Anúncio

Resumo Anatomia do Pâncreas: localização, fornecimento sanguíneo, inervação, linfáticos, função e alguns aspetos clínicos relevantes | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Introdução

O pâncreas é não só um órgão acessório e glândula exócrina do sistema digestivo, como também uma glândula endócrina produtora de hormonas.

É um órgão retroperitoneal, possuindo cinco partes e um sistema interno de ductos.

O pâncreas é vascularizado pelas artérias pancreáticas que se ramificam a partir de vasos ao seu redor e é inervado pelo nervo vago (NC X), plexo celíaco e plexo mesentérico superior.

Função – Digestão através da libertação de peptidases, lipases, nucleases e amilases. Regulação hormonal pela libertação de insulina (células beta), glucagon (células alfa) e somatostatina (células delta).

Definição

O pâncreas é uma glândula de secreção externa e interna, que está ligada ao duodeno por seus dutos excretores.

Localização – O pâncreas é um órgão alongado (com aproximadamente 15 cm) que se localiza obliquamente na parede abdominal posterior, ao nível dos corpos vertebrais de L1 e L2. Pensando num contexto clínico, a sua posição oblíqua faz com que seja impossível de o visualizar, na totalidade, usando apenas uma secção transversal. O pâncreas está em contacto com várias estruturas, uma vez que atravessa as regiões abdominais epigástrica, do hipocôndrio esquerdo e uma pequena porção da região umbilical.

Todo pâncreas, à exceção da cauda, está localizado no espaço retroperitoneal da cavidade abdominal.

Configuração e relações

Este órgão parenquimatoso está dividido em cinco partes anatómicas: a cabeça, a apófise unciforme, o colo, o corpo e a cauda.

Cabeça do pâncreas – A cabeça é a parte medial dilatada do pâncreas. Ela encontra-se em contacto direto com as partes descendente e horizontal do duodeno(segunda porção do duodeno), as quais formam um C em torno da cabeça do pâncreas. Medidas de 6 a 7 cm de altura, 4 cm de largura e 2 a 3 cm de espessura.

Apófise unciforme – Projeta-se inferiormente a partir da cabeça do pâncreas e estende-se posteriormente em direção à artéria mesentérica superior.

Colo – Se continua lateralmente a cabeça do pâncreas, uma estrutura pequena, com cerca de 2cm, que liga a cabeça ao corpo do pâncreas. Posteriormente ao colo estão a artéria e a veia mesentéricas superiores e a origem da veia porta hepática – formada pela união das veias mesentérica superior e esplénica.

Corpo – A parte do pâncreas que se encontra lateralmente ao colo, que consiste em duas superfícies (anterior e posterior) e duas bordas (superior e inferior). O colo está localizado anteriormente à vertebra L2, e forma o pavimento da retrocavidade dos epíplons (bolsa omental). A aorta, a artéria mesentérica superior, os vasos renais esquerdos, o rim esquerdo e a glândula suprarrenal esquerda estão localizados posteriormente ao corpo do pâncreas.

Cauda (intraperitoneal) – É a última parte do pâncreas. Ela está intimamente relacionada com o hilo do baço e encontra-se no ligamento esplenorrenal, juntamente com os vasos esplénicos.

Relações anatómicas do pâncreas

Anterior: Estomago, retrocavidade dos epíplons (bolsa omental), mesocólon transverso, artéria mesentérica superior.

Posterior: Aorta, veia cava inferior, artéria renal direita, veias renais direita e esquerda, vasos mesentéricos superiores, veia esplénica, veia porta hepática, rim esquerdo, glândula suprarrenal esquerda.

Superior: Artéria esplênica.

Lateral: Baço.

Medial: Duodeno (partes descendente e horizontal).

Ductos excretores do pâncreas

Ducto pancreático principal (de Wirsung) – Atravessa todo o parênquima pancreático, desde a cauda até à cabeça. Ele junta-se ao ducto biliar na cabeça do pâncreas para formar o ducto hepatopancreático, também conhecido como ampola de Vater. Este ducto desemboca na parte descendente do duodeno através da papila duodenal maior.

O fluxo através da ampola de Vater é controlado por um esfíncter muscular liso, chamado esfíncter de Oddi (hepatopancreático). Ele também previne o refluxo de conteúdo duodenal para o ducto hepatopancreático.

As partes terminais dos ductos pancreático principal e biliar também têm esfíncteres, que desempenham um papel importante no controlo do fluxo dos fluidos pancreático e biliar.

Ducto acessório (de Santorini): Ele comunica com o ducto pancreático principal ao nível do colo pancreático e desemboca na parte descendente do duodeno através da papila duodenal menor.

Vascularização

O pâncreas recebe o seu fornecimento sanguíneo de várias fontes.

 A apófise unciforme e a cabeça são vascularizadas pelas artérias pancreaticoduodenais superior e inferior, ramos das artérias gastroduodenal e mesentérica superior, respetivamente.

Cada artéria pancreaticoduodenal tem um ramo anterior e um posterior que se projetam ao longo das respetivas faces do colo do pâncreas, onde formam as arcadas pancreaticoduodenais responsáveis por vascularizar cada face.

O corpo e a cauda do pâncreas são vascularizados pelas artérias pancreáticas que se ramificam a partir das artérias esplênica, gastroduodenal e mesentérica superior.

As veias pancreáticas são responsáveis pela drenagem de sangue desoxigenado do pâncreas. A veia pancreaticoduodenal anterior superior desemboca na veia mesentérica superior, enquanto a posterior desemboca na veia porta hepática.

