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Pseudocrises hipertensivas: aprenda o que deve ser feito nesses casos

pseudocrises hipertensivas

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Pacientes com queixas de cefaleia, dor torácica atípica, dispneia, estresse psicológico agudo e síndrome de pânico associados à pressão arterial elevada são caracterizadas como pseudocrises hipertensivas. Nesses casos, os mecanismos fisiopatológicos não envolvem o risco potencial ou evidências de lesão aguda de órgãos-alvo ou iminência de morte.

A crise hipertensiva pode se tratar de uma urgência hipertensiva, quando não há lesões de órgãos-alvo, ou pode ser considerada uma emergência hipertensiva, quando há risco de vida evidenciado por lesão de órgãos-alvo (coração, cérebro, rins e artérias).

Crise Hipertensiva x
Pseudocrise Hipertensiva

Quando o paciente apresenta pseudocrise hipertensiva, a elevação acentuada da pressão arterial normalmente é causada por algum evento emocional, doloroso ou desconfortável, como enxaqueca, tontura rotatória, cefaleias e manifestações da síndrome do pânico, sem sinais de deterioração de órgão-alvo. Pode, inclusive, ser o caso de um paciente portador de hipertensão arterial que não tem usado as medicações da forma correta e, por essa razão, sua pressão arterial está apresentando um valor muito elevado.

Dessa forma, como normalmente não se
trata de uma situação crônica, como as crises hipertensivas, seus mecanismos
patogenéticos não são necessariamente os mesmos das condições citadas
anteriormente. Nesse sentido, a condução clínica e o tratamento dessas
condições também não deveriam ser iguais, contudo quase a totalidade dos
pacientes com pseudocrise hipertensiva é tratada como sendo portadores de crise
verdadeira. 

Diagnóstico das pseudocrises hipertensivas

Apesar de um dos primeiros testes realizados nas triagens classificatórias de pacientes em hospitais, em Unidades de Pronto Atendimento e em Unidades Básicas de Saúde ser a aferição da pressão arterial, os profissionais da saúde devem ter a consciência de que apenas os níveis pressóricos não são suficientes para diferenciar os casos de emergência, urgência ou pseudocrise hipertensiva.

Por essa razão, inúmeras variáveis
clínicas devem ser buscadas pelos médicos durante a entrevista e durante o exame
físico do paciente para que o diagnóstico diferencial possa ser feito e a condução
do caso seja a mais segura e adequada possível.

Cefaleia e elevação da PA

Um ponto interessante é que a
população normalmente atribui sintomas inespecíficos ao aumento dos níveis
pressóricos, sendo que, na maioria das vezes, a elevação da pressão arterial é
uma consequência desses sintomas e não sua causa. Isso é muito comum, por
exemplo, com o relato de que o paciente começou a apresentar cefaleia desde que
houve aumento na PA.

Contudo, em geral, estímulos dolorosos são a causa e não a consequência da elevação pressórica, sendo normalmente considerados como portadores de pseudocrises hipertensivas pacientes que apresentam sinais e sintomas como dor de origem musculoesquelética, gastralgias, odenofagias, pirose e dores de modo geral.

Nesse sentido, estudos mostram que a cefaleia está normalmente associada a pseudocrises hipertensivas, sendo que se trata de uma queixa comum em 88% dos pacientes que foram diagnosticados de forma errônea como portadores de crise hipertensiva.

Condução clínica

Fica evidente, portanto, que a terapêutica mais adequada para os casos de pseudocrise hipertensiva causada por fatores emocionais ou dolorosos é feita com uso de fármacos destinados ao tratamento dos sintomas associados, e não com o uso de medicações anti-hipertensivas. Nesses casos, após o tratamento da sintomatologia, é comum se verificar a redução dos níveis pressóricos dos pacientes, corroborando a tese de que dores, desconfortos e questões emocionais são as condições que provocam essas pseudocrises.

Tais informações são de extrema importância para a prática
clínica, visto que a conduta a ser adotada em um paciente que apresenta uma
pseudocrise é bem diferente das condutas a serem adotadas em casos de urgência
ou de emergência hipertensiva. No caso de uma emergência, a redução da PA deve
ser feita de forma imediata através de medicações parenterais; já quando se
trata de uma urgência, a redução pode ocorrer dentro de horas e, em geral,
utilizando-se agentes orais.

Como a terapêutica dos três casos é bem diferente, o médico
responsável deve dar grande valor aos sintomas iniciais apresentados pelo
paciente, pois, no caso da pseudocrise, são esses sintomas o alvo do
tratamento. Na hipótese de não haver redução da PA mesmo quando tais sintomas
forem aliviados, medidas adicionais podem ser adotadas.

No entanto, a American College of Emergency Physician Clinical Policy recomenda que o início do tratamento de hipertensão, no caso de uma pseudocrise, não é necessário quando o paciente tem um acompanhamento, sendo que a redução rápida da pressão arterial nesses pacientes é desnecessária e, inclusive, pode ser perigosa. Dessa forma, quando se optar por fazer o manejo da pressão arterial nesses casos, sua redução deve ocorrer de forma gradual.

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Perguntas Frequentes:

1 – O que é uma pseudocrise hipertensiva?

Quadro de elevação aguda da PA motivado por algum fator, comumente estresse (físico ou emocional) ou dor.

2 – Como diferenciar uma crise hipertensiva de uma pseudocrise?

Procure razões para o aumento da PA, além de sinais de lesão de órgão alvo.

3 – O que fazer para conduzir uma pseudocrise hipertensiva?

Não dê medicações para reduzir a PA. Deixe o paciente se acalmar num local reservado. Trate a dor e estresse, se for o caso.

Referências

  1. MARTINS, Herlon Saraiva et al. Medicina de emergência: abordagem prática(USP). 11ª edição. São Paulo: editora Manole, 2016.
  2. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz brasileira de hipertensão arterial. 7ª edição. Rio de Janeiro, 2016.

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