O termo câncer de mama é uma maneira genérica de agrupar diferentes multiplicações desordenadas de células mamárias que formam tumores. São exemplos de câncer mamário: papiloma intraductal, carcinoma lobular e carcinoma ductal. Se não tratados, esses tumores causam alterações físicas e funcionais da mama, podendo metastisar e acometer outros tecidos do corpo. O carcinoma ductal infiltrante é o tipo mais comum de tumor invasivo, compreendendo cerca de 80-90% do total de casos.
Epidemiologia
As neoplasias estão entre as duas principais causas de óbito em mais de 60% dos países. Nesse contexto, o câncer de mama é a de maior percentual diagnóstico, representando cerca de 12% do total de constatações neoplásicas e 1 em cada 4 casos de câncer na população feminina. Estimam-se 66.280 casos novos de câncer de mama, no Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres.
A doença apresenta relação direta com o sexo e a faixa etária, acometendo com maior frequência mulheres a partir de 50 anos de idade. Entre os demais fatores de risco, estão os endócrinos/reprodutivos, hormonais, genéticos e ambientais, além da vulnerabilidade social. Neste último, inclui-se a escolaridade e baixa renda, que afetam o acesso aos serviços de saúde e interferem no bem estar, visto que o alcance desse grupo a um apoio contínuo para o tratamento adequado comumente está prejudicado.

Em relação à mortalidade, mulheres com diagnóstico tardio têm 50% menos de chance de recuperação e sobrevida quando comparadas a pacientes com descoberta precoce. Este dado reforça a importância das campanhas de rastreio e diagnóstico precoce.
Rastreio
O programa de rastreio de câncer de mama no Brasil teve início em 2009, junto à implementação do SISMAMA. Atualmente, o rastreio é conduzido através da mamografia (realizada a cada 2 anos nos grupos de risco) em mulheres entre 50 e 69 anos, com resultados interpretados pela classificação BI-RADS. O método abrande tanto alterações benignas, como fibroadenomas, quanto malignas, como nódulos e massas espiculadas.
Os grupos considerados como de risco para a doença, incluídos no rastreamento, são: mulheres com história familiar de pelo menos um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama, abaixo dos 50 anos de idade; história familiar de pelo menos um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama bilateral ou câncer de ovário, em qualquer faixa etária; história familiar de câncer de mama masculino e diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipia ou neoplasia lobular in situ.
Apesar da mamografia ser uma ferramenta fundamental no rastreio e diagnóstico precoce, o exame pode gerar falsos-positivos ou negativos, o que reforça a importância da avaliação da relação dano-benefício das campanhas de rastreio. Mesmo na faixa etária recomendada, o exame implica em riscos que precisam ser conhecidos pelas mulheres. Além dos resultados errôneos, o rastreamento pode identificar cânceres que não evoluiriam e que acabam sendo tratados, expondo as pacientes a riscos e danos desnecessários.
- São definidos como grupos populacionais com risco elevado para o desenvolvimento do câncer de mama:
Na tabela abaixo, retirada da Diretriz para Detecção Precoce do Câncer de Mama, encontra-se as recomendações de acordo com o Ministério de Saúde.

Diagnóstico
O câncer de mama geralmente se apresenta como uma anormalidade mamográfica ou alteração física na mama, incluindo massa ou espessamento assimétrico, secreção mamilar e alterações da pele e mamilo. A secreção mamilar pode estar relacionada à malignidade se for sanguinolenta ou clara. Assim, ao apresentar algum desses sintomas, o paciente deve realizar o exame clínico da mama, mamografia e, quando necessário, ser submetido a biópsia por punção. A ultrassonografia também pode ser realizada, sendo complementar à mamografia.
Contudo, nas mulheres que não estão na menopausa, a mastalgia é comum no período pré-menstrual e uma das queixas femininas mais comuns nas APS. Por isso, pacientes com dor mamária não cíclica, sendo a dor intermitente ou continua progressiva, devem se submeter ao exame de mama, a mamografia e também a ultrassonografia, para excluir qualquer possibilidade de malignidade.
Em casos de lesões não palpáveis, a biopsia orientada por mamografia ou ultrassonografia é o padrão ouro. A ressonância nuclear magnética é recomendada em pacientes com diagnóstico de câncer de mama já definidos, quando há suspeita de metástase.
Tratamento
A escolha do tratamento irá variar de acordo com a extensão e características do tumor, bem como da condição da paciente, devendo se levar em consideração fatores como idade, comorbidades e status menopausal. As modalidades terapêuticas podem ser dividas em local (cirurgia e radioterapia) e sistêmica (quimioterapia, hormonioterapia e biológica).
A cirurgia conservadora ou mastectomia (sempre seguida da reconstrução mamária) são as condutas habituais nos casos de câncer de mama, podendo ser associadas à radioterapia. Quando há risco de recorrência ou os tumores são maiores, recomenda-se o tratamento sistêmico seguido de tratamento local após a resposta adequada. A atenção à qualidade de vida da paciente com câncer de mama deve ser preocupação dos profissionais de saúde ao longo de todo o processo terapêutico.
De acordo com a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, o tratamento deve ser feito pelas Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e pelos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon). As unidades de nível terciário de Atenção devem estar capacitadas para realizar o diagnóstico diferencial e definitivo do câncer, determinar o estadiamento, tratar, acompanhar a paciente e assegurar a qualidade da assistência.
Autores, revisores e orientadores:
Autores: Julia Resende de Oliveira e Luccas Louzão Homsani
Revisora: Rayanne Figueiredo
Orientador da liga: Dr. André Lopes
Referências:
Medeiros, G.C.; Teodózio, C.G.C.; Fabro, E.A.N.; Aguiar, S.S.; Lopes, A.H.M.; Conte, B.C.; Thuler, L.C.S. Fatores Associados ao Atraso entre o Diagnóstico e o Início do Tratamento de Câncer de Mama: um Estudo de Coorte com 204.130 Casos no Brasil. Revista Brasileira de Cancerologia,v.66, 2020.
Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Detecção Precoce do Câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2021.
Rodrigues, F.O.S.; Carvalho, M.; Amaral, B.R.; Felicíssimo, L.D.L.; Teodoro, L.C.; Pereira, M.D.; Valadares, P.M. Epidemiologia da Mortalidade por Câncer de Mama no Brasil entre os anos de 2009 e 2019 e a Influência de Aspectos Socioeconômicos e Demográficos. Research, Society and Development, v.10, 2021.
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Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.