Tanto a veia pancreaticoduodenal anterior inferior como a veia pancreaticoduodenal posterior inferior drenam para a veia mesentérica superior, enquanto as veias pancreáticas drenam o sangue venoso do corpo e da cauda do pâncreas para a veia esplênica.

Inervação

A sua inervação parassimpática provém do nervo vago (NC X) e a sua inervação simpática dos nervos esplâncnicos maior e menor (T5-T12). Os dois tipos de fibras autónomas viajam até o gânglio celíaco e ao plexo mesentérico superior, projetando-se, por fim, no pâncreas.

Dentro do órgão, estas fibras transportam impulsos nervosos para as células acinares a para os ilhotes pancreáticos. As fibras parassimpáticas estimulam a secreção das células acinares, levando à libertação de suco pancreático, insulina e glucagon. Por oposição, as fibras simpáticas promovem a vasoconstrição e a inibição da secreção exócrina, por outras palavras, inibem a libertação do suco pancreático.

vasos linfaticos:

A linfa é drenada do corpo e cauda do pâncreas através de vasos linfáticos que esvaziam o seu conteúdo nos nódulos linfáticos pancreático-esplênicos, localizados ao longo da artéria esplênica.

função do pâncreas:

O pâncreas é um órgão único, pois possui tanto funções endócrinas como exócrinas.

Função exócrina: Inclui a síntese e libertação de enzimas digestivas para o duodeno, no intestino delgado. Sintetizam enzimas digestivas pancreáticas inativas (zimogênios), que são libertados para os sistemas ductais glandulares e pancreáticos. Ao atingir o duodeno, os zimogênios são ativados por enzimas proteolíticas, tornando-se peptidases, amilases, lipases e nucleases ativas que atuam para digerir ainda mais os alimentos que entram no intestino delgado provenientes do estômago.

Função endócrina: Envolve a libertação de insulina e glucagon para a corrente sanguínea , duas importantes hormonas responsáveis pela regulação do metabolismo da glucose, lípidos e proteínas. A função endócrina do pâncreas é desempenhada pelos ilhéus pancreáticos de Langerhans. Estas glândulas endócrinas secretam hormonas diretamente para a corrente sanguínea e possuem três tipos celulares principais: alfa, beta e delta.

De forma resumida, as células alfa libertam glucagon, as células beta secretam insulina e as células delta produzem somatostatina. Estas hormonas são fundamentais para a regulação não só do metabolismo da glucose, mas também das funções gastrointestinais.

Correlação clinica:

Pancreatite

A pancreatite é um processo inflamatório do pâncreas que pode ser crónico ou agudo. As causas mais comuns de pancreatite aguda são cálculos biliares (obstrução do fluxo pancreático) e alcoolismo (aumento da síntese de enzimas pancreáticas).

A pancreatite aguda manifesta-se através de dor epigástrica severa, náuseas e vómitos.

Ao exame físico, os pacientes revelam sensibilidade epigástrica, ruídos típicos de intestinos hipoativos, febre, taquipneia, equimoses nas regiões abdominais periumbilical e do flanco esquerdo e, possivelmente, icterícia se a causa for um cálculo biliar.

Os exames laboratoriais evidenciam geralmente um aumento dos níveis séricos de amilase e lipase.

O controlo da pancreatite aguda envolve terapia de fluidos; controlo da dor; e monitorização atenta e tratamento da causa subjacente.

Por outro lado, a pancreatite crónica envolve uma inflamação progressiva ao longo de um grande período de tempo que causa dano estrutural permanente.

A pancreatite crónica manifesta-se de forma não específica ou mesmo assintomática até ao aparecimento de insuficiência pancreática.

Nesta altura, o paciente começa a experienciar fezes claras “cor de barro” (esteatorreia) devido à má absorção de gorduras e aos diabetes.

O controlo da pancreatite crónica geralmente envolve controlo da dor, suplementos de enzimas pancreáticas, assim como suplementos de substituição de vitaminas e lipases.

Autor : Ravel Silva

Instagram: @ravel156


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Moore, K. L., Dalley, A. F., & Agur, A. M. R. (2014). Clinically Oriented Anatomy (7th ed.). Philadelphia, PA: Lippincott Williams & Wilkins.

Rouvière, H., Delmas, A. & Delmas, V. Anatomía Humana Descritiva,topográfica e funcional. Tomo 2.Tronco 11.a ed.

Santhi Swaroop Vege (2019): Etiology of acute pancreatitis. David C Whitcomb (Ed.), UpToDate. Waltham, MA: UpToDate Inc. Retrieved from https://www.uptodate.com

Santhi Swaroop Vege (2019): Management of acute pancreatitis. David C Whitcomb (Ed.), UpToDate. Waltham, MA: UpToDate Inc. Retrieved from https://www.uptodate.com

Standring, S. (2016). Gray’s Anatomy (41tst ed.). Edinburgh: Elsevier Churchill Livingstone.

Steven D Freedman (2019): Clinical manifestations and diagnosis of chronic pancreatitis in adults, David C Whitcomb (Ed.), UpToDate. Waltham, MA: UpToDate Inc. Retrieved from https://www.uptodate.com

Steven D Freedman (2019): Treatment of chronic pancreatitis. David C Whitcomb (Ed.), UpToDate. Waltham, MA: UpToDate Inc. Retrieved from https://www.uptodate.com

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Minicurso Gratuito

+ Certificado

Anatomia de Cabeça e Pescoço

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