, T. C; SORENSON, R. L. Ducto biliar comum MHS261. Histologyguide: virtual histology laboratory. 2005-2021. Disponível em https://histologyguide.com/slideview/MHS-261-common-bile-duct/15-slide-1.html. Acesso em 21 de agosto de 2021.
- Celeno, P. C. Semiologia Médica, 8ª edição. Grupo GEN, 2019. 9788527734998. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527734998/Acesso em: 2021 ago. 21.
- John E. Hall. Guyton & Hall Tratado de Fisiologia Médica. Grupo GEN, 2017. 9788595151567. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151567/ Acesso em: 2021 ago. 21.
- SADLER. Langman – Embriologia Médica. Grupo GEN, 2016. 9788527729178. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527729178/. Acesso em: 2021 ago. 21.